Em tempos difíceis é confortável, tentador mesmo, enfiar a cabeça na areia a ver se o temporal passa. Esta tem sido, até ao momento, a atitude preferida do PS, em particular neste debate. Entrincheirando-se na posição mais cómoda - a de não querer discutir quaisquer cortes na despesa pública -, sugere que a solução está em "políticas de crescimento" (ignorando que foram essas políticas voluntaristas que nos trouxeram até este buraco) e em viagens pela Europa para "renegociar" os juros e os prazos da dívida. É um duplo logro. Primeiro, porque, mesmo que aliviássemos um pouco os juros, não evitávamos ter de cortar em todas as outras despesas. Depois, porque, ao contrário do que é voz corrente, os juros que pagamos à troika são tudo menos usurários ou punitivos, um coro que começou na extrema-esquerda, continuou no Conselho Económico e Social e conhece agora a adesão de António José Seguro. Senão vejamos: de acordo com o Jornal de Negócios, a taxa que pagamos aos nossos parceiros europeus está entre os 3% e os 3,2%, com maturidades relativamente longas (12 anos). É menos do que pagamos aos FMI (4,7%), menos do que pagamos aos privados (4,35%) e bem menos do que têm pago a Itália e a Espanha, quando vão aos mercados. Estas taxas já baixaram desde que foram aceites por José Sócrates (ser "bom aluno" e negociar discretamente dá algum resultado...) e podem baixar ainda mais, mas não muito mais. Não será só por aqui que nos salvamos, até porque no passado beneficiámos de taxas de juro mais baixas e não deixámos por isso de nos endividar. O trabalho tem mesmo de começar dentro de casa, o resto é pouco mais do que fogo-fátuo.
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Em tempos difíceis é confortável, tentador mesmo, enfiar a cabeça na areia a ver se o temporal passa. Esta tem sido, até ao momento, a atitude preferida do PS, em particular neste debate. Entrincheirando-se na posição mais cómoda - a de não querer discutir quaisquer cortes na despesa pública -, sugere que a solução está em "políticas de crescimento" (ignorando que foram essas políticas voluntaristas que nos trouxeram até este buraco) e em viagens pela Europa para "renegociar" os juros e os prazos da dívida. É um duplo logro. Primeiro, porque, mesmo que aliviássemos um pouco os juros, não evitávamos ter de cortar em todas as outras despesas. Depois, porque, ao contrário do que é voz corrente, os juros que pagamos à troika são tudo menos usurários ou punitivos, um coro que começou na extrema-esquerda, continuou no Conselho Económico e Social e conhece agora a adesão de António José Seguro. Senão vejamos: de acordo com o Jornal de Negócios, a taxa que pagamos aos nossos parceiros europeus está entre os 3% e os 3,2%, com maturidades relativamente longas (12 anos). É menos do que pagamos aos FMI (4,7%), menos do que pagamos aos privados (4,35%) e bem menos do que têm pago a Itália e a Espanha, quando vão aos mercados. Estas taxas já baixaram desde que foram aceites por José Sócrates (ser "bom aluno" e negociar discretamente dá algum resultado...) e podem baixar ainda mais, mas não muito mais. Não será só por aqui que nos salvamos, até porque no passado beneficiámos de taxas de juro mais baixas e não deixámos por isso de nos endividar. O trabalho tem mesmo de começar dentro de casa, o resto é pouco mais do que fogo-fátuo.
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