Manifesto de Intelectuais Portugueses Contra a Guerra
Por ALEXANDRA LUCAS COELHO
Sábado, 15 de Fevereiro de 2003
Mais de cem intelectuais e artistas portugueses subscreveram o manifesto "Apelo contra a guerra e apoio às manifestações da paz", redigido e posto a circular na quarta-feira pelos poetas Gastão Cruz e Manuel Gusmão. "Pareceu-nos que em Portugal não estava a haver uma tomada de posição dos intelectuais, ao contrário do que se passava noutros países, por exemplo em Espanha", disse ao PòBLICO Gastão Cruz.
Ao final da tarde de ontem, o documento contava com 106 assinaturas, entre as quais as de escritores como Almeida Faria, António Ramos Rosa, Armando Silva Carvalho, Eugénio de Andrade, Eduarda Dionísio, Lídia Jorge, Manuel António Pina, Maria Velho da Costa, Pedro Tamen ou Urbano Tavares Rodrigues; intérpretes e criadores de teatro e cinema como Diogo Dória, Fernanda Lapa, Joana Bárcia, José Airosa, Luís Miguel Cintra, Miguel Borges ou Teresa Vilaverde; ensaístas como Boaventura Sousa Santos ou Silvina Rodrigues Lopes; editores como André Jorge, Nelson de Matos ou Zeferino Coelho - para além de nomes como Eduardo Lourenço, Eduardo Prado Coelho, Paulo Cunha e Silva, João Tabarra, Jorge Silva Melo ou Isabel Allegro de Magalhães, que já se tinham pronunciado contra a guerra no inquérito incluído na edição de quarta-feira do PòBLICO.
O texto do manifesto apresenta cinco razões de oposição à "guerra alegadamente 'preventiva'" contra o Iraque. Os signatários começam por rejeitar "o maniqueísmo que divide o mundo entre 'o eixo do bem' e o 'eixo do mal', a política de dois pesos e duas medidas". Afirmam que não apoiam "o terrorismo, seja ele o de grupos desesperados seja o terrorismo de Estado", e são " contra a guerra imperial que visa um país, permanentemente vigiado e agredido desde a Guerra do Golfo, e um povo vítima de um embargo que inclui medicamentos". Sublinham que não apoiam "a ditadura de Saddam Hussein", mas também não aceitam "a transformação de um país e de toda uma região do mundo em protectorado" porque têm memória "de quem armou a ditadura iraquiana contra o Irão". Consideram que a "lógica" desta guerra "só promete uma barbárie generalizada" e, finalmente, declaram-se "solidários com os intelectuais e os outros sectores da sociedade norte-americana que corajosamente combatem a lógica da guerra e esperam o apoio dos povos da Europa" nas manifestações convocadas para hoje.
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Manifesto de Intelectuais Portugueses Contra a Guerra
Por ALEXANDRA LUCAS COELHO
Sábado, 15 de Fevereiro de 2003
Mais de cem intelectuais e artistas portugueses subscreveram o manifesto "Apelo contra a guerra e apoio às manifestações da paz", redigido e posto a circular na quarta-feira pelos poetas Gastão Cruz e Manuel Gusmão. "Pareceu-nos que em Portugal não estava a haver uma tomada de posição dos intelectuais, ao contrário do que se passava noutros países, por exemplo em Espanha", disse ao PòBLICO Gastão Cruz.
Ao final da tarde de ontem, o documento contava com 106 assinaturas, entre as quais as de escritores como Almeida Faria, António Ramos Rosa, Armando Silva Carvalho, Eugénio de Andrade, Eduarda Dionísio, Lídia Jorge, Manuel António Pina, Maria Velho da Costa, Pedro Tamen ou Urbano Tavares Rodrigues; intérpretes e criadores de teatro e cinema como Diogo Dória, Fernanda Lapa, Joana Bárcia, José Airosa, Luís Miguel Cintra, Miguel Borges ou Teresa Vilaverde; ensaístas como Boaventura Sousa Santos ou Silvina Rodrigues Lopes; editores como André Jorge, Nelson de Matos ou Zeferino Coelho - para além de nomes como Eduardo Lourenço, Eduardo Prado Coelho, Paulo Cunha e Silva, João Tabarra, Jorge Silva Melo ou Isabel Allegro de Magalhães, que já se tinham pronunciado contra a guerra no inquérito incluído na edição de quarta-feira do PòBLICO.
O texto do manifesto apresenta cinco razões de oposição à "guerra alegadamente 'preventiva'" contra o Iraque. Os signatários começam por rejeitar "o maniqueísmo que divide o mundo entre 'o eixo do bem' e o 'eixo do mal', a política de dois pesos e duas medidas". Afirmam que não apoiam "o terrorismo, seja ele o de grupos desesperados seja o terrorismo de Estado", e são " contra a guerra imperial que visa um país, permanentemente vigiado e agredido desde a Guerra do Golfo, e um povo vítima de um embargo que inclui medicamentos". Sublinham que não apoiam "a ditadura de Saddam Hussein", mas também não aceitam "a transformação de um país e de toda uma região do mundo em protectorado" porque têm memória "de quem armou a ditadura iraquiana contra o Irão". Consideram que a "lógica" desta guerra "só promete uma barbárie generalizada" e, finalmente, declaram-se "solidários com os intelectuais e os outros sectores da sociedade norte-americana que corajosamente combatem a lógica da guerra e esperam o apoio dos povos da Europa" nas manifestações convocadas para hoje.