Um "flop" chamado Conselho Empresarial de Portugal

26-02-2003
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Cúpula patronal está "moribunda"

Um "Flop" Chamado Conselho Empresarial de Portugal

Segunda-feira, 24 de Fevereiro de 2003

As seis estruturas associativas que criaram o CEP são unânimes no diagnóstico, mas nem todas estão interessadas em reavivar o doente.

Joana Amorim

Chama-se Conselho Empresarial de Portugal

f+b

f-b

(CEP) e foi publicamente apresentado há, precisamente, um ano e cinco dias. O PÚBLICO foi falar com os membros fundadores para saber o que foi feito desta cúpula patronal e chegou à conclusão que, na prática, o CEP não existe.

Na entrevista ao PÚBLICO publicada neste plano, o presidente da Associação Empresarial de Portugal (AEP), Ludgero Marques, não deixa margem para dúvidas. O CEP não só não existe, como a AEP propôs já à Associação Industrial Portuguesa (AIP) e à Confederação da Indústria Portuguesa (CIP) a criação, entre as três instituições, de uma nova cúpula. Sobre a possível continuidade do CEP, o empresário nortenho acha difícil que as seis estruturas associativas cheguem a um entendimento.

O presidente da CIP - que não acompanhou o processo desde o início, pois na altura a presidência da confederação estava a cargo do falecido Nogueira Simões - não tem dúvidas ao afirmar que a cúpula está "moribunda". Então, por que é que ainda existe? "Porque nenhum dos seis tomou a iniciativa ou de sair ou de declarar a certidão de óbito do CEP". E a solução terá que ser mesmo essa no entender de Francisco van Zeller porque, explica, "não há nenhuma vantagem em que seja reactivado". O falhanço, para o presidente da CIP, está na "falta de autoridade, pois o CEP nunca se chegou a afirmar". Rematando: "Foi tudo um bocadinho anti-natura".

Também o presidente da Confederação do Comércio e Serviços de Portugal (CCP) reconhece a inactividade que tem pautado o CEP. "Toda a gente tem constatado que não tem havido actividade, que não há muitas oportunidades de funcionamento, o que não quer dizer que não tenha havido necessidade disso", afirma Vasco da Gama. Ao contrário de van Zeller, o líder da CCP continua, no entanto, a acreditar: "Acredito nas ideias até que se renuncie, definitivamente, a elas, e, até agora, não houve nenhuma renúncia à ideia do projecto [do CEP]".

O presidente da comissão executiva da AIP, António Alfaiate, avança que "ainda não se passou a certidão de óbito, mas o CEP está em coma e poderá ser ressuscitado se houver vontade nesse sentido". Quanto ao porquê do falhanço, António Alfaiate explica que se tornou "difícil conciliar interesses diferentes", concretamente o facto de alguns fundadores, como a AIP, defenderem que "o CEP deveria ser uma entidade autónoma", enquanto outros queriam precisamente o contrário.

O presidente da Confederação do Turismo Português (CTP) - também membro-fundador do CEP apesar de ter entrado na estrutura uma semana após a sua apresentação pública -, Atílio Forte, acaba por desabafar: "É uma pena, todos gostávamos que andasse". Contudo, reconhece "que não funciona como seria desejável". O PÚBLICO tentou, por diversas vezes, falar com o presidente da Confederação dos Agricultores de Portugal, João Machado, mas sem sucesso.

Volvido um ano, o balanço feito pelas seis estruturas associativas que criaram o CEP tem pouco de animador para um associativismo que se pretendia único e concertado. Certo é que, também, ao longo da sua efémera existência, a vida do CEP não foi nem fácil nem pacífica. Primeiro, porque a sua criação foi vista, por fontes ligadas ao associativismo ouvidas pelo PÚBLICO, como uma resposta precipitada àquele que ficou conhecido como "grupo dos 22". Um movimento liderado pelo empresário José Manuel de Mello que, em entrevista ao "O Independente" no início de 2002, revelava que o "grupo dos 22" ia criar um Conselho Empresarial Português.

Dois CEP, portanto. Um suportado em conceituados empresários, outro apoiado nas mais importantes estruturas patronais. E, consequentemente, uma nova polémica instalada e uma intensa troca de acusações. Certo é que bastou um mês para que fosse publicamente apresentado o Conselho Empresarial de Portugal. Quanto ao outro, o dos empresários, nunca mais se ouviu falar dele.

Passado uma semana da criação da cúpula patronal, nova polémica: Ludgero Marques entrava no "grupo dos 22", dizendo ao PÚBLICO que só ia lá para reflectir. O que não impediu que os ânimos se exaltassem. Depois, seguiu-se a "dança" de nomes para a presidência do CEP - Santos Silva recusou o convite da AEP e, quando já todos davam como certo José Roquette na liderança da cúpula, o antigo presidente do Sporting recusa presidir à estrutura. Refira-se que na "corrida" pela presidência estavam António Amorim, pela AEP; José Roquette, pela AIP; João Salgueiro, pela CIP; Fernando Carpinteiro Albino, pela CAP; Mário Assis Ferreira, pela CTP; e José António Silva, pela CCP.

O CEP continua, hoje, a não ter presidente até porque, conforme explicaram os próprios fundadores, não existe.

Cúpula patronal está "moribunda"

Um "Flop" Chamado Conselho Empresarial de Portugal

Segunda-feira, 24 de Fevereiro de 2003

As seis estruturas associativas que criaram o CEP são unânimes no diagnóstico, mas nem todas estão interessadas em reavivar o doente.

Joana Amorim

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(CEP) e foi publicamente apresentado há, precisamente, um ano e cinco dias. O PÚBLICO foi falar com os membros fundadores para saber o que foi feito desta cúpula patronal e chegou à conclusão que, na prática, o CEP não existe.

Na entrevista ao PÚBLICO publicada neste plano, o presidente da Associação Empresarial de Portugal (AEP), Ludgero Marques, não deixa margem para dúvidas. O CEP não só não existe, como a AEP propôs já à Associação Industrial Portuguesa (AIP) e à Confederação da Indústria Portuguesa (CIP) a criação, entre as três instituições, de uma nova cúpula. Sobre a possível continuidade do CEP, o empresário nortenho acha difícil que as seis estruturas associativas cheguem a um entendimento.

O presidente da CIP - que não acompanhou o processo desde o início, pois na altura a presidência da confederação estava a cargo do falecido Nogueira Simões - não tem dúvidas ao afirmar que a cúpula está "moribunda". Então, por que é que ainda existe? "Porque nenhum dos seis tomou a iniciativa ou de sair ou de declarar a certidão de óbito do CEP". E a solução terá que ser mesmo essa no entender de Francisco van Zeller porque, explica, "não há nenhuma vantagem em que seja reactivado". O falhanço, para o presidente da CIP, está na "falta de autoridade, pois o CEP nunca se chegou a afirmar". Rematando: "Foi tudo um bocadinho anti-natura".

Também o presidente da Confederação do Comércio e Serviços de Portugal (CCP) reconhece a inactividade que tem pautado o CEP. "Toda a gente tem constatado que não tem havido actividade, que não há muitas oportunidades de funcionamento, o que não quer dizer que não tenha havido necessidade disso", afirma Vasco da Gama. Ao contrário de van Zeller, o líder da CCP continua, no entanto, a acreditar: "Acredito nas ideias até que se renuncie, definitivamente, a elas, e, até agora, não houve nenhuma renúncia à ideia do projecto [do CEP]".

O presidente da comissão executiva da AIP, António Alfaiate, avança que "ainda não se passou a certidão de óbito, mas o CEP está em coma e poderá ser ressuscitado se houver vontade nesse sentido". Quanto ao porquê do falhanço, António Alfaiate explica que se tornou "difícil conciliar interesses diferentes", concretamente o facto de alguns fundadores, como a AIP, defenderem que "o CEP deveria ser uma entidade autónoma", enquanto outros queriam precisamente o contrário.

O presidente da Confederação do Turismo Português (CTP) - também membro-fundador do CEP apesar de ter entrado na estrutura uma semana após a sua apresentação pública -, Atílio Forte, acaba por desabafar: "É uma pena, todos gostávamos que andasse". Contudo, reconhece "que não funciona como seria desejável". O PÚBLICO tentou, por diversas vezes, falar com o presidente da Confederação dos Agricultores de Portugal, João Machado, mas sem sucesso.

Volvido um ano, o balanço feito pelas seis estruturas associativas que criaram o CEP tem pouco de animador para um associativismo que se pretendia único e concertado. Certo é que, também, ao longo da sua efémera existência, a vida do CEP não foi nem fácil nem pacífica. Primeiro, porque a sua criação foi vista, por fontes ligadas ao associativismo ouvidas pelo PÚBLICO, como uma resposta precipitada àquele que ficou conhecido como "grupo dos 22". Um movimento liderado pelo empresário José Manuel de Mello que, em entrevista ao "O Independente" no início de 2002, revelava que o "grupo dos 22" ia criar um Conselho Empresarial Português.

Dois CEP, portanto. Um suportado em conceituados empresários, outro apoiado nas mais importantes estruturas patronais. E, consequentemente, uma nova polémica instalada e uma intensa troca de acusações. Certo é que bastou um mês para que fosse publicamente apresentado o Conselho Empresarial de Portugal. Quanto ao outro, o dos empresários, nunca mais se ouviu falar dele.

Passado uma semana da criação da cúpula patronal, nova polémica: Ludgero Marques entrava no "grupo dos 22", dizendo ao PÚBLICO que só ia lá para reflectir. O que não impediu que os ânimos se exaltassem. Depois, seguiu-se a "dança" de nomes para a presidência do CEP - Santos Silva recusou o convite da AEP e, quando já todos davam como certo José Roquette na liderança da cúpula, o antigo presidente do Sporting recusa presidir à estrutura. Refira-se que na "corrida" pela presidência estavam António Amorim, pela AEP; José Roquette, pela AIP; João Salgueiro, pela CIP; Fernando Carpinteiro Albino, pela CAP; Mário Assis Ferreira, pela CTP; e José António Silva, pela CCP.

O CEP continua, hoje, a não ter presidente até porque, conforme explicaram os próprios fundadores, não existe.

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