04.JUN.2014 09:29
Desemprego tem segunda maior queda homóloga
Taxa fixou-se nos 14,6% em abril (Foto: D.R.)
Portugal conseguiu em abril a segunda maior queda homóloga do desemprego na União Europeia, com a taxa de desemprego a fixar-se nos 14,6%, depois dos 17,3% em abril de 2013. Mas onde o Governo vê recuperação económica, oposição e sindicatos veem um desafasamento da economia real.
Desde 1984, salientou o presidente do grupo parlamentar do CDS, Nuno Magalhães, que a queda homóloga do desemprego não registava valores tão significativos. Na comparação em cadeia, os resultados também são positivos: há 15 meses que o desemprego tem vindo a diminuir e, de março para abril, recuou 0,2%. Portugal consegue assim melhores resultados que a Grécia (com 26,5% em fevereiro) e que a Espanha (25,1%), mas continua a apresentar números muito acima da média europeia.
Segundo os dados do Eurostat, a taxa de desemprego caiu 0,1% tanto na zona euro como na União Europeia, entre março e abril, para 11,7% e 10,4%, respetivamente. No total, são 25.471 milhões de desempregados na UE em abril, dos quais 18.751 milhões apenas na zona euro. Em Portugal, registaram-se 753 mil desempregados em abril, face aos 900 mil de abril do ano passado.
São precisamente estes números que Óscar Gaspar, assessor económico do PS, questiona: "Alguém acredita que tenham sido criados 150 mil postos de trabalho no último ano em Portugal?" Isto porque "sem crescimento económico, não pode haver crescimento do emprego", afirma, lembrando que, em 2013, o PIB recuou 1,4% em relação a 2012 e, no primeiro trimestre de 2014, a economia caiu 0,7%, neste caso em relação ao trimestre anterior. Assim, encontra três explicações: a redução da população ativa, o aumento da emigração e os cursos de formação promovidos pelo Governo, que fazem com que os seus participantes deixem de contar como desempregados. A posição é partilhada pelo dirigente da CGTP Joaquim Dionísio, que critica que "para estar empregado, basta ter trabalhado umas horas no mês anterior; para não constar nas estatísticas do desemprego, basta a pessoa não procurar emprego".
O economista João Duque também reconhece que o número de pessoas inativas e a emigração distorcem a taxa de desemprego, mas vê o crescimento da economia de outra perspetiva. "Há uma recuperação da atividade económica, isso é óbvio", diz, referindo-se ao aumento homólogo de 1,6% do PIB no quarto trimestre de 2013 e de 1,2% no primeiro trimestre de 2014. "A economia está a crescer e, se está a crescer, tem de absorver desempregados", afirma.
Desemprego jovem. Taxa mantém-se a sexta mais alta da EU
Portugal continua entre os países com maiores taxas de desemprego jovem, embora tenha conseguido melhorar, quer em termos homólogos, quer em cadeia. Em abril, a taxa de desemprego jovem fixou-se em 36,1%, representando 141 mil jovens, face aos 36,3% de março e aos 40,3% de abril de 2013. No topo desta lista, mantém-se a Grécia, com 56,9% em fevereiro e a Espanha, com 53,5%. Rafaela Burd Relvas
Partilhar:
Notícias Relacionadas
Pesquisa
Siga-nos em:
Tamanho do texto
Categorias
Entidades
04.JUN.2014 09:29
Desemprego tem segunda maior queda homóloga
Taxa fixou-se nos 14,6% em abril (Foto: D.R.)
Portugal conseguiu em abril a segunda maior queda homóloga do desemprego na União Europeia, com a taxa de desemprego a fixar-se nos 14,6%, depois dos 17,3% em abril de 2013. Mas onde o Governo vê recuperação económica, oposição e sindicatos veem um desafasamento da economia real.
Desde 1984, salientou o presidente do grupo parlamentar do CDS, Nuno Magalhães, que a queda homóloga do desemprego não registava valores tão significativos. Na comparação em cadeia, os resultados também são positivos: há 15 meses que o desemprego tem vindo a diminuir e, de março para abril, recuou 0,2%. Portugal consegue assim melhores resultados que a Grécia (com 26,5% em fevereiro) e que a Espanha (25,1%), mas continua a apresentar números muito acima da média europeia.
Segundo os dados do Eurostat, a taxa de desemprego caiu 0,1% tanto na zona euro como na União Europeia, entre março e abril, para 11,7% e 10,4%, respetivamente. No total, são 25.471 milhões de desempregados na UE em abril, dos quais 18.751 milhões apenas na zona euro. Em Portugal, registaram-se 753 mil desempregados em abril, face aos 900 mil de abril do ano passado.
São precisamente estes números que Óscar Gaspar, assessor económico do PS, questiona: "Alguém acredita que tenham sido criados 150 mil postos de trabalho no último ano em Portugal?" Isto porque "sem crescimento económico, não pode haver crescimento do emprego", afirma, lembrando que, em 2013, o PIB recuou 1,4% em relação a 2012 e, no primeiro trimestre de 2014, a economia caiu 0,7%, neste caso em relação ao trimestre anterior. Assim, encontra três explicações: a redução da população ativa, o aumento da emigração e os cursos de formação promovidos pelo Governo, que fazem com que os seus participantes deixem de contar como desempregados. A posição é partilhada pelo dirigente da CGTP Joaquim Dionísio, que critica que "para estar empregado, basta ter trabalhado umas horas no mês anterior; para não constar nas estatísticas do desemprego, basta a pessoa não procurar emprego".
O economista João Duque também reconhece que o número de pessoas inativas e a emigração distorcem a taxa de desemprego, mas vê o crescimento da economia de outra perspetiva. "Há uma recuperação da atividade económica, isso é óbvio", diz, referindo-se ao aumento homólogo de 1,6% do PIB no quarto trimestre de 2013 e de 1,2% no primeiro trimestre de 2014. "A economia está a crescer e, se está a crescer, tem de absorver desempregados", afirma.
Desemprego jovem. Taxa mantém-se a sexta mais alta da EU
Portugal continua entre os países com maiores taxas de desemprego jovem, embora tenha conseguido melhorar, quer em termos homólogos, quer em cadeia. Em abril, a taxa de desemprego jovem fixou-se em 36,1%, representando 141 mil jovens, face aos 36,3% de março e aos 40,3% de abril de 2013. No topo desta lista, mantém-se a Grécia, com 56,9% em fevereiro e a Espanha, com 53,5%. Rafaela Burd Relvas
Partilhar:
Notícias Relacionadas
Pesquisa
Siga-nos em:
Tamanho do texto