EXPRESSO: Opinião

28-05-2002
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CARDEAIS

O anel e a herança

E SE o patriarca de Lisboa, que aqui recebe o anel de cardeal, fosse o próximo Papa? D. José Policarpo lembrou-se de Pessoa para traduzir o sentimento que o dominava - «Aqui sou mais do que eu, represento um povo», disse, para sublinhar a sua responsabilidade, no dia em que ganhou direito ao barrete cardinalício. O novo cardeal veio do povo e sabe como o povo é dado a sonhar com impossíveis. Mas porque suporta mal a mágoa de perder - bem se vê no fado! - chega a fugir até dos sonhos possíveis para depois não sofrer tanto com uma decepção eventual. A verdade é que D. José Policarpo e o outro cardeal português que já é «ministro» do Vaticano, D. José Saraiva Martins, têm voto e são elegíveis. Não seria a primeira vez que as previsões para os conclaves sairiam furadas.

Com a nomeação dos novos cardeais e o alargamento da representatividade do Consistório, João Paulo II cria condições para que a sua sucessão possa tornar-se um passo mais no reforço da universalidade da Igreja Católica. Ele, que foi o primeiro Papa não italiano em quatro séculos, sabe como esse facto, na aparência insignificante, deu mais força à sua voz fora das paredes do Vaticano e contribuiu de forma decisiva para as profundas transformações ocorridas na Europa e no mundo durante o seu pontificado. A frutuosa experiência do Papa polaco abre caminho a outros, porventura com origens ainda mais distantes da sede da Igreja Católica. Sendo os cardeais elegíveis em maior número e provenientes de tão diversos pontos do globo, maior e mais rico é o universo para a eleição do sucessor do Papa. E mais fortes as possibilidades de, com uma escolha ousada e que não se limite a reflectir o equilíbrio de forças políticas e burocráticas dentro da Santa Sé, a Igreja de Roma reforçar a sua imagem de Igreja do mundo, abrindo-se a ele para prosseguir o trabalho ecuménico das últimas duas décadas. O novo Consistório é, por isso, mais uma parcela valiosa da herança de João Paulo II.

CARDEAIS

O anel e a herança

E SE o patriarca de Lisboa, que aqui recebe o anel de cardeal, fosse o próximo Papa? D. José Policarpo lembrou-se de Pessoa para traduzir o sentimento que o dominava - «Aqui sou mais do que eu, represento um povo», disse, para sublinhar a sua responsabilidade, no dia em que ganhou direito ao barrete cardinalício. O novo cardeal veio do povo e sabe como o povo é dado a sonhar com impossíveis. Mas porque suporta mal a mágoa de perder - bem se vê no fado! - chega a fugir até dos sonhos possíveis para depois não sofrer tanto com uma decepção eventual. A verdade é que D. José Policarpo e o outro cardeal português que já é «ministro» do Vaticano, D. José Saraiva Martins, têm voto e são elegíveis. Não seria a primeira vez que as previsões para os conclaves sairiam furadas.

Com a nomeação dos novos cardeais e o alargamento da representatividade do Consistório, João Paulo II cria condições para que a sua sucessão possa tornar-se um passo mais no reforço da universalidade da Igreja Católica. Ele, que foi o primeiro Papa não italiano em quatro séculos, sabe como esse facto, na aparência insignificante, deu mais força à sua voz fora das paredes do Vaticano e contribuiu de forma decisiva para as profundas transformações ocorridas na Europa e no mundo durante o seu pontificado. A frutuosa experiência do Papa polaco abre caminho a outros, porventura com origens ainda mais distantes da sede da Igreja Católica. Sendo os cardeais elegíveis em maior número e provenientes de tão diversos pontos do globo, maior e mais rico é o universo para a eleição do sucessor do Papa. E mais fortes as possibilidades de, com uma escolha ousada e que não se limite a reflectir o equilíbrio de forças políticas e burocráticas dentro da Santa Sé, a Igreja de Roma reforçar a sua imagem de Igreja do mundo, abrindo-se a ele para prosseguir o trabalho ecuménico das últimas duas décadas. O novo Consistório é, por isso, mais uma parcela valiosa da herança de João Paulo II.

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