Suplemento Pública

02-06-2004
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Água Amarga?

Domingo, 11 de Abril de 2004

%Dulce Neto

Não adianta fugir. Não é preciso nenhuma data, nem nenhum motivo para comer chocolate. Mas na Páscoa a tentação é muito, muito mais pesada: ovos de todos os tamanhos e cores, bombons, amêndoas cobertas, coelhinhos grandes e pequenos de ar inocente, cestinhas e afins...

Dizem que o ovo é um símbolo pascal porque representa fertilidade e nova vida. Ao oferecê-lo nesta época está a desejar uma vida nova a quem o recebe. E isso significa mais gordo, mais doente, com o rosto cheio de borbulhas? Não necessariamente.

Quando nasceu o chocolate não era doce. Foram os seus pais os Aztecas, sobretudo os sacerdotes, que usavam as sementes do cacaueiro para fazer uma bebida amarga e escura que se tomava em taças de ouro. Chamava-se "cacahuatl", água amarga. Era tido como o "alimento dos deuses". Foram outros homens ligados à religião que tornaram o chocolate desejado na Europa. Os monges espanhóis ofereceram chocolates de presente de casamento a Luís XIII de França com Ana da Áustria. Bom, não era bem o chocolate que nós hoje usamos, nessa altura era consumido como os aztecas: as favas eram secas, trituradas e amassadas. Mais tarde juntaram a essa massa especiarias e mel, mas foi só em 1895 que o leite e o açúcar se lhe associaram.

Afinal, o chocolate faz bem ou mal? Tem um problema: é quase nada nutritivo e altamente calórico, 100 gramas (do chocolate de leite e do meio amargo) significam quase 500 calorias, 25 por cento do que em média um adulto necessita por dia. Não é por acaso que é uma "fonte de energia": metade das calorias vem dos hidratos de carbono (açucares) e o resto de gorduras. Aliás, esse é o seu grande inconveniente do ponto de vista nutricional. De resto, garantem os especialistas, tem várias virtudes (para além do sabor, não é por acaso que já o classificaram de afrodisíaco...). Consolemo-nos com algumas: tem poderosos antioxidantes e protectores do sistema cardiovascular; para além de ser uma excelente fonte de magnésio (importante para os músculos e fixação de cálcio nos ossos) tem ainda outros minerais como ferro, potássio, cobre; tem efeitos estimulantes (por causa de substâncias como a metilxantinas, teobromina e cafeína), melhora o humor e o apetite sexual, ajuda no sistema digestivo e no funcionamento intestinal, provoca alguma tranquilidade (estimula a produção de serotonina, neurotransmissor responsável pela sensação de prazer)...

Mas nada disto justifica tornar-se um "chocolátra". Estes efeitos podem ser obtidos com quantidades pequenas de chocolate, o contrário pode ser terrível para a obesidade, para os níveis de colesterol e para a diabetes (nem vale a pena referir os danos nos dentes das crianças...). E pode ficar irritado e com insónia. Assim:

. Prefira o chocolate amargo, com menos gordura.

.Não coma mais do que 20 a 50 gramas por dia, no máximo.

. Mastigue-o bem devagar, para que o seu desejo seja satisfeito mais lentamente...

Dulce Neto

Água Amarga?

Domingo, 11 de Abril de 2004

%Dulce Neto

Não adianta fugir. Não é preciso nenhuma data, nem nenhum motivo para comer chocolate. Mas na Páscoa a tentação é muito, muito mais pesada: ovos de todos os tamanhos e cores, bombons, amêndoas cobertas, coelhinhos grandes e pequenos de ar inocente, cestinhas e afins...

Dizem que o ovo é um símbolo pascal porque representa fertilidade e nova vida. Ao oferecê-lo nesta época está a desejar uma vida nova a quem o recebe. E isso significa mais gordo, mais doente, com o rosto cheio de borbulhas? Não necessariamente.

Quando nasceu o chocolate não era doce. Foram os seus pais os Aztecas, sobretudo os sacerdotes, que usavam as sementes do cacaueiro para fazer uma bebida amarga e escura que se tomava em taças de ouro. Chamava-se "cacahuatl", água amarga. Era tido como o "alimento dos deuses". Foram outros homens ligados à religião que tornaram o chocolate desejado na Europa. Os monges espanhóis ofereceram chocolates de presente de casamento a Luís XIII de França com Ana da Áustria. Bom, não era bem o chocolate que nós hoje usamos, nessa altura era consumido como os aztecas: as favas eram secas, trituradas e amassadas. Mais tarde juntaram a essa massa especiarias e mel, mas foi só em 1895 que o leite e o açúcar se lhe associaram.

Afinal, o chocolate faz bem ou mal? Tem um problema: é quase nada nutritivo e altamente calórico, 100 gramas (do chocolate de leite e do meio amargo) significam quase 500 calorias, 25 por cento do que em média um adulto necessita por dia. Não é por acaso que é uma "fonte de energia": metade das calorias vem dos hidratos de carbono (açucares) e o resto de gorduras. Aliás, esse é o seu grande inconveniente do ponto de vista nutricional. De resto, garantem os especialistas, tem várias virtudes (para além do sabor, não é por acaso que já o classificaram de afrodisíaco...). Consolemo-nos com algumas: tem poderosos antioxidantes e protectores do sistema cardiovascular; para além de ser uma excelente fonte de magnésio (importante para os músculos e fixação de cálcio nos ossos) tem ainda outros minerais como ferro, potássio, cobre; tem efeitos estimulantes (por causa de substâncias como a metilxantinas, teobromina e cafeína), melhora o humor e o apetite sexual, ajuda no sistema digestivo e no funcionamento intestinal, provoca alguma tranquilidade (estimula a produção de serotonina, neurotransmissor responsável pela sensação de prazer)...

Mas nada disto justifica tornar-se um "chocolátra". Estes efeitos podem ser obtidos com quantidades pequenas de chocolate, o contrário pode ser terrível para a obesidade, para os níveis de colesterol e para a diabetes (nem vale a pena referir os danos nos dentes das crianças...). E pode ficar irritado e com insónia. Assim:

. Prefira o chocolate amargo, com menos gordura.

.Não coma mais do que 20 a 50 gramas por dia, no máximo.

. Mastigue-o bem devagar, para que o seu desejo seja satisfeito mais lentamente...

Dulce Neto

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