Não sendo alarmantes, pela classificação dos edifícios em causa, as notícias vindas a público segundo as quais a CML pretende vender quatro palacetes (Pancas Palha, Bengazil, Machadinhos e Brancaamp) e imóveis sitos na Rua da Atalaia e no Largo Rodrigues de Freitas com vista à abertura de hotéis de charme, (se bem que este último devesse ser, por razões históricas, a casa-museu de São João de Brito), são, contudo, preocupantes. Isto porque sofrem dos seguintes males e contra-sensos: 1. No que toca a palacetes e edifícios de grande dimensão, de sua propriedade ou não, a 'reabilitação urbana' da CML tem-se pautado, inequivocamente e desde há uns anos a esta parte, pela promoção de hotéis, facto que se nos afigura como redundante.2. A experiência recente desse tipo de procedimentos tem sido catastrófica para o lado do interesse público, como se comprova, aliás, pelos casos do Palácio da Rosa e do Palacete da Bica. O primeiro foi vendido a preço irrisório em 2005, com a promessa de ali ser aberto um 'hotel de charme', o que nunca aconteceu, tendo posteriormente a CML 'compensado' o promotor com a cedência de edifícios camarários para viabilização do projecto que continua sem quaisquer resultados práticos para a cidade. O segundo foi comprado pela CML, no mesmo mandato, exercendo-se, de início e indevidamente, o direito de preferência para residência do presidente e, mais tarde, para a instalação do Museu da Moda, o que não só não aconteceu como se gerou um imbróglio judicial com um outro comprador. 3. A definição de 'hotel de charme' por parte da CML e dos promotores costuma ser bem diferente daquela que se verifica por essa Europa fora. O mais do que evidente mau gosto dos nossos promotores, bastas vezes aliado a uma total falta de escrúpulos, costuma traduzir-se na adulteração e destruição do edificado, na construção de acrescentos 'modernos' e na destruição selvagem de logradouros, tirando proveito de um PDM moribundo e do imobilismo, quando não total incompetência, dos serviços da CML e do IGESPAR. Curiosamente numa época em que a hotelaria em Lisboa apresenta dificuldades, como o caso do Hotel da Lapa. No que se refere a este caso em concreto, trata-se, apenas, de uma operação de encaixe financeiro, com a suposição, errada, de que a sua venda resolverá a crise financeira da CML. É nosso entender que é a 'rehabitação' da cidade a melhor forma de incrementar as receitas do município. Cada caso é um caso. Soluções em 'pacote' parecem-nos totalmente erróneas, visto poderem apenas significar delapidação de um património que, obviamente, é pertença de todos nós. Acresce que alguns dos edifícios em apreço poderiam ter sido cedidos sem recorrer à alienação. Paulo Ferrero, Júlio Amorim, Virgílio Marques, Nuno Caiado, Ana Sartóris, Miguel Atanásio Carvalho, José Carlos Mendes, João Chambers, Renato Grazina e Jorge Santos Silva
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Não sendo alarmantes, pela classificação dos edifícios em causa, as notícias vindas a público segundo as quais a CML pretende vender quatro palacetes (Pancas Palha, Bengazil, Machadinhos e Brancaamp) e imóveis sitos na Rua da Atalaia e no Largo Rodrigues de Freitas com vista à abertura de hotéis de charme, (se bem que este último devesse ser, por razões históricas, a casa-museu de São João de Brito), são, contudo, preocupantes. Isto porque sofrem dos seguintes males e contra-sensos: 1. No que toca a palacetes e edifícios de grande dimensão, de sua propriedade ou não, a 'reabilitação urbana' da CML tem-se pautado, inequivocamente e desde há uns anos a esta parte, pela promoção de hotéis, facto que se nos afigura como redundante.2. A experiência recente desse tipo de procedimentos tem sido catastrófica para o lado do interesse público, como se comprova, aliás, pelos casos do Palácio da Rosa e do Palacete da Bica. O primeiro foi vendido a preço irrisório em 2005, com a promessa de ali ser aberto um 'hotel de charme', o que nunca aconteceu, tendo posteriormente a CML 'compensado' o promotor com a cedência de edifícios camarários para viabilização do projecto que continua sem quaisquer resultados práticos para a cidade. O segundo foi comprado pela CML, no mesmo mandato, exercendo-se, de início e indevidamente, o direito de preferência para residência do presidente e, mais tarde, para a instalação do Museu da Moda, o que não só não aconteceu como se gerou um imbróglio judicial com um outro comprador. 3. A definição de 'hotel de charme' por parte da CML e dos promotores costuma ser bem diferente daquela que se verifica por essa Europa fora. O mais do que evidente mau gosto dos nossos promotores, bastas vezes aliado a uma total falta de escrúpulos, costuma traduzir-se na adulteração e destruição do edificado, na construção de acrescentos 'modernos' e na destruição selvagem de logradouros, tirando proveito de um PDM moribundo e do imobilismo, quando não total incompetência, dos serviços da CML e do IGESPAR. Curiosamente numa época em que a hotelaria em Lisboa apresenta dificuldades, como o caso do Hotel da Lapa. No que se refere a este caso em concreto, trata-se, apenas, de uma operação de encaixe financeiro, com a suposição, errada, de que a sua venda resolverá a crise financeira da CML. É nosso entender que é a 'rehabitação' da cidade a melhor forma de incrementar as receitas do município. Cada caso é um caso. Soluções em 'pacote' parecem-nos totalmente erróneas, visto poderem apenas significar delapidação de um património que, obviamente, é pertença de todos nós. Acresce que alguns dos edifícios em apreço poderiam ter sido cedidos sem recorrer à alienação. Paulo Ferrero, Júlio Amorim, Virgílio Marques, Nuno Caiado, Ana Sartóris, Miguel Atanásio Carvalho, José Carlos Mendes, João Chambers, Renato Grazina e Jorge Santos Silva