Expansão
Planos para 13 Novas Unidades
Segunda-feira, 28 de Julho de 2003
A anterior administração da Enatur queria investir 62 milhões de euros em oito novas pousadas históricas. O consórcio liderado pelo grupo Pestana, que ganhou a privatização, quer abrir mais cinco nos próximos cinco anos.
Joana Amorim
O consórcio que venceu o concurso para a privatização da Enatur, liderado pelo grupo Pestana, pretende acrescentar cinco novas pousadas à lista de oito novos estabelecimentos hoteleiros que a anterior administração já tinha decidido instalar, todos em edifícios históricos. O mapa das Pousadas de Portugal contará, dentro de cinco anos, com 13 novas localizações. Dessas, apenas as oito que constam do plano da anterior administração da Enatur, recentemente demitida pelo Governo, são já conhecidas: três nos Açores - Forte de Santa Cruz, na Horta, Convento dos Frades, na Lagoa e Forte de S. Sebastião, em Angra do Heroísmo, outras duas ficam no Algarve (Convento da Graça, em Tavira e Palácio de Estói, em Faro), e as restantes ficam no Forte de Peniche, Serra da Estrela e no Convento de Santa Clara de Vila do Conde. O grupo Pestana já fez saber que entre as cinco novas unidades que pretende construir, uma será na Madeira.
O plano dos privados para a Enatur contempla ainda investimentos na remodelação das pousadas históricas de Castelo de Palmela e Santa Marinha (Guimarães) e das regionais Quinta da Ortiga, Infante e Santa Maria (ver quadro). Plano este que depende ainda da alocação de verbas comunitárias.
No total, e para o período de 2003 a 2005, a Enatur prevê investir 74,005 milhões de euros, dos quais 62,009 milhões na construção das oito novas pousadas, sendo o restante canalizado para as obras de remodelação. Alguns trabalhos já arrancaram, tendo sido até agora investidos 1,583 milhões de euros.
As novas estruturas a construir terão uma capacidade total de 280 quartos, sendo a taxa de ocupação média, no primeiro ano, de 43,9 por cento, e no ano cruzeiro de 60,1 por cento. Na última década, a Enatur realizou investimentos no valor de 123,4 milhões de euros, 90 milhões dos quais foram financiados por subsídios provenientes de planos de desenvolvimento regionais, culturais e turísticos, além de verbas de jogo. O remanescente foi realizado com recurso ao "cash-flow" da empresa e a financiamentos junto de instituições de crédito e do Fundo de Turismo.
Com a vitória no concurso de privatização de 36,7 por cento do capital da Enatur, o consórcio liderado pelo grupo Pestana - e que integra ainda a Caixa Geral de Depósitos, a Fundação Oriente, as Viagens Abreu e a Portimar - "ganhou" também a responsabilidade de investir, anualmente, 3,5 milhões de euros na conservação e manutenção das estruturas hoteleiras ao longo dos 15 anos de concessão. Nas obrigações de vencedor constava ainda a subscrição de um aumento de capital até 49 por cento, operação essa que já foi realizada e que levou o consórcio a desembolsar 30 milhões de euros. Para o agrupamento, esses investimentos permitirão concretizar o seu plano de aumentar, em cinco anos, a taxa de ocupação da rede nacional de pousadas dos actuais 50 por cento para os 65 por cento.
Processo atribulado
Ao vencer o concurso de privatização da Enatur, o consórcio liderado pelo grupo Pestana pode ter comprado uma "guerra". Os trabalhadores da empresa paralisaram no passado sábado em protesto contra a privatização das pousadas e em defesa dos seus postos de trabalho. A greve foi convocada pela Federação dos Sindicatos de Alimentação (Fesaht), Bebidas e Turismo de Portugal, por considerar que a adjudicação da gestão da Enatur "não interessa aos trabalhadores e ao sector e poderá beliscar o turismo de qualidade" das pousadas.
O sindicalista Francisco Figueiredo denunciou um "clima de grande pressão a ser exercido sobre os trabalhadores pela direcção das pousadas". Em resposta a Comissão de Trabalhadores interpôs uma providência cautelar junto do Tribunal do Trabalho de Lisboa, estando marcada para o dia 4 de Agosto uma reunião.
Alguns partidos da oposição criticaram também o processo, tendo o deputado socialista Fernando Serrasqueiro alertado, em declarações ao PÚBLICO, para o facto de ainda não estar completamente esclarecida a questão do acesso a fundos comunitários, agora que entrou um privado na empresa que ainda é detida em 51 por cento pelo Estado.
Entretanto, aquando da assembleia geral (AG) de accionistas, o secretário de Estado do Turismo comunicou ao presidente cessante, Eduardo Âmbar, e ao membro do conselho de administração (CA) Nuno Jardim que iam ser substituídos na AG da empresa. A decisão foi justificada com os maus resultados de exploração registados no primeiro semestre do corrente ano e atrasos na execução dos planos de redução, por um lado, e expansão, por outro. O novo presidente é Rui Mota, que transita da IPE, sendo acompanhado na administração por Maria Amélia Jorge, que se mantém do anterior CA, e por Ferreira da Silva, em representação do grupo Pestana. Fonte ligada ao processo explicou que Ferreira da Silva ainda não está em funções, uma vez que "o contrato de concessão e exploração não foi assinado", até porque a Autoridade da Concorrência ainda não se pronunciou sobre a matéria.
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Segunda-feira, 28 de Julho de 2003
A anterior administração da Enatur queria investir 62 milhões de euros em oito novas pousadas históricas. O consórcio liderado pelo grupo Pestana, que ganhou a privatização, quer abrir mais cinco nos próximos cinco anos.
Joana Amorim
O consórcio que venceu o concurso para a privatização da Enatur, liderado pelo grupo Pestana, pretende acrescentar cinco novas pousadas à lista de oito novos estabelecimentos hoteleiros que a anterior administração já tinha decidido instalar, todos em edifícios históricos. O mapa das Pousadas de Portugal contará, dentro de cinco anos, com 13 novas localizações. Dessas, apenas as oito que constam do plano da anterior administração da Enatur, recentemente demitida pelo Governo, são já conhecidas: três nos Açores - Forte de Santa Cruz, na Horta, Convento dos Frades, na Lagoa e Forte de S. Sebastião, em Angra do Heroísmo, outras duas ficam no Algarve (Convento da Graça, em Tavira e Palácio de Estói, em Faro), e as restantes ficam no Forte de Peniche, Serra da Estrela e no Convento de Santa Clara de Vila do Conde. O grupo Pestana já fez saber que entre as cinco novas unidades que pretende construir, uma será na Madeira.
O plano dos privados para a Enatur contempla ainda investimentos na remodelação das pousadas históricas de Castelo de Palmela e Santa Marinha (Guimarães) e das regionais Quinta da Ortiga, Infante e Santa Maria (ver quadro). Plano este que depende ainda da alocação de verbas comunitárias.
No total, e para o período de 2003 a 2005, a Enatur prevê investir 74,005 milhões de euros, dos quais 62,009 milhões na construção das oito novas pousadas, sendo o restante canalizado para as obras de remodelação. Alguns trabalhos já arrancaram, tendo sido até agora investidos 1,583 milhões de euros.
As novas estruturas a construir terão uma capacidade total de 280 quartos, sendo a taxa de ocupação média, no primeiro ano, de 43,9 por cento, e no ano cruzeiro de 60,1 por cento. Na última década, a Enatur realizou investimentos no valor de 123,4 milhões de euros, 90 milhões dos quais foram financiados por subsídios provenientes de planos de desenvolvimento regionais, culturais e turísticos, além de verbas de jogo. O remanescente foi realizado com recurso ao "cash-flow" da empresa e a financiamentos junto de instituições de crédito e do Fundo de Turismo.
Com a vitória no concurso de privatização de 36,7 por cento do capital da Enatur, o consórcio liderado pelo grupo Pestana - e que integra ainda a Caixa Geral de Depósitos, a Fundação Oriente, as Viagens Abreu e a Portimar - "ganhou" também a responsabilidade de investir, anualmente, 3,5 milhões de euros na conservação e manutenção das estruturas hoteleiras ao longo dos 15 anos de concessão. Nas obrigações de vencedor constava ainda a subscrição de um aumento de capital até 49 por cento, operação essa que já foi realizada e que levou o consórcio a desembolsar 30 milhões de euros. Para o agrupamento, esses investimentos permitirão concretizar o seu plano de aumentar, em cinco anos, a taxa de ocupação da rede nacional de pousadas dos actuais 50 por cento para os 65 por cento.
Processo atribulado
Ao vencer o concurso de privatização da Enatur, o consórcio liderado pelo grupo Pestana pode ter comprado uma "guerra". Os trabalhadores da empresa paralisaram no passado sábado em protesto contra a privatização das pousadas e em defesa dos seus postos de trabalho. A greve foi convocada pela Federação dos Sindicatos de Alimentação (Fesaht), Bebidas e Turismo de Portugal, por considerar que a adjudicação da gestão da Enatur "não interessa aos trabalhadores e ao sector e poderá beliscar o turismo de qualidade" das pousadas.
O sindicalista Francisco Figueiredo denunciou um "clima de grande pressão a ser exercido sobre os trabalhadores pela direcção das pousadas". Em resposta a Comissão de Trabalhadores interpôs uma providência cautelar junto do Tribunal do Trabalho de Lisboa, estando marcada para o dia 4 de Agosto uma reunião.
Alguns partidos da oposição criticaram também o processo, tendo o deputado socialista Fernando Serrasqueiro alertado, em declarações ao PÚBLICO, para o facto de ainda não estar completamente esclarecida a questão do acesso a fundos comunitários, agora que entrou um privado na empresa que ainda é detida em 51 por cento pelo Estado.
Entretanto, aquando da assembleia geral (AG) de accionistas, o secretário de Estado do Turismo comunicou ao presidente cessante, Eduardo Âmbar, e ao membro do conselho de administração (CA) Nuno Jardim que iam ser substituídos na AG da empresa. A decisão foi justificada com os maus resultados de exploração registados no primeiro semestre do corrente ano e atrasos na execução dos planos de redução, por um lado, e expansão, por outro. O novo presidente é Rui Mota, que transita da IPE, sendo acompanhado na administração por Maria Amélia Jorge, que se mantém do anterior CA, e por Ferreira da Silva, em representação do grupo Pestana. Fonte ligada ao processo explicou que Ferreira da Silva ainda não está em funções, uma vez que "o contrato de concessão e exploração não foi assinado", até porque a Autoridade da Concorrência ainda não se pronunciou sobre a matéria.