Galerias desactivadas das Minas da Panasqueira vão ser transformadas em museu

05-06-2004
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Galerias Desactivadas das Minas da Panasqueira Vão Ser Transformadas em Museu

Por SANDRA INVÊNCIO

Segunda-feira, 26 de Abril de 2004

Um conjunto de cinco quilómetros de galerias abandonadas há cerca de 40 anos nas Minas da Panasqueira, na Barroca Grande, freguesia de Aldeia de S. Francisco de Assis, concelho da Covilhã, vai ser recuperado para dar lugar ao já denominado Museu do Mineiro, um empreendimento que surge englobado num projecto turístico que pretende revitalizar uma zona que há já um século se dedica exclusivamente à extracção de volfrâmio. A ideia de transformar a Barroca Grande num importante destino turístico do concelho foi ontem anunciada pela câmara municipal e pela junta de freguesia durante as comemorações do 25 de Abril, que tiveram lugar no couto mineiro.

A tarefa de revitalizar esta freguesia através do turismo, requalificação ambiental e criação de novas iniciativas para criação de postos de emprego que surjam como alternativas à actividade mineira - actualmente ameçada perante a crise com que se depara a concessionária das minas, a Beiralt-In & Volfram -, foi ontem entregue pela autarquia covilhanense a um grupo de trabalho constituído pelo presidente da Junta de Freguesia de São Francisco de Assis, José Luís Campos, e dois antigos funcionários da empresa, conhecedores da realidade e potencialidades da região. A reconversão das antigas galerias para a instalação do museu aparece, segundo o grupo de trabalho, como a possível âncora turística para a região e o início de um trabalho de reabilitação de todo o património mineiro abandonado e espalhado pela freguesia. O museu deverá justificar posteriormente a criação de uma unidade hoteleira, a construir no edifício dos antigos escritórios da Beiralt-In.

A ideia para o núcleo museológico é a de aproveitar um conjunto de cerca de duas dezenas de máquinas e recuperar todo um espólio que já se encontra no interior das galerias, desde instrumentos, vagões, uma linha férrea que servia para o transporte e até um comboio que ainda ali existe. José Luís Campos, presidente do grupo de trabalho, antevê que o percurso do visitante se faça em duas partes, uma a pé e uma segunda nesse comboio, e em dois pisos distintos. A visita deverá começar num piso com uma extensão de dois quilómetros e meio, seguindo-se a descida de um poço vertical de 90 metros de profundidade que faz a ligação ao piso inferior, com quatro quilómetros.

Melhorias nas acessibilidades à vista

"Estou esperançoso que dentro de dois ou três anos teremos aqui na Barroca um grande centro turístico", afirmou aos jornalistas José Luís Campos. A primeira etapa do grupo de trabalho vai começar "em breve", garantiu este responsável, com a limpeza do interior do futuro museu para que se proceda a um inventário do espólio, se verifiquem as actuais condições de segurança e para que se avaliem custos que, segundo as primeiras estimativas que faz, devem ser superiores a um milhão de contos. "Depois apresentaremos o projecto à administração central e a Bruxelas porque este será um investimento enormíssimo", disse, ao acrescentar que está convencido de que "o futuro das Minas da Panasqueira vai ser o turismo".

Um dos grandes obstáculos ao desenvolvimento da freguesia de Aldeia de São Francisco de Assis, habitada na sua grande maioria por mineiros, no limite sul do concelho, está nas fracas acessibilidades, que têm provocado o isolamento das populações. As vias de ligação a outras freguesias são sinuosas, sendo a que liga a região à cidade da Covilhã uma das mais problemáticas, numa distância de pouco mais de 40 quilómetros, com uma estrada estreita, de curvas apertadas, com piso degradado, sem sinalização, principalmente a partir da aldeia de Ourondo. Mais de uma hora de viagem.

Para José Luís Campos, o futuro do turismo na sua freguesia está naturalmente dependente das melhorias nas acessibilidades, há muito esperadas. O presidente da câmara da Covilhã, Carlos Pinto, anunciou ontem durante a sua intervenção na sessão solene da Assembleia Municipal, inserida nas comemorações da data que se assinalou, que pretende fazer uma intervenção na rede viária daquela zona. "Está preparada para adjudicação a estrada do Pereiro para São Jorge da Beira e aguardamos apenas que se definam as condições da reserva de eficiência nos fundos comunitários para esse efeito", frisou o autarca. "E está ainda para concurso a estrada que vai da Barroca até ao rio (Zêzere), que vai transformar-se numa estrada praticamente nova", esclareceu, esperando proceder à reabilitação da estrada entre a freguesia e Ourondo depois destas duas intervenções, que representam um investimento na ordem dos 3 milhões e 750 mil euros.

O líder do município da Covilhã salientou que "estas obras não podem ser feitas apenas com a tesouraria da câmara" e defendeu que o desenvolvimento das Minas da Panasqueira está dependente de uma aposta por parte da administração central. "Espero que o Governo possa ter a noção exacta que só há um caminho para podermos retirar estas zonas das dificuldades económicas e sociais, que é o do investimento", frisou.

Galerias Desactivadas das Minas da Panasqueira Vão Ser Transformadas em Museu

Por SANDRA INVÊNCIO

Segunda-feira, 26 de Abril de 2004

Um conjunto de cinco quilómetros de galerias abandonadas há cerca de 40 anos nas Minas da Panasqueira, na Barroca Grande, freguesia de Aldeia de S. Francisco de Assis, concelho da Covilhã, vai ser recuperado para dar lugar ao já denominado Museu do Mineiro, um empreendimento que surge englobado num projecto turístico que pretende revitalizar uma zona que há já um século se dedica exclusivamente à extracção de volfrâmio. A ideia de transformar a Barroca Grande num importante destino turístico do concelho foi ontem anunciada pela câmara municipal e pela junta de freguesia durante as comemorações do 25 de Abril, que tiveram lugar no couto mineiro.

A tarefa de revitalizar esta freguesia através do turismo, requalificação ambiental e criação de novas iniciativas para criação de postos de emprego que surjam como alternativas à actividade mineira - actualmente ameçada perante a crise com que se depara a concessionária das minas, a Beiralt-In & Volfram -, foi ontem entregue pela autarquia covilhanense a um grupo de trabalho constituído pelo presidente da Junta de Freguesia de São Francisco de Assis, José Luís Campos, e dois antigos funcionários da empresa, conhecedores da realidade e potencialidades da região. A reconversão das antigas galerias para a instalação do museu aparece, segundo o grupo de trabalho, como a possível âncora turística para a região e o início de um trabalho de reabilitação de todo o património mineiro abandonado e espalhado pela freguesia. O museu deverá justificar posteriormente a criação de uma unidade hoteleira, a construir no edifício dos antigos escritórios da Beiralt-In.

A ideia para o núcleo museológico é a de aproveitar um conjunto de cerca de duas dezenas de máquinas e recuperar todo um espólio que já se encontra no interior das galerias, desde instrumentos, vagões, uma linha férrea que servia para o transporte e até um comboio que ainda ali existe. José Luís Campos, presidente do grupo de trabalho, antevê que o percurso do visitante se faça em duas partes, uma a pé e uma segunda nesse comboio, e em dois pisos distintos. A visita deverá começar num piso com uma extensão de dois quilómetros e meio, seguindo-se a descida de um poço vertical de 90 metros de profundidade que faz a ligação ao piso inferior, com quatro quilómetros.

Melhorias nas acessibilidades à vista

"Estou esperançoso que dentro de dois ou três anos teremos aqui na Barroca um grande centro turístico", afirmou aos jornalistas José Luís Campos. A primeira etapa do grupo de trabalho vai começar "em breve", garantiu este responsável, com a limpeza do interior do futuro museu para que se proceda a um inventário do espólio, se verifiquem as actuais condições de segurança e para que se avaliem custos que, segundo as primeiras estimativas que faz, devem ser superiores a um milhão de contos. "Depois apresentaremos o projecto à administração central e a Bruxelas porque este será um investimento enormíssimo", disse, ao acrescentar que está convencido de que "o futuro das Minas da Panasqueira vai ser o turismo".

Um dos grandes obstáculos ao desenvolvimento da freguesia de Aldeia de São Francisco de Assis, habitada na sua grande maioria por mineiros, no limite sul do concelho, está nas fracas acessibilidades, que têm provocado o isolamento das populações. As vias de ligação a outras freguesias são sinuosas, sendo a que liga a região à cidade da Covilhã uma das mais problemáticas, numa distância de pouco mais de 40 quilómetros, com uma estrada estreita, de curvas apertadas, com piso degradado, sem sinalização, principalmente a partir da aldeia de Ourondo. Mais de uma hora de viagem.

Para José Luís Campos, o futuro do turismo na sua freguesia está naturalmente dependente das melhorias nas acessibilidades, há muito esperadas. O presidente da câmara da Covilhã, Carlos Pinto, anunciou ontem durante a sua intervenção na sessão solene da Assembleia Municipal, inserida nas comemorações da data que se assinalou, que pretende fazer uma intervenção na rede viária daquela zona. "Está preparada para adjudicação a estrada do Pereiro para São Jorge da Beira e aguardamos apenas que se definam as condições da reserva de eficiência nos fundos comunitários para esse efeito", frisou o autarca. "E está ainda para concurso a estrada que vai da Barroca até ao rio (Zêzere), que vai transformar-se numa estrada praticamente nova", esclareceu, esperando proceder à reabilitação da estrada entre a freguesia e Ourondo depois destas duas intervenções, que representam um investimento na ordem dos 3 milhões e 750 mil euros.

O líder do município da Covilhã salientou que "estas obras não podem ser feitas apenas com a tesouraria da câmara" e defendeu que o desenvolvimento das Minas da Panasqueira está dependente de uma aposta por parte da administração central. "Espero que o Governo possa ter a noção exacta que só há um caminho para podermos retirar estas zonas das dificuldades económicas e sociais, que é o do investimento", frisou.

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