Muitas promessas na gaveta

09-05-2004
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Muitas Promessas na Gaveta

Segunda-feira, 12 de Janeiro de 2004 A seis meses do início do Europeu de futebol, que terá pontapé de saída no Estádio do Dragão, a 12 de Junho, se os dez recintos para a competição estão prontos e inaugurados, muito está ainda por fazer em seu redor, e são inúmeros os projectos que a administração central prometera em 1999, mas que ficaram na gaveta. Há muitas obras em curso nas cidades-sede e atrasos consideráveis. O Governo confia na afluência maciça de turistas, embora o estudo de impacte esteja por concluir, tal como no campo cultural (quase) nada está pensado para prender os forasteiros às cidades. Há gritos de alerta no capítulo da segurança e o país corre o risco de oferecer apenas dias soalheiros e estádios bonitos e confortáveis Lisboa Muito cepticismo "Lisboa não tem a preparação necessária para o Euro 2004", a afirmação é de Vasco Franco, vereador do PS e líder da oposição na Câmara Municipal de Lisboa. "Acredito que os acessos aos estádios vão ficar concluídos a tempo, embora haja ainda um grande volume de obra a concluir. No entanto, vejo com bastante apreensão o estado das infra-estruturas de ligação que estão bastante degradadas e saturadas, como por exemplo a Segunda Circular", explica.. Para o vereador, um dos aspectos que contribui para esta saturação é a obra do túnel do Marquês, porque, na sua opinião, "a campanha que está ser feita está a ser eficaz na zona da obra, mas o efeito que isso produz nas vias alternativas é dramático". "E são precisamente essas os principais acessos aos estádio e à cidade", garante. "Por outro lado, não vejo nenhuma dinamização da cidade para acolher o fluxo de visitantes que se advinha. Sem querer ser alarmista, também penso que em matéria de segurança as coisas estão muito atrasadas e envoltas num secretismo que pode significar uma de duas coisas: ou não estão suficientemente dinamizadas ou não estão a ter a divulgação necessária", explica o vereador. Álvaro de Castro, director municipal da Protecção Civil, Segurança e Trânsito, garante que Lisboa estará preparada a tempo do Euro 2004: "Na área da Protecção Civil, a câmara já esteve presente com um dispositivo que englobava um posto de comando móvel, uma unidade móvel de saúde, meios do Regimento de Sapadores Bombeiros e da Polícia Municipal, no jogo Benfica-Sporting, que servirá para adaptação e para Lisboa se integrar no plano nacional delineado pelo Serviço Nacional de Bombeiros e Protecção Civil, bem como pelas entidades organizadoras do Euro. "Estamos convencidos que os grandes constrangimentos de tráfego na cidade, nomeadamente os determinados pelo túnel do Marquês, estarão resolvidos até lá. Entretanto, vamos executar um plano de sinalização vertical e horizontal para melhorar significativamente a circulação na Segunda Circular, bem como no Eixo Norte-Sul, assim como ampliar o sistema de sinalização automática Gertrude", conclui. Fonte da presidência, informou, por seu turno, que a câmara de Lisboa pretende fazer uma forte promoção da cidade, aproveitando os milhões de espectadores que acompanharão o Euro 2004. "Essa animação cultural passará por uma vasto leque de eventos que serão promovidos nos meses de Junho e Julho, nomeadamente com uma forte aposta de animação nos jardins", explicou. Anabela Mendes Porto Acessibilidades sim, aeroporto assim-assim As acessibilidades directas aos estádios do Dragão e do Bessa, no Porto, vão ficar prontas, no essencial, nos prazos que Portugal havia apresentado à UEFA. Estavam em causa investimentos de 60 milhões de euros numa rede viária para servir o novo recinto portista e de 26 milhões para novos acessos ao estádio boavisteiro. Nos dois casos, a candidatura portuguesa comprometera-se a ter tudo pronto em 2003/2004. Nas Antas, as obras chegam ao fim no mês que vem. A Câmara já tinha inaugurado no dia 1 de Novembro a Alameda das Antas e a via envolvente ao estádio do Dragão - duas infra-estruturas que a candidatura portuguesa previa que ficassem concluídas só este ano. Também a nova Rua da Sociedade Protectora dos Animais está pronta. Sob aquela alameda foram construídos quatro túneis que estabelecem ligação entre a Avenida de Fernão de Magalhães e o novo nó do Mercado Abastecedor com a VCI (Ponte da Arrábida-Ponte do Freixo). Este nó, alvo de uma profunda remodelação, ficará operacional em Fevereiro. Além disso, haverá nesta zona um extra, isto é, algo que não fazia parte do caderno de encargos submetido à UEFA: uma ligação por metro àquele estádio a partir de Campanhã e integrada na futura linha para Gondomar. O compromisso existente é que essa ligação entre em funcionamento em Maio, portanto, um mês antes do Euro 2004. No que diz respeito ao Bessa, é visível que as obras estão também na recta final. A rotunda desnivelada em construção junto ao nó de Francos deve ficar concluída já em Fevereiro, ao passo que o viaduto das Andresas sobre a VCI - que irá unir a chamada Avenida Paralela àquela rotunda - estará pronto em Abril. Previa-se que a remodelação do nó de Francos, uma das maiores de cabeça para os automobilistas do Porto e não só, estivesse terminada no ano passado, mas tal não irá acontecer... Portugal prometeu também um novo Aeroporto Francisco Sá Carneiro para 2003, mas essa promessa não será cumprida. Só parcialmente. Garantem os responsáveis, no entanto, que tal infra-estrutura estará em condições de servir, "com dignidade", os milhares de passageiros que nela irão passar durante o Euro. Restam os serviços de saúde. O novo hospital do Vale de Sousa, em Paredes/Penafiel, abriu as portas em 2001, tal como previsto. Já as ampliações dos hospitais de S. João e S. António, no Porto, que a Euro 2004, S.A. prometera para o ano passado, são uma miragem. Os responsáveis pelo segundo nunca ouviram falar nisso, mas em contrapartida prepararam "um plano de contingência para situações anómalas no Euro 2004", que contempla um reforço de meios, equipas e áreas hospitalares se vier a ser preciso. No S. João está previsto alargar a urgência, mas já não será este ano. António Moura Braga Novo hospital e IC 14 ficaram por fazer Nem tudo o que foi prometido na candidatura portuguesa ao Euro 2004 saiu do papel. Exemplo flagrante disso mesmo é o novo hospital. Deveria estar pronto nos primeiros meses deste ano. Não estará. Nem se sabe quando estará, pois o Governo diz que será em 2007 e o presidente da câmara diz que ouviu do Grupo de Missão para as Parcerias Público-Privadas, tutelada pelo Governo, que será apenas lá para 2010. Seja como for, tarde demais para este evento. Como nem tudo corre tão mal, pelo menos o programa de beneficiação e ampliação do actual Hospital de S. Marcos foi sendo realizado, e para além do novo Bloco Operatório, a funcionar já há alguns anos, quem precisar de cuidados já não vai ter de passar pelo suplício das antigas urgências. No campo das acessibilidades, a primeira fase da Variante do Cavado ainda não avançou, mas os acessos directos ao novo Estádio já estão prontos. Tal como o anel rodoviário à volta de Braga, pois ao longo dos últimos anos foram sendo inaugurados os vários troços em falta da rodovia interna e as variantes norte e sul às autoestradas A3 (Porto-Braga-Valença) e à A11 (Braga-Guimarães). A meio de um destes acessos até já existe um nó de ligação para o IC14, mas o visitante que por alturas dos jogos vier do litoral terá de continuar a percorrer a velhinha EN 103, já que aquele itinerário só há poucos meses entrou em obras, e apenas no troço até Barcelos. Estes 15 quilómetros de auto-estrada, a pagar, até deverão estar concluídos no final deste ano, mas já depois do circo do Europeu ter passado por estas bandas. O lanço Barcelos-Apúlia só lá para o final de 2005, se tudo correr conforme a última previsão. Mais certinho, e a prometer viagens entre Porto e Braga à módica "distância" de 35 minutos, o comboio é uma opção que chega a tempo e horas dos jogos. As obras estão quase prontas e na Primavera já será possível testar esta alternativa ao automóvel, cuja utilidade, como a de quase todas as obras programadas, vai muito para além dos dois dias de festa que o Euro trará a Braga. Abel Coentrão Guimarães Acessos directos ainda em obras, auto-estradas por concluir O Estádio D. Afonso Henriques foi o primeiro a estar concluído, e até com um custo final que ficou aquém do orçamentado. Foi inaugurado no início de Julho do ano passado, e as obras, da responsabilidade da câmara de Guimarães, correram também dentro do calendário previsto, mas já o mesmo não se pode dizer em relação ao conjunto de acessos programados, quer à cidade, quer ao estádio. Se as empreitadas relacionadas com as acessibilidades directas ao estádio, que são da responsabilidade da autarquia, estão ainda em execução, já no que respeita às chamadas acessibilidades principais, da responsabilidade da administração central, apenas se concluiu a remodelação da linha de comboio. Tanto a ligação ao litoral por auto-estrada, o troço Póvoa de Varzim/Famalicão, da A7, como o seu prolongamento para o interior (Guimarães/Fafe), que estavam calendarizados para entrar em funcionamento até ao final do ano passado, estão ainda em execução, e é já seguro que só vão ficar concluídos em Dezembros. Concluída ficou a auto-estrada até Braga (A11), uma obra, que embora estivesse prevista no pacote de acessibilidades ao estádio de Braga, implicava uma via rápida de ligação à vila das Taipas, de vital importância para o trânsito em Guimarães, e que não se concretizará a tempo do Euro. Quanto à ligação ferroviária ao Porto, as obras de remodelação ficaram concluídas antes do final do ano, e os comboios começam a circular já no próximo domingo, dia em que a obra é inaugurada. A câmara optou por criar novas entradas na cidade e por remodelar as artérias de ligação entre o recinto e o centro histórico, obras que foram programadas para terminar antes do final do anos, mas que na sua maioria estão ainda em fase de conclusão. No caso dos acessos à cidade, o desnivelamento do Nó do Castanheiro está em fase final de obra, mas a ligação à EN 101 (Guimarães-Braga) em Penselo enfrenta problemas com desafectação de terrenos da reserva ecológica, e que devem inviabilizar a sua construção até Junho. José Augusto Moreira Aveiro Acessos a meio-gás, hotéis lotados Apesar do optimismo reinante quanto aos dividendos a extrair da prova, a verdade é que a cidade da ria experimenta grandes dificuldades para dar resposta a todas as solicitações, especialmente sentidas ao nível da rede viária e da oferta hoteleira. O Municipal de Aveiro não irá beneficiar de todas as ligações viárias contempladas no projecto. Com o acesso ao IP5, e respectivamente à A1, há muito concluídos, resta ainda assegurar o funcionamento do novo troço do IC1, obra que não será finalizada a tempo do Euro 2004. No ramo da oferta de alojamento o panorama também não é animador. Com os projectos de construção de várias unidades hoteleiras ainda no papel, Aveiro esgotou há muito o número de camas disponíveis para o período em que decorre o campeonato. A corrida começou cedo e as reservas antecipadas não deixam espaço de manobra aos turistas de última hora. Quem chegar à cidade a partir de Junho poderá contar com um serviço de urgências totalmente renovado, no Hospital Infante D. Pedro. A unidade de saúde arrancou recentemente com a empreitada de remodelação do bloco e estima para o mês de Maio a conclusão das obras, que irão dotar a estrutura de uma nova arquitectura funcional e de uma maior capacidade de resposta à eventual vaga de utentes que possa ser arrastada no decorrer da competição. Nuno Sousa Coimbra Cidade está "em obras" Apesar de, neste momento, apenas estar concluída uma das obras negociadas pela Câmara de Coimbra com a Administração Central no âmbito do Euro 2004, a convicção dos responsáveis autárquicos é a de que, em termos de acessibilidades directas ao estádio, a cidade estará preparada a tempo de receber o primeiro jogo. Mas a resposta ao desafio não dependerá apenas das novas vias e pontes. O estabelecimento de dois canais preferenciais de escoamento de tráfego, a Sul e a Norte, dotados de parques de estacionamento periféricos e servidos por transportes públicos - é disto que consta, basicamente, o plano de mobilidade em estudo e que procura dar resposta ao problema que sobrará depois de todas as obras previstas estarem concluídas. Cientes daquele problema, quer os anteriores quer os actuais responsáveis autárquicos aproveitaram o Euro para resolver problemas estruturais do trânsito em Coimbra. O executivo presidido por Carlos Encarnação viria a renegociar a aplicação do apoio de 11,2 milhões de euros para as acessibilidades directas ao estádio, mantendo apenas a construção do Nó das Lages - a única obra já concluída - e a ligação entre a Portela e a Quinta da Fonte, em fase de execução. As outras duas obras previstas foram substituídas pela correcção da Avenida Elísio de Moura e pelo seu desnivelamento em relação à estrada do Tovim, e ainda pela construção de uma ligação directa da zona Casa Branca à chamada rotunda das Palmeiras, junto ao Estádio. Todas estas obras - assim como a construção da nova Ponte da Portela e da Ponte Europa, consideradas essenciais - estarão concluídas antes do campeonato, afirma o vereador com o pelouro das Obras Municipais, João Rebelo. Certo, é que o metro ligeiro de superfície, mil vezes prometido, não existirá... A proibição ou condicionamento do trânsito nalgumas vias permitirá criar um corredor para veículos de emergência entre aquela zona e os Hospitais da Universidade de Coimbra. Mas as condições serão melhores, na medida em que esta semana arrancam obras que visam aumentar em 1170 metros quadrados a área do serviço de urgências e que deverão estar concluídas dentro de quatro meses. Graça Barbosa Ribeiro Leiria só ganha estádio com o Euro 2004 Leiria fez pouco mais do que a remodelação do Estádio Municipal Magalhães Pessoa para receber o Euro 2004. E mesmo assim, as contas saíram "furadas". A autarquia pretendia fazer uma remodelação na ordem dos 4,5 milhões de contos (22,5 milhões de euros) e, para isso, defendia o recurso a uma sociedade de capitais mistos, em regime de "project finance". Estas eram as intenções do executivo, bem como as contas da época, então reveladas pelo PÚBLICO, numa edição de meados de Outubro de 1999, época ainda de euforia pela atribuição da organização do Euro 2004 a Portugal. Planos que, no entanto, goraram-se, quer em intenções quer em números. O estádio foi remodelado, mas com custos previsíveis mais elevados, na ordem dos 49,6 milhões de euros, e apenas da responsabilidades da autarquia, que recorreu a sucessivos empréstimos bancários. Acessibilidades também se fizeram, mas muito pouco. As adaptações directas estão ainda em curso e resumem-se a uma ligação do IC2 à zona do estádio, cuja zona limítrofe também recebeu beneficiações ao nível de aparcamento automóvel. Além da nova ligação, que deverá estar pronta até Maio, a cidade de Leiria não deverá ter grandes problemas, uma vez que é servida pela A8, com saída próxima do estádio, e pela A1. De resto, quanto ao investimento privado, também muito pouco foi feito. Com interesse directo no Euro 2004, apenas pode contabilizar-se a remodelação e ampliação de um hotel na Praia da Vieira de Leiria, devidamente classificado pela UEFA para poder receber as equipas participantes na competição. João Paulo Leonardo Algarve Melhoraram-se a via férrea e o saneamento básico, faltaram as estradas As expectativas criadas à volta do Euro 2004 ficaram muito aquém do que estava desenhado. O estádio, situado próximo da Via do Infante, foi concebido para requalificar uma área de povoamento disperso com 240 hectares, que não se verificou. O evento desportivo, ao fim e ao cabo, era o pretexto para criar infra-estruturas que permitissem ligar os duas principais cidades da região, Faro e Loulé, mas tudo se reduziu, por enquanto, à construção de um campo de futebol, no meio de um campo a que foi chamado Parque das Cidades. A sociedade criada pela Associação de Municipios Loulé/Faro, por falta de acordo com os proprietários dos terrenos, acabou por adquirir apenas um terço da área que estava prevista no Plano de Pormenor para o Parque das Cidades. Quanto aos outros equipamentos - hospital central, pavilhão multiusos, pista de atletismo, e outras valências que pudessem fazer a ligação entre o desporto e o turismo -, todos eles ficaram na gaveta. Uma das obras mais reclamadas, o cruzamento das Quatro Estradas na ligação entre Loulé e Quarteira/Vilamoura, ficou por fazer. Em termos de melhoria, a cidade de Faro teve concretizado a ligação do acesso, em quatro faixas, até à Via do Infante e ao aeroporto. Por outro lado, a necessidade de levar o saneamento básico até ao Parque das Cidades, também levou a autarquia a estender a rede de água esgotos à zona do Patacão. No que diz respeito a Loulé, a cidade ficou quase que remetida para uma zona periférica da capital do distrito, com um moderno campo de futebol a fazer de fronteira entre os dois concelhos e a ligação rodoviária, em quatro faixas, até à Via do Infante e a variante Norte à cidade não se concretizou por falta de apoio da administração central. O que melhorou foi a via de caminho de ferro de Lisboa para o Algarve e a autarquia louletana, também lançou a construção da obra de saneamento básico na zona de São João da Venda, a povoação próxima do estádio. Idálio Revez OUTROS TÍTULOS EM DESTAQUE Muitas promessas na gaveta

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Segunda-feira, 12 de Janeiro de 2004 A seis meses do início do Europeu de futebol, que terá pontapé de saída no Estádio do Dragão, a 12 de Junho, se os dez recintos para a competição estão prontos e inaugurados, muito está ainda por fazer em seu redor, e são inúmeros os projectos que a administração central prometera em 1999, mas que ficaram na gaveta. Há muitas obras em curso nas cidades-sede e atrasos consideráveis. O Governo confia na afluência maciça de turistas, embora o estudo de impacte esteja por concluir, tal como no campo cultural (quase) nada está pensado para prender os forasteiros às cidades. Há gritos de alerta no capítulo da segurança e o país corre o risco de oferecer apenas dias soalheiros e estádios bonitos e confortáveis Lisboa Muito cepticismo "Lisboa não tem a preparação necessária para o Euro 2004", a afirmação é de Vasco Franco, vereador do PS e líder da oposição na Câmara Municipal de Lisboa. "Acredito que os acessos aos estádios vão ficar concluídos a tempo, embora haja ainda um grande volume de obra a concluir. No entanto, vejo com bastante apreensão o estado das infra-estruturas de ligação que estão bastante degradadas e saturadas, como por exemplo a Segunda Circular", explica.. Para o vereador, um dos aspectos que contribui para esta saturação é a obra do túnel do Marquês, porque, na sua opinião, "a campanha que está ser feita está a ser eficaz na zona da obra, mas o efeito que isso produz nas vias alternativas é dramático". "E são precisamente essas os principais acessos aos estádio e à cidade", garante. "Por outro lado, não vejo nenhuma dinamização da cidade para acolher o fluxo de visitantes que se advinha. Sem querer ser alarmista, também penso que em matéria de segurança as coisas estão muito atrasadas e envoltas num secretismo que pode significar uma de duas coisas: ou não estão suficientemente dinamizadas ou não estão a ter a divulgação necessária", explica o vereador. Álvaro de Castro, director municipal da Protecção Civil, Segurança e Trânsito, garante que Lisboa estará preparada a tempo do Euro 2004: "Na área da Protecção Civil, a câmara já esteve presente com um dispositivo que englobava um posto de comando móvel, uma unidade móvel de saúde, meios do Regimento de Sapadores Bombeiros e da Polícia Municipal, no jogo Benfica-Sporting, que servirá para adaptação e para Lisboa se integrar no plano nacional delineado pelo Serviço Nacional de Bombeiros e Protecção Civil, bem como pelas entidades organizadoras do Euro. "Estamos convencidos que os grandes constrangimentos de tráfego na cidade, nomeadamente os determinados pelo túnel do Marquês, estarão resolvidos até lá. Entretanto, vamos executar um plano de sinalização vertical e horizontal para melhorar significativamente a circulação na Segunda Circular, bem como no Eixo Norte-Sul, assim como ampliar o sistema de sinalização automática Gertrude", conclui. Fonte da presidência, informou, por seu turno, que a câmara de Lisboa pretende fazer uma forte promoção da cidade, aproveitando os milhões de espectadores que acompanharão o Euro 2004. "Essa animação cultural passará por uma vasto leque de eventos que serão promovidos nos meses de Junho e Julho, nomeadamente com uma forte aposta de animação nos jardins", explicou. Anabela Mendes Porto Acessibilidades sim, aeroporto assim-assim As acessibilidades directas aos estádios do Dragão e do Bessa, no Porto, vão ficar prontas, no essencial, nos prazos que Portugal havia apresentado à UEFA. Estavam em causa investimentos de 60 milhões de euros numa rede viária para servir o novo recinto portista e de 26 milhões para novos acessos ao estádio boavisteiro. Nos dois casos, a candidatura portuguesa comprometera-se a ter tudo pronto em 2003/2004. Nas Antas, as obras chegam ao fim no mês que vem. A Câmara já tinha inaugurado no dia 1 de Novembro a Alameda das Antas e a via envolvente ao estádio do Dragão - duas infra-estruturas que a candidatura portuguesa previa que ficassem concluídas só este ano. Também a nova Rua da Sociedade Protectora dos Animais está pronta. Sob aquela alameda foram construídos quatro túneis que estabelecem ligação entre a Avenida de Fernão de Magalhães e o novo nó do Mercado Abastecedor com a VCI (Ponte da Arrábida-Ponte do Freixo). Este nó, alvo de uma profunda remodelação, ficará operacional em Fevereiro. Além disso, haverá nesta zona um extra, isto é, algo que não fazia parte do caderno de encargos submetido à UEFA: uma ligação por metro àquele estádio a partir de Campanhã e integrada na futura linha para Gondomar. O compromisso existente é que essa ligação entre em funcionamento em Maio, portanto, um mês antes do Euro 2004. No que diz respeito ao Bessa, é visível que as obras estão também na recta final. A rotunda desnivelada em construção junto ao nó de Francos deve ficar concluída já em Fevereiro, ao passo que o viaduto das Andresas sobre a VCI - que irá unir a chamada Avenida Paralela àquela rotunda - estará pronto em Abril. Previa-se que a remodelação do nó de Francos, uma das maiores de cabeça para os automobilistas do Porto e não só, estivesse terminada no ano passado, mas tal não irá acontecer... Portugal prometeu também um novo Aeroporto Francisco Sá Carneiro para 2003, mas essa promessa não será cumprida. Só parcialmente. Garantem os responsáveis, no entanto, que tal infra-estrutura estará em condições de servir, "com dignidade", os milhares de passageiros que nela irão passar durante o Euro. Restam os serviços de saúde. O novo hospital do Vale de Sousa, em Paredes/Penafiel, abriu as portas em 2001, tal como previsto. Já as ampliações dos hospitais de S. João e S. António, no Porto, que a Euro 2004, S.A. prometera para o ano passado, são uma miragem. Os responsáveis pelo segundo nunca ouviram falar nisso, mas em contrapartida prepararam "um plano de contingência para situações anómalas no Euro 2004", que contempla um reforço de meios, equipas e áreas hospitalares se vier a ser preciso. No S. João está previsto alargar a urgência, mas já não será este ano. António Moura Braga Novo hospital e IC 14 ficaram por fazer Nem tudo o que foi prometido na candidatura portuguesa ao Euro 2004 saiu do papel. Exemplo flagrante disso mesmo é o novo hospital. Deveria estar pronto nos primeiros meses deste ano. Não estará. Nem se sabe quando estará, pois o Governo diz que será em 2007 e o presidente da câmara diz que ouviu do Grupo de Missão para as Parcerias Público-Privadas, tutelada pelo Governo, que será apenas lá para 2010. Seja como for, tarde demais para este evento. Como nem tudo corre tão mal, pelo menos o programa de beneficiação e ampliação do actual Hospital de S. Marcos foi sendo realizado, e para além do novo Bloco Operatório, a funcionar já há alguns anos, quem precisar de cuidados já não vai ter de passar pelo suplício das antigas urgências. No campo das acessibilidades, a primeira fase da Variante do Cavado ainda não avançou, mas os acessos directos ao novo Estádio já estão prontos. Tal como o anel rodoviário à volta de Braga, pois ao longo dos últimos anos foram sendo inaugurados os vários troços em falta da rodovia interna e as variantes norte e sul às autoestradas A3 (Porto-Braga-Valença) e à A11 (Braga-Guimarães). A meio de um destes acessos até já existe um nó de ligação para o IC14, mas o visitante que por alturas dos jogos vier do litoral terá de continuar a percorrer a velhinha EN 103, já que aquele itinerário só há poucos meses entrou em obras, e apenas no troço até Barcelos. Estes 15 quilómetros de auto-estrada, a pagar, até deverão estar concluídos no final deste ano, mas já depois do circo do Europeu ter passado por estas bandas. O lanço Barcelos-Apúlia só lá para o final de 2005, se tudo correr conforme a última previsão. Mais certinho, e a prometer viagens entre Porto e Braga à módica "distância" de 35 minutos, o comboio é uma opção que chega a tempo e horas dos jogos. As obras estão quase prontas e na Primavera já será possível testar esta alternativa ao automóvel, cuja utilidade, como a de quase todas as obras programadas, vai muito para além dos dois dias de festa que o Euro trará a Braga. Abel Coentrão Guimarães Acessos directos ainda em obras, auto-estradas por concluir O Estádio D. Afonso Henriques foi o primeiro a estar concluído, e até com um custo final que ficou aquém do orçamentado. Foi inaugurado no início de Julho do ano passado, e as obras, da responsabilidade da câmara de Guimarães, correram também dentro do calendário previsto, mas já o mesmo não se pode dizer em relação ao conjunto de acessos programados, quer à cidade, quer ao estádio. Se as empreitadas relacionadas com as acessibilidades directas ao estádio, que são da responsabilidade da autarquia, estão ainda em execução, já no que respeita às chamadas acessibilidades principais, da responsabilidade da administração central, apenas se concluiu a remodelação da linha de comboio. Tanto a ligação ao litoral por auto-estrada, o troço Póvoa de Varzim/Famalicão, da A7, como o seu prolongamento para o interior (Guimarães/Fafe), que estavam calendarizados para entrar em funcionamento até ao final do ano passado, estão ainda em execução, e é já seguro que só vão ficar concluídos em Dezembros. Concluída ficou a auto-estrada até Braga (A11), uma obra, que embora estivesse prevista no pacote de acessibilidades ao estádio de Braga, implicava uma via rápida de ligação à vila das Taipas, de vital importância para o trânsito em Guimarães, e que não se concretizará a tempo do Euro. Quanto à ligação ferroviária ao Porto, as obras de remodelação ficaram concluídas antes do final do ano, e os comboios começam a circular já no próximo domingo, dia em que a obra é inaugurada. A câmara optou por criar novas entradas na cidade e por remodelar as artérias de ligação entre o recinto e o centro histórico, obras que foram programadas para terminar antes do final do anos, mas que na sua maioria estão ainda em fase de conclusão. No caso dos acessos à cidade, o desnivelamento do Nó do Castanheiro está em fase final de obra, mas a ligação à EN 101 (Guimarães-Braga) em Penselo enfrenta problemas com desafectação de terrenos da reserva ecológica, e que devem inviabilizar a sua construção até Junho. José Augusto Moreira Aveiro Acessos a meio-gás, hotéis lotados Apesar do optimismo reinante quanto aos dividendos a extrair da prova, a verdade é que a cidade da ria experimenta grandes dificuldades para dar resposta a todas as solicitações, especialmente sentidas ao nível da rede viária e da oferta hoteleira. O Municipal de Aveiro não irá beneficiar de todas as ligações viárias contempladas no projecto. Com o acesso ao IP5, e respectivamente à A1, há muito concluídos, resta ainda assegurar o funcionamento do novo troço do IC1, obra que não será finalizada a tempo do Euro 2004. No ramo da oferta de alojamento o panorama também não é animador. Com os projectos de construção de várias unidades hoteleiras ainda no papel, Aveiro esgotou há muito o número de camas disponíveis para o período em que decorre o campeonato. A corrida começou cedo e as reservas antecipadas não deixam espaço de manobra aos turistas de última hora. Quem chegar à cidade a partir de Junho poderá contar com um serviço de urgências totalmente renovado, no Hospital Infante D. Pedro. A unidade de saúde arrancou recentemente com a empreitada de remodelação do bloco e estima para o mês de Maio a conclusão das obras, que irão dotar a estrutura de uma nova arquitectura funcional e de uma maior capacidade de resposta à eventual vaga de utentes que possa ser arrastada no decorrer da competição. Nuno Sousa Coimbra Cidade está "em obras" Apesar de, neste momento, apenas estar concluída uma das obras negociadas pela Câmara de Coimbra com a Administração Central no âmbito do Euro 2004, a convicção dos responsáveis autárquicos é a de que, em termos de acessibilidades directas ao estádio, a cidade estará preparada a tempo de receber o primeiro jogo. Mas a resposta ao desafio não dependerá apenas das novas vias e pontes. O estabelecimento de dois canais preferenciais de escoamento de tráfego, a Sul e a Norte, dotados de parques de estacionamento periféricos e servidos por transportes públicos - é disto que consta, basicamente, o plano de mobilidade em estudo e que procura dar resposta ao problema que sobrará depois de todas as obras previstas estarem concluídas. Cientes daquele problema, quer os anteriores quer os actuais responsáveis autárquicos aproveitaram o Euro para resolver problemas estruturais do trânsito em Coimbra. O executivo presidido por Carlos Encarnação viria a renegociar a aplicação do apoio de 11,2 milhões de euros para as acessibilidades directas ao estádio, mantendo apenas a construção do Nó das Lages - a única obra já concluída - e a ligação entre a Portela e a Quinta da Fonte, em fase de execução. As outras duas obras previstas foram substituídas pela correcção da Avenida Elísio de Moura e pelo seu desnivelamento em relação à estrada do Tovim, e ainda pela construção de uma ligação directa da zona Casa Branca à chamada rotunda das Palmeiras, junto ao Estádio. Todas estas obras - assim como a construção da nova Ponte da Portela e da Ponte Europa, consideradas essenciais - estarão concluídas antes do campeonato, afirma o vereador com o pelouro das Obras Municipais, João Rebelo. Certo, é que o metro ligeiro de superfície, mil vezes prometido, não existirá... A proibição ou condicionamento do trânsito nalgumas vias permitirá criar um corredor para veículos de emergência entre aquela zona e os Hospitais da Universidade de Coimbra. Mas as condições serão melhores, na medida em que esta semana arrancam obras que visam aumentar em 1170 metros quadrados a área do serviço de urgências e que deverão estar concluídas dentro de quatro meses. Graça Barbosa Ribeiro Leiria só ganha estádio com o Euro 2004 Leiria fez pouco mais do que a remodelação do Estádio Municipal Magalhães Pessoa para receber o Euro 2004. E mesmo assim, as contas saíram "furadas". A autarquia pretendia fazer uma remodelação na ordem dos 4,5 milhões de contos (22,5 milhões de euros) e, para isso, defendia o recurso a uma sociedade de capitais mistos, em regime de "project finance". Estas eram as intenções do executivo, bem como as contas da época, então reveladas pelo PÚBLICO, numa edição de meados de Outubro de 1999, época ainda de euforia pela atribuição da organização do Euro 2004 a Portugal. Planos que, no entanto, goraram-se, quer em intenções quer em números. O estádio foi remodelado, mas com custos previsíveis mais elevados, na ordem dos 49,6 milhões de euros, e apenas da responsabilidades da autarquia, que recorreu a sucessivos empréstimos bancários. Acessibilidades também se fizeram, mas muito pouco. As adaptações directas estão ainda em curso e resumem-se a uma ligação do IC2 à zona do estádio, cuja zona limítrofe também recebeu beneficiações ao nível de aparcamento automóvel. Além da nova ligação, que deverá estar pronta até Maio, a cidade de Leiria não deverá ter grandes problemas, uma vez que é servida pela A8, com saída próxima do estádio, e pela A1. De resto, quanto ao investimento privado, também muito pouco foi feito. Com interesse directo no Euro 2004, apenas pode contabilizar-se a remodelação e ampliação de um hotel na Praia da Vieira de Leiria, devidamente classificado pela UEFA para poder receber as equipas participantes na competição. João Paulo Leonardo Algarve Melhoraram-se a via férrea e o saneamento básico, faltaram as estradas As expectativas criadas à volta do Euro 2004 ficaram muito aquém do que estava desenhado. O estádio, situado próximo da Via do Infante, foi concebido para requalificar uma área de povoamento disperso com 240 hectares, que não se verificou. O evento desportivo, ao fim e ao cabo, era o pretexto para criar infra-estruturas que permitissem ligar os duas principais cidades da região, Faro e Loulé, mas tudo se reduziu, por enquanto, à construção de um campo de futebol, no meio de um campo a que foi chamado Parque das Cidades. A sociedade criada pela Associação de Municipios Loulé/Faro, por falta de acordo com os proprietários dos terrenos, acabou por adquirir apenas um terço da área que estava prevista no Plano de Pormenor para o Parque das Cidades. Quanto aos outros equipamentos - hospital central, pavilhão multiusos, pista de atletismo, e outras valências que pudessem fazer a ligação entre o desporto e o turismo -, todos eles ficaram na gaveta. Uma das obras mais reclamadas, o cruzamento das Quatro Estradas na ligação entre Loulé e Quarteira/Vilamoura, ficou por fazer. Em termos de melhoria, a cidade de Faro teve concretizado a ligação do acesso, em quatro faixas, até à Via do Infante e ao aeroporto. Por outro lado, a necessidade de levar o saneamento básico até ao Parque das Cidades, também levou a autarquia a estender a rede de água esgotos à zona do Patacão. No que diz respeito a Loulé, a cidade ficou quase que remetida para uma zona periférica da capital do distrito, com um moderno campo de futebol a fazer de fronteira entre os dois concelhos e a ligação rodoviária, em quatro faixas, até à Via do Infante e a variante Norte à cidade não se concretizou por falta de apoio da administração central. O que melhorou foi a via de caminho de ferro de Lisboa para o Algarve e a autarquia louletana, também lançou a construção da obra de saneamento básico na zona de São João da Venda, a povoação próxima do estádio. Idálio Revez OUTROS TÍTULOS EM DESTAQUE Muitas promessas na gaveta

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