Portugal perde financiamento comunitário para promoção de fruta e legumes

04-04-2003
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Portugal Perde Financiamento Comunitário para Promoção de Fruta e Legumes

Segunda-feira, 24 de Março de 2003

Associação nacional não conseguiu arranjar comparticipação nacional para campanha de incentivo ao consumo cujo orçamento era de 450 mil euros. Distribuidoras recusaram-se a comparticipar.

Rita Siza

Portugal acaba de perder cerca de 400 mil euros de ajudas comunitárias por não ter sido possível garantir a comparticipação nacional de um projecto de promoção do consumo de frutas e legumes apresentado pela Associação Nacional de Organizações Produtoras de Hortofrutícolas (ANOP) e aprovado por Bruxelas num universo de 140 outras propostas.

Depois da luz verde da Comissão Europeia, que garantia o pagamento de 70 por cento da iniciativa, a ANOP ainda negociou junto da banca uma fatia do financiamento nacional que deveria ter sido assegurado por empresas de distribuição que se associaram aos produtores na candidatura a Bruxelas. Mas face à recusa das distribuidoras em avançar com dinheiro, a ANOP viu-se confrontada com a falta de verbas para avançar com a iniciativa. A campanha já não vai para a rua.

Em 2001, a ANOP avançou com uma candidatura a uma linha de financiamento comunitária no âmbito da promoção dos hortofrutícolas no mercado europeu. O processo foi acompanhado pelo Ministério da Agricultura e a candidatura foi até encaminhada pelo Instituto Nacional de Garantia Agrícola (INGA). O investimento global situava-se nos 450 mil euros, 70 por cento dos quais financiados por Bruxelas. Sem receitas provenientes da sua actividade, a ANOP procurou parceiros que ajudassem a "repartir" a parcela do investimento nacional, da ordem dos 120 mil euros. É assim que aparecem as empresas distribuidoras como parceiras da iniciativa.

"A candidatura foi despachada, todos se mostraram interessados, mas na altura da participação financeira todos se negaram a dar um tostão", lamenta o presidente da ANOP, José Eduardo Martins.

Com uma representatividade que não ultrapassa os 50 por cento do sector hortofrutícola organizado em Portugal, a ANOP considera "injusto" que a área do retalho, que é responsável pelas importações de fruta, "não queira dividir esforços" para suportar este tipo de campanhas que "dinamiza os operadores hortofrutícolas e também o retalho".

Em declarações ao PÚBLICO, uma fonte do grupo Modelo/Continente referiu que a empresa se disponibilizou a apoiar a iniciativa "com o seu 'know-how' e capacidade de implementação de projectos de comunicação, para além de disponibilizar a sua rede de lojas". O grupo acrescenta, ainda, que "já investe significativamente na promoção dos produtos hortofrutícolas", notando que o Clube de Produtores Sonae recebe anualmente 250 mil euros.

"É lamentável que as associações em Portugal não tenham meios nem fontes de financiamento. Portugal vai perder esta promoção e vai perder quase 400 mil euros de ajudas", lamenta o dirigente da ANOP, que ainda não se conformou por ter de desistir do projecto a pouco menos de 60 mil euros da sua concretização. "Faltou-nos esse dinheiro, e não íamos andar para a frente, arriscando depois ter de pagar uma multa de cerca de 50 mil euros por incumprimento...", conclui.

De acordo com José Eduardo Martins, o projecto previa várias iniciativas de "promoção genérica" para aumentar o consumo de frutas e legumes, numa dupla perspectiva de "dinâmica do sector" e de "saúde do consumidor". "Mais do que nunca, as pessoas preocupam-se com a segurança alimentar e com a adopção de dietas equilibradas", refere, acrescentando que a campanha foi preparada para esclarecer quais os benefícios para a saúde do consumo destes alimentos. A campanha deveria arrancar no segundo semestre do ano em escolas, centros de saúde e na imprensa. Previa ainda acções em locais de compra e um site na Internet com informações gerais.

Portugal Perde Financiamento Comunitário para Promoção de Fruta e Legumes

Segunda-feira, 24 de Março de 2003

Associação nacional não conseguiu arranjar comparticipação nacional para campanha de incentivo ao consumo cujo orçamento era de 450 mil euros. Distribuidoras recusaram-se a comparticipar.

Rita Siza

Portugal acaba de perder cerca de 400 mil euros de ajudas comunitárias por não ter sido possível garantir a comparticipação nacional de um projecto de promoção do consumo de frutas e legumes apresentado pela Associação Nacional de Organizações Produtoras de Hortofrutícolas (ANOP) e aprovado por Bruxelas num universo de 140 outras propostas.

Depois da luz verde da Comissão Europeia, que garantia o pagamento de 70 por cento da iniciativa, a ANOP ainda negociou junto da banca uma fatia do financiamento nacional que deveria ter sido assegurado por empresas de distribuição que se associaram aos produtores na candidatura a Bruxelas. Mas face à recusa das distribuidoras em avançar com dinheiro, a ANOP viu-se confrontada com a falta de verbas para avançar com a iniciativa. A campanha já não vai para a rua.

Em 2001, a ANOP avançou com uma candidatura a uma linha de financiamento comunitária no âmbito da promoção dos hortofrutícolas no mercado europeu. O processo foi acompanhado pelo Ministério da Agricultura e a candidatura foi até encaminhada pelo Instituto Nacional de Garantia Agrícola (INGA). O investimento global situava-se nos 450 mil euros, 70 por cento dos quais financiados por Bruxelas. Sem receitas provenientes da sua actividade, a ANOP procurou parceiros que ajudassem a "repartir" a parcela do investimento nacional, da ordem dos 120 mil euros. É assim que aparecem as empresas distribuidoras como parceiras da iniciativa.

"A candidatura foi despachada, todos se mostraram interessados, mas na altura da participação financeira todos se negaram a dar um tostão", lamenta o presidente da ANOP, José Eduardo Martins.

Com uma representatividade que não ultrapassa os 50 por cento do sector hortofrutícola organizado em Portugal, a ANOP considera "injusto" que a área do retalho, que é responsável pelas importações de fruta, "não queira dividir esforços" para suportar este tipo de campanhas que "dinamiza os operadores hortofrutícolas e também o retalho".

Em declarações ao PÚBLICO, uma fonte do grupo Modelo/Continente referiu que a empresa se disponibilizou a apoiar a iniciativa "com o seu 'know-how' e capacidade de implementação de projectos de comunicação, para além de disponibilizar a sua rede de lojas". O grupo acrescenta, ainda, que "já investe significativamente na promoção dos produtos hortofrutícolas", notando que o Clube de Produtores Sonae recebe anualmente 250 mil euros.

"É lamentável que as associações em Portugal não tenham meios nem fontes de financiamento. Portugal vai perder esta promoção e vai perder quase 400 mil euros de ajudas", lamenta o dirigente da ANOP, que ainda não se conformou por ter de desistir do projecto a pouco menos de 60 mil euros da sua concretização. "Faltou-nos esse dinheiro, e não íamos andar para a frente, arriscando depois ter de pagar uma multa de cerca de 50 mil euros por incumprimento...", conclui.

De acordo com José Eduardo Martins, o projecto previa várias iniciativas de "promoção genérica" para aumentar o consumo de frutas e legumes, numa dupla perspectiva de "dinâmica do sector" e de "saúde do consumidor". "Mais do que nunca, as pessoas preocupam-se com a segurança alimentar e com a adopção de dietas equilibradas", refere, acrescentando que a campanha foi preparada para esclarecer quais os benefícios para a saúde do consumo destes alimentos. A campanha deveria arrancar no segundo semestre do ano em escolas, centros de saúde e na imprensa. Previa ainda acções em locais de compra e um site na Internet com informações gerais.

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