Em 2005 foram uma das boas surpresas da geração de bandas que revisitou o pós-punk ao longo desta década, servindo em "The Back Room" uma estreia convincente e auspiciosa, devedora de muitas refêrências incontornáveis - Joy Division, Echo and the Bunnymen - ainda que com com uma personalidade já denunciada.Este ano, os Editors regressaram com "An End Has a Start", um digno sucessor que manteve o carisma de um projecto seguro, não alargando muito os seus horizontes musicais mas cimentando as boas impressões iniciais.Estes dois registos constituíram o cerne do alinhamento de ontem no Pavilhão do Restelo, onde o jovem quarteto de Birmingham se apresentou pela segunda vez em Portugal após uma breve passagem pelo festival Super Bock Super Rock do ano passado.Com uma rápida e pontualíssima entrada em palco (precisamente às anunciadas 22 horas), iniciaram o espectáculo com o tema de abertura do disco de estreia, "Lights", sendo imediatamente aplaudidos pelo público que aí preenchia já quase todo o recinto.O vocalista Tom Smith, que em disco remete para a carga soturna de vocalistas urbano-depressivos da década de 80, exibiu uma vivacidade que contrastou com o tom melancólico da maioria das canções, e subiu para cima do piano logo aos primeiros minutos, gerando uma química com os espectadores que se manteve ao longo da quase hora e meia de concerto.A banda satisfez tanto em momentos dinâmicos e épicos como "Bones" ou "An End Has a Start" como nos mais contemplativos e serenos "The Weight of the World" ou "When Anger Shows", perdendo pouco tempo com conversas com a audiência - embora Smith não tenha sido parco nos já tradicionais "obrigados" - e oferecendo uma rápida sucessão de temas, praticamente sem pausas, impondo um ritmo que só desacelerou em episódios de alguma monotonia como "Spiders".Esta e algumas outras canções do segundo álbum, ainda que bem recebidas e muito aplaudidas, perderam na comparação com as do primeiro, que felizmente dominaram grande parte do repertório.Singles certeiros como "Bullets" ou "Blood" despoletaram uma óbvia resposta emocional do público, e a magnífica "Munich", que ainda é a melhor canção do grupo, foi a responsável pelo pico de intensidade da noite, surgindo numa versão mais longa do que a do disco (sendo também das poucas que se diferenciou do original).Entre passagens pelos dois discos hove ainda espaço para um inédito, "Banging Heads", e o lado-B "You Are Fading", ambos igualmente bem acolhidos, complementando uma sucessão de consistentes portentos de rock negro ora dançável ora medidativo.Com uma actuação escorreita e empenhada, os Editors só não entusiasmaram quando a bateria e a guitarra eclipsaram o piano em demasiadas ocasiões, ou quando Smith procurou imitar os trejeitos vocais de Ian Curtis, algo de que não precisou nos discos e que ao vivo soou forçado e balofo, comprometendo o carisma de algumas canções. Não ameaçaram, no entanto, as reacções do público, sempre dedicado e atento, que acompanhou muitas vezes o vocalista e revelou-se um profundo conhecedor da discografia da banda.A julgar pelo entusiasmo mútuo entre os espectadores e o grupo, os Editors têm carta branca para voltar a Portugal, e espera-se que caso o façam incluam no alinhamento "Camera", um dos melhores temas do primeiro álbum e uma das falhas de uma noite interessante e a espaços tão empolgante como a resposta dos espectadores sugeriu.Antes do quarteto de Birmingham subir a palco, coube a Mazgani receber o público que foi chegando sem pressas. O músico iraniano, actualmente a residir em Setúbal, levou ao Pavilhão do Restelo o seu álbum de estreia, "Song of the New Heart", substituindo os previstos Boxer Rebellion. Durante pouco mais de meia hora, o cantor e a sua banda obtiveram uma quantidade assinalável de aplausos após uma actuação competente, vincada pela matriz singer songwriter que por vezes lembrou a angústia de um Nick Cave. Não sendo a primeira parte mais óbvia ara um concerto dos Editors, acabou por antecipar eficazmente o rock negro que se seguiu. E O VEREDICTO É: 3/5 - BOM
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Em 2005 foram uma das boas surpresas da geração de bandas que revisitou o pós-punk ao longo desta década, servindo em "The Back Room" uma estreia convincente e auspiciosa, devedora de muitas refêrências incontornáveis - Joy Division, Echo and the Bunnymen - ainda que com com uma personalidade já denunciada.Este ano, os Editors regressaram com "An End Has a Start", um digno sucessor que manteve o carisma de um projecto seguro, não alargando muito os seus horizontes musicais mas cimentando as boas impressões iniciais.Estes dois registos constituíram o cerne do alinhamento de ontem no Pavilhão do Restelo, onde o jovem quarteto de Birmingham se apresentou pela segunda vez em Portugal após uma breve passagem pelo festival Super Bock Super Rock do ano passado.Com uma rápida e pontualíssima entrada em palco (precisamente às anunciadas 22 horas), iniciaram o espectáculo com o tema de abertura do disco de estreia, "Lights", sendo imediatamente aplaudidos pelo público que aí preenchia já quase todo o recinto.O vocalista Tom Smith, que em disco remete para a carga soturna de vocalistas urbano-depressivos da década de 80, exibiu uma vivacidade que contrastou com o tom melancólico da maioria das canções, e subiu para cima do piano logo aos primeiros minutos, gerando uma química com os espectadores que se manteve ao longo da quase hora e meia de concerto.A banda satisfez tanto em momentos dinâmicos e épicos como "Bones" ou "An End Has a Start" como nos mais contemplativos e serenos "The Weight of the World" ou "When Anger Shows", perdendo pouco tempo com conversas com a audiência - embora Smith não tenha sido parco nos já tradicionais "obrigados" - e oferecendo uma rápida sucessão de temas, praticamente sem pausas, impondo um ritmo que só desacelerou em episódios de alguma monotonia como "Spiders".Esta e algumas outras canções do segundo álbum, ainda que bem recebidas e muito aplaudidas, perderam na comparação com as do primeiro, que felizmente dominaram grande parte do repertório.Singles certeiros como "Bullets" ou "Blood" despoletaram uma óbvia resposta emocional do público, e a magnífica "Munich", que ainda é a melhor canção do grupo, foi a responsável pelo pico de intensidade da noite, surgindo numa versão mais longa do que a do disco (sendo também das poucas que se diferenciou do original).Entre passagens pelos dois discos hove ainda espaço para um inédito, "Banging Heads", e o lado-B "You Are Fading", ambos igualmente bem acolhidos, complementando uma sucessão de consistentes portentos de rock negro ora dançável ora medidativo.Com uma actuação escorreita e empenhada, os Editors só não entusiasmaram quando a bateria e a guitarra eclipsaram o piano em demasiadas ocasiões, ou quando Smith procurou imitar os trejeitos vocais de Ian Curtis, algo de que não precisou nos discos e que ao vivo soou forçado e balofo, comprometendo o carisma de algumas canções. Não ameaçaram, no entanto, as reacções do público, sempre dedicado e atento, que acompanhou muitas vezes o vocalista e revelou-se um profundo conhecedor da discografia da banda.A julgar pelo entusiasmo mútuo entre os espectadores e o grupo, os Editors têm carta branca para voltar a Portugal, e espera-se que caso o façam incluam no alinhamento "Camera", um dos melhores temas do primeiro álbum e uma das falhas de uma noite interessante e a espaços tão empolgante como a resposta dos espectadores sugeriu.Antes do quarteto de Birmingham subir a palco, coube a Mazgani receber o público que foi chegando sem pressas. O músico iraniano, actualmente a residir em Setúbal, levou ao Pavilhão do Restelo o seu álbum de estreia, "Song of the New Heart", substituindo os previstos Boxer Rebellion. Durante pouco mais de meia hora, o cantor e a sua banda obtiveram uma quantidade assinalável de aplausos após uma actuação competente, vincada pela matriz singer songwriter que por vezes lembrou a angústia de um Nick Cave. Não sendo a primeira parte mais óbvia ara um concerto dos Editors, acabou por antecipar eficazmente o rock negro que se seguiu. E O VEREDICTO É: 3/5 - BOM