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18-04-2003
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Disfunção eréctil é dos temas mais procurados para esclarecimentos

A sexualidade é ainda, apesar da evolução das mentalidades, um assunto sobre o qual muita gente não fala com naturalidade. Principalmente quando se trata de disfunções sexuais.

Com uma prevalência elevada, a disfunção eréctil continua a ser um desses temas tabus e, por isso, pouco debatido. Para contrariar essa postura, uma equipa de médicos criou um site sobre sexualidade onde todas as dúvidas e esclarecimentos são fornecidos.

Lisboa, 20 de Fevereiro – O site www.sexualidades.com, cujos conteúdos são da responsabilidade de médicos, tem por objectivo principal “fornecer informação objectiva sobre este tema para que as pessoas façam os seus juízos e as suas opções”, referiu Fernando Gomes da Costa, médico de clínica geral, um dos mentores deste projecto. “O site nasceu no ano em que se debateu a liberalização do aborto (1998). Achámos que havia uma necessidade de se fazer educação sexual, porque a educação é responsabilidade de todos”, refere.

Decorridos quatro anos após o início do funcionamento do site, é possível constatar que a sexualidade é, hoje, vista “com grande naturalidade mas também com grande ignorância”, diz o especialista. E acrescenta: “digo isto em função das perguntas que me colocam e, por outro lado, pelas reacções que verifico, como médico, nas consultas e formações, como também dos próprios comentários que recebemos no site”.

“As pessoas continuam a ter algum acanhamento e vergonha em colocar determinadas questões, nomeadamente no que se refere a disfunções sexuais, contracepção, curiosamente à anatomia dos aparelhos sexuais e às doenças sexualmente transmissíveis, exactamente os temas mais ‘visitados’ no site”, comenta Fernando Gomes da Costa.

Em termos de disfunções sexuais, o tema da disfunção eréctil é o segundo mais procurado. “Numa primeira análise é possível verificar que o maior número de casos dizem respeito a causas de origem psicogénita, embora também apareçam, de origem orgânica (classicamente atribuídas a pessoas mais velhas, ou com alguma doença crónica)”, diz.

Segundo o mesmo especialista, “para estes, até há bem pouco tempo, eram apenas feitos tratamentos comportamentais e psicoterapia. Hoje é possível, com novos fármacos, como o cloridrato de apomorfina (Uprima), mesmo em indivíduos jovens, fazer tratamentos de primeira linha que de longe resultam melhor de uma forma simples e rápida. Portanto, desde que não haja contra-indicações, e normalmente não há, o aconselhamento é a via medicamentosa”.

“Tanto os sexologistas como os urologistas são unânimes em afirmar que a terapêutica com o cloridrato de apomorfina (Uprima) é um óptimo tratamento. Nos casos de origem psicológica basta, muitas vezes, fazer uma ligeira terapêutica para devolver a auto-confiança e tudo volte ao lugar”, explica o clínico geral.

“As causas orgânicas são, talvez, de resolução um pouco mais complicada, devido a doenças associadas ou porque a fisiologia está irremediavelmente danificada. No entanto, penso que a disfunção eréctil de origem psicológica têm um impacto mais negativo, uma vez que afecta pessoas mais jovens”, explica Fernando Gomes da Costa.

Embora tenha havido uma queda significativa das barreiras e tabus que rodeiam o tema da sexualidade, o especialista defende que “os tabus ajudam a que a sexualidade não seja banalizada. Da experiência que tem como médico e, agora deste projecto, Fernando Gomes da Costa, afirma que é mais fácil um jovem pedir esclarecimentos no site da internet do que nas consultas com o seu médico de família.

Quanto ao balanço deste novo projecto, o especialista considera que aprendeu a comunicar de uma forma diferente através deste método, “que não é tão linear quanto isso. Mas também passou a ter algum interesse em termos práticos, porque passamos a estar atentos a determinados assuntos que não nos suscitavam grande importância. Mudou muito a minha forma de fazer consultas de sexologia”.

20 de Fevereiro de 2002

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Disfunção eréctil é dos temas mais procurados para esclarecimentos

A sexualidade é ainda, apesar da evolução das mentalidades, um assunto sobre o qual muita gente não fala com naturalidade. Principalmente quando se trata de disfunções sexuais.

Com uma prevalência elevada, a disfunção eréctil continua a ser um desses temas tabus e, por isso, pouco debatido. Para contrariar essa postura, uma equipa de médicos criou um site sobre sexualidade onde todas as dúvidas e esclarecimentos são fornecidos.

Lisboa, 20 de Fevereiro – O site www.sexualidades.com, cujos conteúdos são da responsabilidade de médicos, tem por objectivo principal “fornecer informação objectiva sobre este tema para que as pessoas façam os seus juízos e as suas opções”, referiu Fernando Gomes da Costa, médico de clínica geral, um dos mentores deste projecto. “O site nasceu no ano em que se debateu a liberalização do aborto (1998). Achámos que havia uma necessidade de se fazer educação sexual, porque a educação é responsabilidade de todos”, refere.

Decorridos quatro anos após o início do funcionamento do site, é possível constatar que a sexualidade é, hoje, vista “com grande naturalidade mas também com grande ignorância”, diz o especialista. E acrescenta: “digo isto em função das perguntas que me colocam e, por outro lado, pelas reacções que verifico, como médico, nas consultas e formações, como também dos próprios comentários que recebemos no site”.

“As pessoas continuam a ter algum acanhamento e vergonha em colocar determinadas questões, nomeadamente no que se refere a disfunções sexuais, contracepção, curiosamente à anatomia dos aparelhos sexuais e às doenças sexualmente transmissíveis, exactamente os temas mais ‘visitados’ no site”, comenta Fernando Gomes da Costa.

Em termos de disfunções sexuais, o tema da disfunção eréctil é o segundo mais procurado. “Numa primeira análise é possível verificar que o maior número de casos dizem respeito a causas de origem psicogénita, embora também apareçam, de origem orgânica (classicamente atribuídas a pessoas mais velhas, ou com alguma doença crónica)”, diz.

Segundo o mesmo especialista, “para estes, até há bem pouco tempo, eram apenas feitos tratamentos comportamentais e psicoterapia. Hoje é possível, com novos fármacos, como o cloridrato de apomorfina (Uprima), mesmo em indivíduos jovens, fazer tratamentos de primeira linha que de longe resultam melhor de uma forma simples e rápida. Portanto, desde que não haja contra-indicações, e normalmente não há, o aconselhamento é a via medicamentosa”.

“Tanto os sexologistas como os urologistas são unânimes em afirmar que a terapêutica com o cloridrato de apomorfina (Uprima) é um óptimo tratamento. Nos casos de origem psicológica basta, muitas vezes, fazer uma ligeira terapêutica para devolver a auto-confiança e tudo volte ao lugar”, explica o clínico geral.

“As causas orgânicas são, talvez, de resolução um pouco mais complicada, devido a doenças associadas ou porque a fisiologia está irremediavelmente danificada. No entanto, penso que a disfunção eréctil de origem psicológica têm um impacto mais negativo, uma vez que afecta pessoas mais jovens”, explica Fernando Gomes da Costa.

Embora tenha havido uma queda significativa das barreiras e tabus que rodeiam o tema da sexualidade, o especialista defende que “os tabus ajudam a que a sexualidade não seja banalizada. Da experiência que tem como médico e, agora deste projecto, Fernando Gomes da Costa, afirma que é mais fácil um jovem pedir esclarecimentos no site da internet do que nas consultas com o seu médico de família.

Quanto ao balanço deste novo projecto, o especialista considera que aprendeu a comunicar de uma forma diferente através deste método, “que não é tão linear quanto isso. Mas também passou a ter algum interesse em termos práticos, porque passamos a estar atentos a determinados assuntos que não nos suscitavam grande importância. Mudou muito a minha forma de fazer consultas de sexologia”.

20 de Fevereiro de 2002

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