Conselho de Jurisdição do PSD acusado de "imobilismo"

21-12-2002
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Conselho de Jurisdição do PSD Acusado de "Imobilismo"

Por ANA FRAGOSO

Quarta-feira, 27 de Novembro de 2002

Lista derrotada insiste na impugnação das eleições da distrital do PSD em Bragança

Passados quatro meses das eleições para a Comissão Política Distrital do PSD de Bragança, a lista derrotada, encabeçada por Miguel Miranda, actualmente deputado na Assembleia da República, continua a insistir na impugnação do acto eleitoral exigindo aos órgãos nacionais do partido "que simplesmente demitam" o reeleito presidente Telmo Moreno.

Esta tomada de posição assenta nos estatutos do próprio partido que limitam os mandatos dos dirigentes a seis anos - Telmo Moreno lidera a distrital desde 1995, ou seja, há sete anos. A lista derrotada apresentou um pedido de impugnação três dias depois das eleições, mas até agora não recebeu qualquer resposta "concreta" do Conselho de Jurisdição Nacional (CJN) do partido.

"Tal como a lenta justiça portuguesa, os órgãos do PSD arrastam as situações até ao limite, tentando assim desgastar aqueles que procuram a transparência e têm a razão do seu lado", acusa a lista perdedora, num comunicado tornado público, denunciando ainda "o imobilismo dos órgãos do partido".

Miguel Miranda afirma "estranhar a situação", tanto mais o CNJ "já deu resposta a alguns pareceres pedidos posteriormente e não respondeu a esse pedido de impugnação", considerando que o seu arrastamento no tempo "está a beneficiar os infractores, se é que os há".

Telmo Moreno, presidente da distrital, diz "lamentar" esta situação, "até porque essas pessoas foram informadas da minha legitimidade eleitoral". E explica que os estatutos actualmente em vigor foram aprovados apenas em 1997 e "não têm efeitos retroactivos". "Segundo os estatutos o meu actual mandato é o último", garante.

Os pareceres do CNJ em resposta aos pedidos da lista derrotada são muito vagos e limitam-se a transcrever o artigo nº 71 dos Estatutos do partido, que limita a elegibilidade dos dirigentes a seis anos, não especificando se essa contagem tem efeitos retroactivos. Esta dúvida persiste para a lista encabeçada por Miguel Miranda, que continua à espera de uma resposta "para bem da transparência e da verdade".

Telmo Moreno admite a existência de "uma guerrilha travada por algumas pessoas conhecidas" no seio do PSD de Bragança e aconselha essas pessoas "a trabalhar pelo partido e pelo país". Por fim, refere que "não se pode ganhar na secretaria o que se perde nos votos directos dos militantes".

A propósito do diferendo, o PÚBLICO tentou ouvir Carlos Encarnação, que preside ao Conselho de Jurisdição Nacional do PSD, mas foram infrutíferos todos os esforços até ao fecho desta edição.

Conselho de Jurisdição do PSD Acusado de "Imobilismo"

Por ANA FRAGOSO

Quarta-feira, 27 de Novembro de 2002

Lista derrotada insiste na impugnação das eleições da distrital do PSD em Bragança

Passados quatro meses das eleições para a Comissão Política Distrital do PSD de Bragança, a lista derrotada, encabeçada por Miguel Miranda, actualmente deputado na Assembleia da República, continua a insistir na impugnação do acto eleitoral exigindo aos órgãos nacionais do partido "que simplesmente demitam" o reeleito presidente Telmo Moreno.

Esta tomada de posição assenta nos estatutos do próprio partido que limitam os mandatos dos dirigentes a seis anos - Telmo Moreno lidera a distrital desde 1995, ou seja, há sete anos. A lista derrotada apresentou um pedido de impugnação três dias depois das eleições, mas até agora não recebeu qualquer resposta "concreta" do Conselho de Jurisdição Nacional (CJN) do partido.

"Tal como a lenta justiça portuguesa, os órgãos do PSD arrastam as situações até ao limite, tentando assim desgastar aqueles que procuram a transparência e têm a razão do seu lado", acusa a lista perdedora, num comunicado tornado público, denunciando ainda "o imobilismo dos órgãos do partido".

Miguel Miranda afirma "estranhar a situação", tanto mais o CNJ "já deu resposta a alguns pareceres pedidos posteriormente e não respondeu a esse pedido de impugnação", considerando que o seu arrastamento no tempo "está a beneficiar os infractores, se é que os há".

Telmo Moreno, presidente da distrital, diz "lamentar" esta situação, "até porque essas pessoas foram informadas da minha legitimidade eleitoral". E explica que os estatutos actualmente em vigor foram aprovados apenas em 1997 e "não têm efeitos retroactivos". "Segundo os estatutos o meu actual mandato é o último", garante.

Os pareceres do CNJ em resposta aos pedidos da lista derrotada são muito vagos e limitam-se a transcrever o artigo nº 71 dos Estatutos do partido, que limita a elegibilidade dos dirigentes a seis anos, não especificando se essa contagem tem efeitos retroactivos. Esta dúvida persiste para a lista encabeçada por Miguel Miranda, que continua à espera de uma resposta "para bem da transparência e da verdade".

Telmo Moreno admite a existência de "uma guerrilha travada por algumas pessoas conhecidas" no seio do PSD de Bragança e aconselha essas pessoas "a trabalhar pelo partido e pelo país". Por fim, refere que "não se pode ganhar na secretaria o que se perde nos votos directos dos militantes".

A propósito do diferendo, o PÚBLICO tentou ouvir Carlos Encarnação, que preside ao Conselho de Jurisdição Nacional do PSD, mas foram infrutíferos todos os esforços até ao fecho desta edição.

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