Miguel Teixeira, o Pai de Família
Segunda-feira, 03 de Novembro de 2003
Miguel Teixeira fez o percurso em contramão: terminou o 12º ano e partiu para o mercado de trabalho. Durante dois anos, enquanto "empresário em nome individual", fez "decoração de lojas e de montras". Construiu "um bom pé de meia" e só depois procurou o ensino superior. Escolheu o curso de Arquitectura da Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologia, em Lisboa. "O que ganhei naqueles dois anos deu para pagar a licenciatura", recorda, acrescentando, perdido de riso, que é "muito forreta"."Só não poupo nos prazeres da mesa", acrescenta.
Não é muito normal que um dirigente estudantil seja casado - "a Catarina é uma mulher de ouro" -, tenha dois filhos, "o Miguel Maria e o Francisco Maria", e nunca tenha perdido um ano. "Enquanto aluno, correspondi sempre. Acho que é contraproducente estarmos oito ou nove anos na universidade. É possível compatibilizarmos tudo na vida", diz, ao mesmo tempo que acende um cigarro Marlboro. Miguel, 26 anos, presidente da Associação Académica de Lisboa (AAL), terminou o curso em Julho passado e já tem emprego à vista: vai ficar na Lusófona, enquanto assistente da cadeira de Projecto do curso de Arquitectura e como assessor para a área administrativa da cooperativa que gere a universidade.
Mas só entrará em funções, ressalva, "quando terminar o mandato na AAL". Até lá, promete continuar a insistir na tecla da qualidade do ensino superior. "A educação nunca foi a prioridade de nenhum governante. No que diz respeito às propinas, eu até podia aceitar este aumento desde que houvesse uma correspondente subida da qualidade. Quando o Estado tiver mais cantinas e mais residências, quando houver melhor material nas escolas, então talvez possamos conversar sobre isto". E convém que o Governo não esqueça, sublinha, "os 100 mil estudantes do privado e do concordatário que são marginalizados".
Na opinião do presidente da AAL, é "com um sentido de altruísmo" que os estudantes de hoje se estão a manifestar. "A continuar assim, é mais do que certo que as próximas gerações vão pagar ainda mais caro por estes erros estratégicos", afirma. "A luta já não está nas mãos dos dirigentes. Se agora nós disséssemos 'vamos parar com isto', já não conseguíamos inverter nada. A contestação está na rua porque os estudantes estão atentos e querem lutar pelos seus direitos", remata Miguel Teixeira.
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Miguel Teixeira, o Pai de Família
Segunda-feira, 03 de Novembro de 2003
Miguel Teixeira fez o percurso em contramão: terminou o 12º ano e partiu para o mercado de trabalho. Durante dois anos, enquanto "empresário em nome individual", fez "decoração de lojas e de montras". Construiu "um bom pé de meia" e só depois procurou o ensino superior. Escolheu o curso de Arquitectura da Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologia, em Lisboa. "O que ganhei naqueles dois anos deu para pagar a licenciatura", recorda, acrescentando, perdido de riso, que é "muito forreta"."Só não poupo nos prazeres da mesa", acrescenta.
Não é muito normal que um dirigente estudantil seja casado - "a Catarina é uma mulher de ouro" -, tenha dois filhos, "o Miguel Maria e o Francisco Maria", e nunca tenha perdido um ano. "Enquanto aluno, correspondi sempre. Acho que é contraproducente estarmos oito ou nove anos na universidade. É possível compatibilizarmos tudo na vida", diz, ao mesmo tempo que acende um cigarro Marlboro. Miguel, 26 anos, presidente da Associação Académica de Lisboa (AAL), terminou o curso em Julho passado e já tem emprego à vista: vai ficar na Lusófona, enquanto assistente da cadeira de Projecto do curso de Arquitectura e como assessor para a área administrativa da cooperativa que gere a universidade.
Mas só entrará em funções, ressalva, "quando terminar o mandato na AAL". Até lá, promete continuar a insistir na tecla da qualidade do ensino superior. "A educação nunca foi a prioridade de nenhum governante. No que diz respeito às propinas, eu até podia aceitar este aumento desde que houvesse uma correspondente subida da qualidade. Quando o Estado tiver mais cantinas e mais residências, quando houver melhor material nas escolas, então talvez possamos conversar sobre isto". E convém que o Governo não esqueça, sublinha, "os 100 mil estudantes do privado e do concordatário que são marginalizados".
Na opinião do presidente da AAL, é "com um sentido de altruísmo" que os estudantes de hoje se estão a manifestar. "A continuar assim, é mais do que certo que as próximas gerações vão pagar ainda mais caro por estes erros estratégicos", afirma. "A luta já não está nas mãos dos dirigentes. Se agora nós disséssemos 'vamos parar com isto', já não conseguíamos inverter nada. A contestação está na rua porque os estudantes estão atentos e querem lutar pelos seus direitos", remata Miguel Teixeira.