Anualmente, com maior incidência nos períodos natalício e de férias, assistimos ao desfilar de estatísticas e lamentações sobre a quantidade de acidentes, mortos, feridos graves e ligeiros. Para reduzir a sinistralidade rodoviária, de facto, quais são as políticas e as medidas previstas pelos responsáveis? Como não as conheço (e até talvez nem existam) deixo aqui 2 grandes linhas de actuação possíveis:
I – ALTERAÇÃO DO COMPORTAMENTO Não aprofundo esta vertente por ser demasiado óbvia, embora nada fácil de aplicar e conseguir resultados a curto ou médio prazo.
Já é feita alguma coisa a este nível, mas praticamente só para os que já conduzem. A acção preventiva mais importante é a da “campanha” que as televisões fazem.
Como se trata, no essencial, de um problema de educação/civismo e cultural, haverá que investir na escola, principalmente no pré-escolar e primário (muito do que somos é “formatado” entre os 3 os 8 anos de idade e já vi bons resultados práticos dessa estratégia em matéria de educação ambiental).
II – MELHORIA CONTÍNUA DAS ESTRADAS É necessário aplicar um programa a todas as estradas com o estabelecimento de prioridades (para abranger todo o país serão necessários alguns anos), que contemple:
a) Identificação dos perigos
b) Avaliação dos riscos
c) Programa de melhorias
Que, muito resumidamente, seria:
Identificação dos perigos: Trata-se de inventariar, para cada troço, os locais e a identificação dos riscos. Este trabalho só poderá ser feito por especialistas e não por senso comum (que também ajuda mas é insuficiente).
Avaliação dos riscos: Ainda mais especializada que a anterior (só conheço entidades em Espanha capazes de o fazer) a principal tarefa é determinar a probabilidade da ocorrência de acidentes em todos os perigos anteriormente inventariados e a sua gravidade em caso de ocorrência. O índice de risco de cada ponto seria determinado ainda com a ajuda de alguns indicadores que já existem (pontos negros, número de acidentes, mortos, feridos, etc. – N=N1+N2+N3…). Identificação das medidas concretas necessárias para fazer baixar cada índice para um nível de risco admissível.
Cálculo - Índice de Risco = Probabilidade x Gravidade x N Execução de melhorias: Listagem ordenada por índice de risco de modo a dar prioridade aos de valor mais elevado, previsão de custos por risco e planeamento de execução das medidas previstas.
Claro que, para a melhoria ser contínua, este programa deve ser repetido para cada troço periodicamente (talvez de 5 em 5 anos, mas isso também dependeria do risco global existente após as melhorias anteriores e a sua comparação/prioridade entre troços).
Esta técnica (II parte) chama-se GESTÃO DE RISCOS e pode ser aplicada em qualquer sistema (por exemplo nos locais de trabalho). Não se deve confundir, por outro lado, com MANUTENÇÃO.
Acham que dará resultado? Será difícil? Eu sei que os riscos não podem ser eliminados. Mas podem, e muito, ser minimizados. Para bem de nós todos…
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Anualmente, com maior incidência nos períodos natalício e de férias, assistimos ao desfilar de estatísticas e lamentações sobre a quantidade de acidentes, mortos, feridos graves e ligeiros. Para reduzir a sinistralidade rodoviária, de facto, quais são as políticas e as medidas previstas pelos responsáveis? Como não as conheço (e até talvez nem existam) deixo aqui 2 grandes linhas de actuação possíveis:
I – ALTERAÇÃO DO COMPORTAMENTO Não aprofundo esta vertente por ser demasiado óbvia, embora nada fácil de aplicar e conseguir resultados a curto ou médio prazo.
Já é feita alguma coisa a este nível, mas praticamente só para os que já conduzem. A acção preventiva mais importante é a da “campanha” que as televisões fazem.
Como se trata, no essencial, de um problema de educação/civismo e cultural, haverá que investir na escola, principalmente no pré-escolar e primário (muito do que somos é “formatado” entre os 3 os 8 anos de idade e já vi bons resultados práticos dessa estratégia em matéria de educação ambiental).
II – MELHORIA CONTÍNUA DAS ESTRADAS É necessário aplicar um programa a todas as estradas com o estabelecimento de prioridades (para abranger todo o país serão necessários alguns anos), que contemple:
a) Identificação dos perigos
b) Avaliação dos riscos
c) Programa de melhorias
Que, muito resumidamente, seria:
Identificação dos perigos: Trata-se de inventariar, para cada troço, os locais e a identificação dos riscos. Este trabalho só poderá ser feito por especialistas e não por senso comum (que também ajuda mas é insuficiente).
Avaliação dos riscos: Ainda mais especializada que a anterior (só conheço entidades em Espanha capazes de o fazer) a principal tarefa é determinar a probabilidade da ocorrência de acidentes em todos os perigos anteriormente inventariados e a sua gravidade em caso de ocorrência. O índice de risco de cada ponto seria determinado ainda com a ajuda de alguns indicadores que já existem (pontos negros, número de acidentes, mortos, feridos, etc. – N=N1+N2+N3…). Identificação das medidas concretas necessárias para fazer baixar cada índice para um nível de risco admissível.
Cálculo - Índice de Risco = Probabilidade x Gravidade x N Execução de melhorias: Listagem ordenada por índice de risco de modo a dar prioridade aos de valor mais elevado, previsão de custos por risco e planeamento de execução das medidas previstas.
Claro que, para a melhoria ser contínua, este programa deve ser repetido para cada troço periodicamente (talvez de 5 em 5 anos, mas isso também dependeria do risco global existente após as melhorias anteriores e a sua comparação/prioridade entre troços).
Esta técnica (II parte) chama-se GESTÃO DE RISCOS e pode ser aplicada em qualquer sistema (por exemplo nos locais de trabalho). Não se deve confundir, por outro lado, com MANUTENÇÃO.
Acham que dará resultado? Será difícil? Eu sei que os riscos não podem ser eliminados. Mas podem, e muito, ser minimizados. Para bem de nós todos…