O Acidental: Pausa para ir ler outro blogue

02-07-2011
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Queria ter escrito um post sobre impostos e já vou (se não me engano) no quinto. Tentarei explicar ao leitor Ricardo Santos Silva o que quis dizer. Já agora, uma nota: estimado leitor, estamos aqui num blog, espaço que não se compadece com todas as fundamentações linguísticas, teóricas e metodológicas próprias do ambiente científico; nem sequer com certos critérios de correcção jornalística; portanto, muitas coisas são ditas de forma simplificada e para captar a atenção de leitores que, espontaneamente, não se interessariam por determinados assuntos. Dito isto, segue de forma ainda simplificada, embora mais detalhada, o significado da frase mencionada:
1. O IRC (imposto sobre o rendimento das pessoas colectivas) é um imposto que incide sobre os lucros das empresas de forma percentual. Isto é, desses lucros, uma determinada percentagem tem de ser desviada para o seu pagamento. Quanto maior for essa percentagem menor a restante percentagem do lucro que os proprietários da empresa podem utilizar para outros fins. A importância disto é que, quanto maior for a percentagem retida sob a forma de imposto, menor é o retorno ao investimento feito pela empresa. Se, ao desejar investir, o empresário sabe que uma parte significativa dos seus lucros vai desaparecer no tributo ao Estado; se, ao desejar investir, o investidor sabe que vai obter um retorno mais baixo; isso constitui um desincentivo para que ambos o façam.
2. Os destinos dados à parte dos lucros que não vai no imposto são essencialmente dois: pagamento de dividendos e reinvestimento – de resto, os dividendos também podem dar origem a investimento, tudo dependendo da escolha do receptor dos ditos. Quanto menor for a percentagem do lucro tributada pelo IRC, maior a restante percentagem que pode ser destinada a ambos estes fins.
3. O investimento é importante porque permite criar capacidade produtiva através da acumulação de capital, isto é, através do aumento dos bens de capital existentes na economia per capita (chama-se a isto o rácio capital-trabalho). Quanto maior for o rácio capital-trabalho, maior a produtividade desse trabalho. Quanto maior a produtividade, maior a riqueza criada por pessoa numa determinada economia. Quanto maior o crescimento da produtividade, maior o crescimento da economia, isto é, maior o crescimento do PNB per capita (que, em última instância, mede exactamente isso: a produtividade da economia – isto não é inteiramente verdade, mas quase).
4. O crescimento económico aumenta o rendimento per capita, porque o rendimento per capita aumenta com o PNB per capita. Um maior rendimento permite-nos uma maior disponibilidade material para dela fazermos o que quisermos – consumir, poupar, investir...
5. Um rendimento maior aumenta o nosso bem-estar, exactamente porque o nosso rendimento é uma parte importante do nosso bem-estar. Não é a única, mas é uma parte, e uma parte até bastante importante.
[Luciano Amaral]

Queria ter escrito um post sobre impostos e já vou (se não me engano) no quinto. Tentarei explicar ao leitor Ricardo Santos Silva o que quis dizer. Já agora, uma nota: estimado leitor, estamos aqui num blog, espaço que não se compadece com todas as fundamentações linguísticas, teóricas e metodológicas próprias do ambiente científico; nem sequer com certos critérios de correcção jornalística; portanto, muitas coisas são ditas de forma simplificada e para captar a atenção de leitores que, espontaneamente, não se interessariam por determinados assuntos. Dito isto, segue de forma ainda simplificada, embora mais detalhada, o significado da frase mencionada:
1. O IRC (imposto sobre o rendimento das pessoas colectivas) é um imposto que incide sobre os lucros das empresas de forma percentual. Isto é, desses lucros, uma determinada percentagem tem de ser desviada para o seu pagamento. Quanto maior for essa percentagem menor a restante percentagem do lucro que os proprietários da empresa podem utilizar para outros fins. A importância disto é que, quanto maior for a percentagem retida sob a forma de imposto, menor é o retorno ao investimento feito pela empresa. Se, ao desejar investir, o empresário sabe que uma parte significativa dos seus lucros vai desaparecer no tributo ao Estado; se, ao desejar investir, o investidor sabe que vai obter um retorno mais baixo; isso constitui um desincentivo para que ambos o façam.
2. Os destinos dados à parte dos lucros que não vai no imposto são essencialmente dois: pagamento de dividendos e reinvestimento – de resto, os dividendos também podem dar origem a investimento, tudo dependendo da escolha do receptor dos ditos. Quanto menor for a percentagem do lucro tributada pelo IRC, maior a restante percentagem que pode ser destinada a ambos estes fins.
3. O investimento é importante porque permite criar capacidade produtiva através da acumulação de capital, isto é, através do aumento dos bens de capital existentes na economia per capita (chama-se a isto o rácio capital-trabalho). Quanto maior for o rácio capital-trabalho, maior a produtividade desse trabalho. Quanto maior a produtividade, maior a riqueza criada por pessoa numa determinada economia. Quanto maior o crescimento da produtividade, maior o crescimento da economia, isto é, maior o crescimento do PNB per capita (que, em última instância, mede exactamente isso: a produtividade da economia – isto não é inteiramente verdade, mas quase).
4. O crescimento económico aumenta o rendimento per capita, porque o rendimento per capita aumenta com o PNB per capita. Um maior rendimento permite-nos uma maior disponibilidade material para dela fazermos o que quisermos – consumir, poupar, investir...
5. Um rendimento maior aumenta o nosso bem-estar, exactamente porque o nosso rendimento é uma parte importante do nosso bem-estar. Não é a única, mas é uma parte, e uma parte até bastante importante.
[Luciano Amaral]

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