television no "zapping" de serralves

25-06-2004
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Television no "Zapping" de Serralves

Sexta-feira, 04 de Junho de 2004

%Inês Nadais

São 40 horas de festa para consumir em modo "zapping": exposições, filmes e vídeos, performances, teatro, "workshops", debates, culinária e concertos, vale tudo este fim-de-semana para comemorar os quinze anos da Fundação de Serralves e os cinco do respectivo Museu de Arte Contemporânea. Os nova-iorquinos Television são cabeças de cartaz e a única excepção à regra da entrada gratuita: a banda de Tom Verlaine, Richard Lloyd, Billy Ficca e Fred Smith toca amanhã no parque de Serralves (há mais: Trevor Jackson, Trash Converters na secção DJ, Plaza, Scanner e Mouse on Mars na secção concertos).

Vinte e sete anos depois de "Marquee Moon", o disco com que mudaram muitas vidas, e oito anos depois de se terem reconciliado após prolongada separação, os Television da fase "reloaded" apresentam-se pela primeira vez em Portugal. O Y falou com Richard Lloyd.

Pela nonagésima vez: porque decidiram juntar-se, depois de uma separação de 14 anos?

Não é o que estão a pensar, não houve propriamente uma decisão. Não tocamos assim tão frequentemente: fazemos 10 a 15 concertos por ano, há cinco ou seis anos. Este ano temos muitos na Europa, não faço ideia porquê. Voltámos aos Television porque é uma boa banda e as pessoas gostam de nos ver. Os músicos são como os médicos: não se reformam. Se gostamos de música, porque haveríamos de parar? Acho que é mais essa a pergunta.

Que público encontram nestes concertos da vossa fase "reloaded": pessoas com idade para saber quem vocês são ou pessoas que não eram nascidas quando os Television apareceram?

Uma mistura, mas mais pessoas novas: acho que se notou essa transição há dez anos. Começaram a ser miúdos das universidades que talvez tenham ouvido falar de nós por outras bandas.

Serem citados por todas as novas bandas de rock nova-iorquinas fez alguma diferença?

Certamente, não vou negá-lo. Não tenho razões de queixa, acho normal que alguém venha ver os Television por gostar de uma banda que foi influenciada por nós. Não me interessa saber como é que as pessoas chegam aos nossos concertos: fui ver os Nirvana a Los Angeles porque alguém me disse que eu devia ir, nunca tinha ouvido o disco.

Ouvem as bandas que vos citam?

Não.

Porquê?

É uma pergunta engraçada, mas a explicação é simples: o meu gira-discos avariou-se, e tenho demasiado que fazer para me dar ao trabalho de comprar um novo.

E CD, não?

Não compro CD. Ouço música na rádio e na televisão, ou quando me oferecem CD e me dizem que tenho mesmo de os ouvir. Fora isso, não ouço muita música. Tenho outras coisas para fazer. Os músicos profissionais deixam de ouvir música porque não conseguem fazê-lo da mesma forma descomprometida que os não-músicos ouvem. Os não-músicos não têm esse poder computacional no ouvido que, uma vez desenvolvido, não se pode desligar.

Qual o alinhamento dos concertos: só material dos anos 70 ou também material do disco de 92?

Ambos: usamos coisas de cada um dos três discos e também canções novas. Temos de tocar as coisas novas para nosso próprio prazer, mas o público costuma gostar.

Tocam as músicas novas na versão ortodoxa ou com tratamento novo?

Há muita margem não direi propriamente para improvisar, porque não é bem "jamming", mas para esticar as canções, especialmente os solos de guitarra. Mas sim, são tocadas da mesma maneira, o que não significa que sejam tocadas de forma entediante. Tocamo-las da mesma maneira porque passámos anos a trabalhar nos arranjos - e os arranjos que temos são os que funcionam.

Têm planos para novo disco?

É algo de que falamos mas depois o tempo passa, por isso não posso responder sim ou não. Se eu responder "sim" vêm aí mais perguntas incomodativas, se eu responder "não" a mesma coisa, por isso não há resposta.

Tom Verlaine disse recentemente que os Television não mudaram porque o tempo entre as canções continua a ser mais longo do que as próprias canções. Passam assim tanto tempo a afinar as guitarras?

Eu não, mas as guitarras do Tom parecem querer desintegrar-se e por isso ele perde algum tempo com isso, é verdade.

Essa é a melhor maneira de descrever um concerto dos Television?

Os Television não fazem rock pornográfico, com coreografias. É música a sério, feita por quatro pessoas que gostam de tocar juntas. Por isso acontece sempre algo de interessante.

Television no "Zapping" de Serralves

Sexta-feira, 04 de Junho de 2004

%Inês Nadais

São 40 horas de festa para consumir em modo "zapping": exposições, filmes e vídeos, performances, teatro, "workshops", debates, culinária e concertos, vale tudo este fim-de-semana para comemorar os quinze anos da Fundação de Serralves e os cinco do respectivo Museu de Arte Contemporânea. Os nova-iorquinos Television são cabeças de cartaz e a única excepção à regra da entrada gratuita: a banda de Tom Verlaine, Richard Lloyd, Billy Ficca e Fred Smith toca amanhã no parque de Serralves (há mais: Trevor Jackson, Trash Converters na secção DJ, Plaza, Scanner e Mouse on Mars na secção concertos).

Vinte e sete anos depois de "Marquee Moon", o disco com que mudaram muitas vidas, e oito anos depois de se terem reconciliado após prolongada separação, os Television da fase "reloaded" apresentam-se pela primeira vez em Portugal. O Y falou com Richard Lloyd.

Pela nonagésima vez: porque decidiram juntar-se, depois de uma separação de 14 anos?

Não é o que estão a pensar, não houve propriamente uma decisão. Não tocamos assim tão frequentemente: fazemos 10 a 15 concertos por ano, há cinco ou seis anos. Este ano temos muitos na Europa, não faço ideia porquê. Voltámos aos Television porque é uma boa banda e as pessoas gostam de nos ver. Os músicos são como os médicos: não se reformam. Se gostamos de música, porque haveríamos de parar? Acho que é mais essa a pergunta.

Que público encontram nestes concertos da vossa fase "reloaded": pessoas com idade para saber quem vocês são ou pessoas que não eram nascidas quando os Television apareceram?

Uma mistura, mas mais pessoas novas: acho que se notou essa transição há dez anos. Começaram a ser miúdos das universidades que talvez tenham ouvido falar de nós por outras bandas.

Serem citados por todas as novas bandas de rock nova-iorquinas fez alguma diferença?

Certamente, não vou negá-lo. Não tenho razões de queixa, acho normal que alguém venha ver os Television por gostar de uma banda que foi influenciada por nós. Não me interessa saber como é que as pessoas chegam aos nossos concertos: fui ver os Nirvana a Los Angeles porque alguém me disse que eu devia ir, nunca tinha ouvido o disco.

Ouvem as bandas que vos citam?

Não.

Porquê?

É uma pergunta engraçada, mas a explicação é simples: o meu gira-discos avariou-se, e tenho demasiado que fazer para me dar ao trabalho de comprar um novo.

E CD, não?

Não compro CD. Ouço música na rádio e na televisão, ou quando me oferecem CD e me dizem que tenho mesmo de os ouvir. Fora isso, não ouço muita música. Tenho outras coisas para fazer. Os músicos profissionais deixam de ouvir música porque não conseguem fazê-lo da mesma forma descomprometida que os não-músicos ouvem. Os não-músicos não têm esse poder computacional no ouvido que, uma vez desenvolvido, não se pode desligar.

Qual o alinhamento dos concertos: só material dos anos 70 ou também material do disco de 92?

Ambos: usamos coisas de cada um dos três discos e também canções novas. Temos de tocar as coisas novas para nosso próprio prazer, mas o público costuma gostar.

Tocam as músicas novas na versão ortodoxa ou com tratamento novo?

Há muita margem não direi propriamente para improvisar, porque não é bem "jamming", mas para esticar as canções, especialmente os solos de guitarra. Mas sim, são tocadas da mesma maneira, o que não significa que sejam tocadas de forma entediante. Tocamo-las da mesma maneira porque passámos anos a trabalhar nos arranjos - e os arranjos que temos são os que funcionam.

Têm planos para novo disco?

É algo de que falamos mas depois o tempo passa, por isso não posso responder sim ou não. Se eu responder "sim" vêm aí mais perguntas incomodativas, se eu responder "não" a mesma coisa, por isso não há resposta.

Tom Verlaine disse recentemente que os Television não mudaram porque o tempo entre as canções continua a ser mais longo do que as próprias canções. Passam assim tanto tempo a afinar as guitarras?

Eu não, mas as guitarras do Tom parecem querer desintegrar-se e por isso ele perde algum tempo com isso, é verdade.

Essa é a melhor maneira de descrever um concerto dos Television?

Os Television não fazem rock pornográfico, com coreografias. É música a sério, feita por quatro pessoas que gostam de tocar juntas. Por isso acontece sempre algo de interessante.

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