Nova Edição Integral das Sonatas em 2006
Sábado, 05 de Junho de 2004
Em 2006 comemoram-se os 50 anos da Fundação Gulbenkian, data que será assinalada com uma série de publicações, entre as quais uma nova edição integral das sonatas de Carlos Seixas, que está a ser preparada pelo musicólogo João Pedro d'Alvarenga e pelo organista João Vaz. "Inicialmente a Gulbenkian tinha planeado reeditar os antigos volumes da colecção Portugaliae Musicae, mas entretanto Rui Vieira Nery [director adjunto do Serviço de Música] achou melhor fazer uma edição nova, noutros moldes, incluindo as sonatas que entretanto apareceram, e dotada de um aparato crítico que desse conta das variantes de todas as fontes", contou João Pedro d'Alvarenga ao Mil Folhas. "As edições anteriores ou dependem de uma única fonte ou condensam a informação de vários manuscritos, pelo que o texto final é algo que nunca existiu! Era esta a maneira de editar há anos. Nós estamos a usar uma fonte principal para cada sonata, cuja escolha tem a ver com a coerência do texto musical, e as variantes aparecem em apêndice. É o que se faz nas 'Opera Omnia'." No que diz respeito à ordenação das peças, como não é possível estabelecer uma cronologia (não há autógrafos e as cópias não estão datadas), serão ordenadas por tonalidades. "Cada grupo tonal é um campo aberto, onde se podem ir incluindo outras sonatas que entretanto apareçam. Na mesma altura sairá também um catálogo que obedece a estes critérios."
Apesar da importância de Seixas, os estudos de fundo sobre a sua obra continuam a ser escassos e os mais importantes (o livro publicado por Santiago Kastner em 1947 e a tese de Klaus Heimes de 1967) são bastante antigos. Mais recentemente, há a assinalar o artigo de Manuel Pedro Ferreira sobre a Sinfonia em Si bemol Maior na "Revista Portuguesa de Musicologia". Alvarenga considera urgente um estudo analítico das sonatas liberto do "fantasma de Scarlatti". "A tese de Klaus Heimes está cheia de fantasmas. Mesmo que ele prove que não existe uma influência relevante do compositor italiano, o fantasma está lá. Tal como o fantasma Bach. Seixas precisa de ter uma contextualização à sua medida. É preciso relacioná-lo com os compositores ibéricos e italianos anteriores e contemporâneos. Outro campo urgente de estudo é a música sacra, onde é preciso fazer quase tudo." O musicólogo reconhece que a música de Seixas tem uma qualidade irregular, mas tem sempre uma marca estilística inconfundível. "Bastam dois compassos para a reconhecer. Para nós, Seixas tem também uma importância grande como introdutor da sonata para tecla em Portugal. Isto já não é pouco. Merece bem o lugar no livro de William Newman sobre a sonata barroca." C.F.
Categorias
Entidades
Nova Edição Integral das Sonatas em 2006
Sábado, 05 de Junho de 2004
Em 2006 comemoram-se os 50 anos da Fundação Gulbenkian, data que será assinalada com uma série de publicações, entre as quais uma nova edição integral das sonatas de Carlos Seixas, que está a ser preparada pelo musicólogo João Pedro d'Alvarenga e pelo organista João Vaz. "Inicialmente a Gulbenkian tinha planeado reeditar os antigos volumes da colecção Portugaliae Musicae, mas entretanto Rui Vieira Nery [director adjunto do Serviço de Música] achou melhor fazer uma edição nova, noutros moldes, incluindo as sonatas que entretanto apareceram, e dotada de um aparato crítico que desse conta das variantes de todas as fontes", contou João Pedro d'Alvarenga ao Mil Folhas. "As edições anteriores ou dependem de uma única fonte ou condensam a informação de vários manuscritos, pelo que o texto final é algo que nunca existiu! Era esta a maneira de editar há anos. Nós estamos a usar uma fonte principal para cada sonata, cuja escolha tem a ver com a coerência do texto musical, e as variantes aparecem em apêndice. É o que se faz nas 'Opera Omnia'." No que diz respeito à ordenação das peças, como não é possível estabelecer uma cronologia (não há autógrafos e as cópias não estão datadas), serão ordenadas por tonalidades. "Cada grupo tonal é um campo aberto, onde se podem ir incluindo outras sonatas que entretanto apareçam. Na mesma altura sairá também um catálogo que obedece a estes critérios."
Apesar da importância de Seixas, os estudos de fundo sobre a sua obra continuam a ser escassos e os mais importantes (o livro publicado por Santiago Kastner em 1947 e a tese de Klaus Heimes de 1967) são bastante antigos. Mais recentemente, há a assinalar o artigo de Manuel Pedro Ferreira sobre a Sinfonia em Si bemol Maior na "Revista Portuguesa de Musicologia". Alvarenga considera urgente um estudo analítico das sonatas liberto do "fantasma de Scarlatti". "A tese de Klaus Heimes está cheia de fantasmas. Mesmo que ele prove que não existe uma influência relevante do compositor italiano, o fantasma está lá. Tal como o fantasma Bach. Seixas precisa de ter uma contextualização à sua medida. É preciso relacioná-lo com os compositores ibéricos e italianos anteriores e contemporâneos. Outro campo urgente de estudo é a música sacra, onde é preciso fazer quase tudo." O musicólogo reconhece que a música de Seixas tem uma qualidade irregular, mas tem sempre uma marca estilística inconfundível. "Bastam dois compassos para a reconhecer. Para nós, Seixas tem também uma importância grande como introdutor da sonata para tecla em Portugal. Isto já não é pouco. Merece bem o lugar no livro de William Newman sobre a sonata barroca." C.F.