Inquérito ao BES. Zeinal Bava não tem memória de aplicações no GES

26-02-2015
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Zeinal Bava, ex-lider executivo da PT, que está a ser interrogado, nesta quinta-feira, na comissão parlamentar de inquérito ao BES afirmou: “Não tenho memória desse tema específico”, quando questionado sobre o investimento feito em instrumentos de dívida da Espírito Santo International (ESI) e da Rioforte, holdings do Grupo Espírito Santo (GES) que estão em processo de falência. Pressionado a revelar quem tomou decisões na subscrição de papel comercial do GES, Bava disse não querer “fulanizar” e acrescentou que “um investimento no sistema financeiro apresenta sempre o risco sistémico” e que “nunca se pensou que o BES fosse falir”. E para a PT investir no BES era o mesmo que investir no BES. Chegou a haver cartas conforto, mas Bava nunca revelou quem aprovou cada uma das operações.

Desde 2004 que havia autonomia da área financeira para aplicar excedentes de tesouraria, sem autorização prévia da comissão executiva, mas essas operações tinham de ser aprovadas por um destes três: o presidente executivo, o administrador financeiro e o diretor financeiro. Apesar de a comissão executiva a que presidiu ter aprovado os quadros dos investimentos de 500 milhões de euros na Espírito Santo Internacional, Bava não se lembra em concreto das operações. O investimento na Rioforte em 2014 resultou da renovação desta aplicação.

Zeinal Bava antes e Zeinal Bava depois

O gestor também não recorda o nível de concentração do investimento da PT no BES, que chegou a valores de 80% a 90% em 2013, o que lhe valeu uma reação da deputada do Bloco de Esquerda. “Não é amadorismo para quem ganhou tantos prémios?”, pergunta Mariana Mortágua. Duarte Marques do PSD desabafa: ficamos com a sensação que há um Zeinal Bava antes e um Zeinal Bava depois. Uma desilusão, foi a conclusão global.

Sobre as relações entre o BES, que era detentor de cerca de 10% do capital PT, e a operadora, que investiu somas elevadas da sua tesouraria no Grupo, Zeinal Bava afirmou: “Se me perguntar se [o accionista BES] era mais proativo, então o BES era mais proativo do que outros acionistas”. As respostas do antigo líder executivo da Portugal Telecom têm sido esquivas quanto à divulgação de informação concreta ou à atribuição de responsabilidades nas decisões que comprometeram a empresa com a queda do GES. Em resposta a um dos deputados que integra a comissão, Bava disse: “Lamento que diga que não fui esclarecedor, tenho feito tudo para ser o mais esclarecedor possível. Não consigo é responder a coisas que eu não sei e em relação às quais não tenho responsabilidade”.

O nome de Zeinal Bava é quase sinónimo de Portugal Telecom. O gestor entrou para a operadora em 2000 vindo da consultora Merril Lynch, desempenhou logo cargos de administrador e presidente de muitas empresas do grupo PT. Foi administrador financeiro da PT e presidente executivo até 2013, quando foi para a Oi, mas manteve-se presidente da PT Portugal até 2014. Foi uma testemunha e protagonista do crescimento da empresa e das relações com os acionistas em particular com o BES de Ricardo Salgado.

No entanto, ao longo da audição de seis horas, foi muitas as vezes que invocou não ter memória, recusando ainda a falar sobre temas que não eram da sua responsabilidade. Sobre as falhas no controlo das aplicações apontadas pela auditoria interna da PT e pela Price, Bava responde várias vezes: enquanto liderou a empresa, nunca houve reparos dos supervisores a procedimentos da PT na área financeira. A postura deixou os deputados várias vezes à beira de um ataque de nervos.

Bava procurou contrariar a tese de que a PT está falida, lembrando que foi vendida por mais de 7500 milhões e que deu muito a ganhar aos acionistas no passado recente. Sobre a atual cotação da PT SGPS diz que é preciso esperar para ver como vai evoluir a Oi.

Não contrariou diretamente Henrique Granadeiro, que o terá envolvido no conhecimento do investimento feito em 2014 na Rioforte, mas sublinhou que terá havido um equívoco de conceitos. Garante que a gestão da tesouraria de PT Portugal só mudou para a Oi em maio de 2014. Não se lembra da preocupação manifestada em 2010 por o seu administrador financeiro, Luís Pacheco de Melo, contra o aumento da exposição da empresa ao GES, porque o protesto não terá sido “veemente”.

Foi com a venda da Vivo em 2010, que a PT acelerou as aplicações no GES depois de a administração ter decidido aplicar o excedente de liquidez nos dois bancos com quem tinha uma parceria, o BES e a Caixa. Mas foi no BES que acabou por ficar quase tudo, ainda que Bava garanta nunca ter discutido aplicações em títulos com Ricardo Salgado, reconhece que a PT só investiu em títulos do GES e de mais nenhuma empresa.

No final, deixou uma palavra de apreço aos trabalhadores e assegurou que nunca quis ser “intelectualmente deselegante”.

Zeinal Bava, ex-lider executivo da PT, que está a ser interrogado, nesta quinta-feira, na comissão parlamentar de inquérito ao BES afirmou: “Não tenho memória desse tema específico”, quando questionado sobre o investimento feito em instrumentos de dívida da Espírito Santo International (ESI) e da Rioforte, holdings do Grupo Espírito Santo (GES) que estão em processo de falência. Pressionado a revelar quem tomou decisões na subscrição de papel comercial do GES, Bava disse não querer “fulanizar” e acrescentou que “um investimento no sistema financeiro apresenta sempre o risco sistémico” e que “nunca se pensou que o BES fosse falir”. E para a PT investir no BES era o mesmo que investir no BES. Chegou a haver cartas conforto, mas Bava nunca revelou quem aprovou cada uma das operações.

Desde 2004 que havia autonomia da área financeira para aplicar excedentes de tesouraria, sem autorização prévia da comissão executiva, mas essas operações tinham de ser aprovadas por um destes três: o presidente executivo, o administrador financeiro e o diretor financeiro. Apesar de a comissão executiva a que presidiu ter aprovado os quadros dos investimentos de 500 milhões de euros na Espírito Santo Internacional, Bava não se lembra em concreto das operações. O investimento na Rioforte em 2014 resultou da renovação desta aplicação.

Zeinal Bava antes e Zeinal Bava depois

O gestor também não recorda o nível de concentração do investimento da PT no BES, que chegou a valores de 80% a 90% em 2013, o que lhe valeu uma reação da deputada do Bloco de Esquerda. “Não é amadorismo para quem ganhou tantos prémios?”, pergunta Mariana Mortágua. Duarte Marques do PSD desabafa: ficamos com a sensação que há um Zeinal Bava antes e um Zeinal Bava depois. Uma desilusão, foi a conclusão global.

Sobre as relações entre o BES, que era detentor de cerca de 10% do capital PT, e a operadora, que investiu somas elevadas da sua tesouraria no Grupo, Zeinal Bava afirmou: “Se me perguntar se [o accionista BES] era mais proativo, então o BES era mais proativo do que outros acionistas”. As respostas do antigo líder executivo da Portugal Telecom têm sido esquivas quanto à divulgação de informação concreta ou à atribuição de responsabilidades nas decisões que comprometeram a empresa com a queda do GES. Em resposta a um dos deputados que integra a comissão, Bava disse: “Lamento que diga que não fui esclarecedor, tenho feito tudo para ser o mais esclarecedor possível. Não consigo é responder a coisas que eu não sei e em relação às quais não tenho responsabilidade”.

O nome de Zeinal Bava é quase sinónimo de Portugal Telecom. O gestor entrou para a operadora em 2000 vindo da consultora Merril Lynch, desempenhou logo cargos de administrador e presidente de muitas empresas do grupo PT. Foi administrador financeiro da PT e presidente executivo até 2013, quando foi para a Oi, mas manteve-se presidente da PT Portugal até 2014. Foi uma testemunha e protagonista do crescimento da empresa e das relações com os acionistas em particular com o BES de Ricardo Salgado.

No entanto, ao longo da audição de seis horas, foi muitas as vezes que invocou não ter memória, recusando ainda a falar sobre temas que não eram da sua responsabilidade. Sobre as falhas no controlo das aplicações apontadas pela auditoria interna da PT e pela Price, Bava responde várias vezes: enquanto liderou a empresa, nunca houve reparos dos supervisores a procedimentos da PT na área financeira. A postura deixou os deputados várias vezes à beira de um ataque de nervos.

Bava procurou contrariar a tese de que a PT está falida, lembrando que foi vendida por mais de 7500 milhões e que deu muito a ganhar aos acionistas no passado recente. Sobre a atual cotação da PT SGPS diz que é preciso esperar para ver como vai evoluir a Oi.

Não contrariou diretamente Henrique Granadeiro, que o terá envolvido no conhecimento do investimento feito em 2014 na Rioforte, mas sublinhou que terá havido um equívoco de conceitos. Garante que a gestão da tesouraria de PT Portugal só mudou para a Oi em maio de 2014. Não se lembra da preocupação manifestada em 2010 por o seu administrador financeiro, Luís Pacheco de Melo, contra o aumento da exposição da empresa ao GES, porque o protesto não terá sido “veemente”.

Foi com a venda da Vivo em 2010, que a PT acelerou as aplicações no GES depois de a administração ter decidido aplicar o excedente de liquidez nos dois bancos com quem tinha uma parceria, o BES e a Caixa. Mas foi no BES que acabou por ficar quase tudo, ainda que Bava garanta nunca ter discutido aplicações em títulos com Ricardo Salgado, reconhece que a PT só investiu em títulos do GES e de mais nenhuma empresa.

No final, deixou uma palavra de apreço aos trabalhadores e assegurou que nunca quis ser “intelectualmente deselegante”.

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