(uma recomendaçao muito comprida, para recompensar os leitores pacientes)No dia dos namorados, efeméride que aliás é muito mais agradável sem namorado, podendo uma pessoa ignorá-la em plena paz de espírito, eu e uma grande amiga grega andámos uns quilómetros a digerir um jantar fabuloso, ao longo dos quais íamos discutindo os homens, as mulheres e os romances foleiros (ver este post). Foi mesmo antes de chegarmos à estaçao que descobrimos, entre a neve e o gelo, um cartao de cartolina cor de rosa a letra adolescente, decorado com imensos coraçoes vermelhos e rematado com um cordel para o pendurar ao pescoço. Dizia: "Deus está contigo". Pelo que, claramente, só podia ser um sinal.Ontem, mais para a noitinha estava eu a discutir os meus dilemas amorosos com a minha mae num tom entre o "Deuzinho do meu coraçao, porque tinhas de errar o destinatário de tamanha seta?" e o "Pai, porque me abandonaste?" quando ela me mandou deixar de misticismos (a minha mae é muito boa nisto, também quando voltei de Roma muito dada a Igrejas me afiançou logo que nao me preocupasse, que aquilo me passava, como se eu tivesse apanhado uma constipaçao).Hoje de manha vinha eu pela rua, armada do meu mais resistente misticismo, quando vejo mais um papel no chao. Deus estava a falar comigo outra vez. Depois da cartolina, um papel branco dobrado em quatro, escrito a vermelho. A mensagem era clara: Deus acha que estou com falta de batatas e de presunto, no que tem toda a razao. Também parece ser da opiniao que eu devia comprar batatas fritas, coca-cola e nutela, mas eu aqui fiz orelhas moucas, juntando sem hesitar a junk food a outras recomendaçoes divinas como o sexo antes do casamento numa pastinha intitulada "a considerar ao abrigo do livre arbítrio".Mas o melhor de toda esta história (ou estavam à espera de que Deus se tivesse voltado a manifestar entretanto?) foi o momento em que descobri o que andava Deus a fazer quando trocou as setas e/ou os seus destinatários. Estava a recompensar os que lhe sao fiéis com homens nús. A história é tao boa que o perdoei logo. Afinal, se ele anda para aí a perdoar infinitamente, quem sou eu para me por com esquisitices?
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(uma recomendaçao muito comprida, para recompensar os leitores pacientes)No dia dos namorados, efeméride que aliás é muito mais agradável sem namorado, podendo uma pessoa ignorá-la em plena paz de espírito, eu e uma grande amiga grega andámos uns quilómetros a digerir um jantar fabuloso, ao longo dos quais íamos discutindo os homens, as mulheres e os romances foleiros (ver este post). Foi mesmo antes de chegarmos à estaçao que descobrimos, entre a neve e o gelo, um cartao de cartolina cor de rosa a letra adolescente, decorado com imensos coraçoes vermelhos e rematado com um cordel para o pendurar ao pescoço. Dizia: "Deus está contigo". Pelo que, claramente, só podia ser um sinal.Ontem, mais para a noitinha estava eu a discutir os meus dilemas amorosos com a minha mae num tom entre o "Deuzinho do meu coraçao, porque tinhas de errar o destinatário de tamanha seta?" e o "Pai, porque me abandonaste?" quando ela me mandou deixar de misticismos (a minha mae é muito boa nisto, também quando voltei de Roma muito dada a Igrejas me afiançou logo que nao me preocupasse, que aquilo me passava, como se eu tivesse apanhado uma constipaçao).Hoje de manha vinha eu pela rua, armada do meu mais resistente misticismo, quando vejo mais um papel no chao. Deus estava a falar comigo outra vez. Depois da cartolina, um papel branco dobrado em quatro, escrito a vermelho. A mensagem era clara: Deus acha que estou com falta de batatas e de presunto, no que tem toda a razao. Também parece ser da opiniao que eu devia comprar batatas fritas, coca-cola e nutela, mas eu aqui fiz orelhas moucas, juntando sem hesitar a junk food a outras recomendaçoes divinas como o sexo antes do casamento numa pastinha intitulada "a considerar ao abrigo do livre arbítrio".Mas o melhor de toda esta história (ou estavam à espera de que Deus se tivesse voltado a manifestar entretanto?) foi o momento em que descobri o que andava Deus a fazer quando trocou as setas e/ou os seus destinatários. Estava a recompensar os que lhe sao fiéis com homens nús. A história é tao boa que o perdoei logo. Afinal, se ele anda para aí a perdoar infinitamente, quem sou eu para me por com esquisitices?