DECO analisa as vantagens e desvantagens dos cartões de saúde
DECO
20 Set 2014
Os cartões de saúde são mais baratos, mas o seu uso é muito limitado para quem vive fora dos grandes centros urbanos. Os descontos variam consoante o médico e o estabelecimento.
Se, em caso de cirurgia, prefere ser atendido numa unidade do Serviço Nacional de Saúde e está sobretudo interessado em consultas de especialidade no privado ou em fazer um tratamento dentário dispendioso, pondere contratar um cartão de saúde, em vez de um seguro. Mediante um prémio anual, em regra, inferior a 200 euros por pessoa, acede a uma rede de hospitais, médicos ou clínicas de diagnóstico, com descontos entre 10% e 50% face ao preço-base. Nestes casos, compensa-lhe comprar um cartão e pagar as consultas ou tratamentos com desconto. No seguro, além do prémio anual, teria de pagar uma comparticipação ou a franquia por consulta.
Cartão de descontos e pouco mais
"Um seguro de saúde sem exclusões, limites de idade ou períodos de carência!" é um slogan frequentemente utilizado para promover cartões de saúde, fazendo os consumidores acreditar que poucas diferenças separam um seguro de um cartão. Mas a realidade é muito diferente. Num cartão, a entidade emissora - seja uma seguradora, um banco ou um prestador de saúde - não lhe paga quaisquer despesas. Disponibiliza apenas o acesso a uma rede de cuidados e serviços de saúde a preços mais reduzidos.
Por norma, os serviços incluem assistência médica e enfermagem ao domicílio, transporte gratuito em ambulância, aconselhamento médico telefónico, consultas de especialidade, exames complementares de diagnóstico e tratamentos. Por vezes, é possível aceder a uma rede de dentistas e oftalmologistas e, dependendo da modalidade do cartão, a um conjunto de serviços adicionais, como marcação de consultas, assistência em viagem, ‘check-up' anual e descontos em ginásios, ‘spas', medicinas alternativas e termas (rede de bem-estar).
Alguns cartões, à semelhança dos seguros, incluem uma cobertura de internamento e um subsídio diário. Mas a adesão está vedada a consumidores mais velhos, apenas uma parte da despesa é comparticipada e o limite da indemnização relativamente baixo. Se prevê fazer uma cirurgia em breve, estes cartões não são necessariamente uma alternativa aos seguros. Por exemplo, em caso de internamento hospitalar, o cartão da AMI, que custa 129 euros por ano, comparticipa 50% até um máximo de 5 mil euros. Neste caso, o consumidor tem de pagar metade da despesa e ainda a franquia de 500 euros, se a cirurgia for efectuada na rede do cartão, ou de 1.500 euros, se fora dela. Já os da Victoria (Base I + Hospitalização I e Base I + Hospitalização II) destacam-se pela positiva. Custam entre 86 e 144 euros, têm um capital de 25 mil euros por pessoa, com franquia de 10% ou de 2.500 euros, e permitem a adesão a consumidores até 64 anos, sem impor limite de idade de permanência. O SMP Platinum apresenta possivelmente a melhor cobertura, pagando 80% a 90% das despesas até ao limite de 10 mil euros, mas custa 349 euros. Por preço idêntico, é preferível um seguro.
Utilização comprometida
A Dinheiro & Direitos analisou 34 cartões de saúde com informação disponível na net: serviços, descontos concedidos, rede médica e preço.
Averiguou, para cada um, o acesso a consultas de rotina, como estomatologia, oftalmologia, ginecologia ou clínica geral. Foi tido ainda em conta as necessidades mais prováveis de uma família com crianças ou as de consumidores com mais idade - consultas de pediatria, otorrinolaringologia, ortopedia, alergologia ou dermatologia, fisioterapia, análises clínicas, radiografias e ressonância magnética. Para isso, verificou se estas especialidades e serviços estavam disponíveis em grandes cidades, como Lisboa, Porto ou Leiria, e nas mais pequenas, como Águeda ou Tavira.
As conclusões são transversais a todos os cartões. Nas capitais de distrito não houve dificuldade em encontrar uma rede de médicos e de serviços que satisfizesse estas necessidades. Mas a realidade é bem diferente fora dos grandes centros urbanos. Em Tavira e em Águeda, por exemplo, foram encontrados médicos de clínica geral, de medicina dentária, clínicas de análises e pouco mais. Ou seja, quem mora em cidades mais pequenas arrisca-se a ter de se deslocar alguns quilómetros para poder beneficiar das vantagens de um cartão.
Oferta direccionada
Não é fácil escolher um cartão. A oferta é muita e quase sempre difícil de comparar. O conselho da Dinheiro & Direitos: use o quadro publicado ao lado como ponto de partida. Veja que cartões oferecem os serviços que mais lhe interessam e depois analise, para cada um, a rede de prestadores. A maioria dos cartões disponibiliza o directório clínico na sua página da internet. Tal permite-lhe saber se existem médicos na sua área de residência, nomeadamente os especialistas que já o seguem.
Outro critério a pesar é a percentagem de desconto nos médicos e serviços da rede, que pode variar muito. Considere ainda o custo anual do cartão. Se for muito elevado, e dependendo da utilização que prevê fazer, pode não compensar o desconto que obterá no preço dos cuidados médicos. Existem ainda cartões direccionados para necessidades específicas, por exemplo, para consumidores seniores ou para quem só quer tratar dos dentes. Não vale a pena pagar por serviços que nunca irá usar.
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DECO analisa as vantagens e desvantagens dos cartões de saúde
DECO
20 Set 2014
Os cartões de saúde são mais baratos, mas o seu uso é muito limitado para quem vive fora dos grandes centros urbanos. Os descontos variam consoante o médico e o estabelecimento.
Se, em caso de cirurgia, prefere ser atendido numa unidade do Serviço Nacional de Saúde e está sobretudo interessado em consultas de especialidade no privado ou em fazer um tratamento dentário dispendioso, pondere contratar um cartão de saúde, em vez de um seguro. Mediante um prémio anual, em regra, inferior a 200 euros por pessoa, acede a uma rede de hospitais, médicos ou clínicas de diagnóstico, com descontos entre 10% e 50% face ao preço-base. Nestes casos, compensa-lhe comprar um cartão e pagar as consultas ou tratamentos com desconto. No seguro, além do prémio anual, teria de pagar uma comparticipação ou a franquia por consulta.
Cartão de descontos e pouco mais
"Um seguro de saúde sem exclusões, limites de idade ou períodos de carência!" é um slogan frequentemente utilizado para promover cartões de saúde, fazendo os consumidores acreditar que poucas diferenças separam um seguro de um cartão. Mas a realidade é muito diferente. Num cartão, a entidade emissora - seja uma seguradora, um banco ou um prestador de saúde - não lhe paga quaisquer despesas. Disponibiliza apenas o acesso a uma rede de cuidados e serviços de saúde a preços mais reduzidos.
Por norma, os serviços incluem assistência médica e enfermagem ao domicílio, transporte gratuito em ambulância, aconselhamento médico telefónico, consultas de especialidade, exames complementares de diagnóstico e tratamentos. Por vezes, é possível aceder a uma rede de dentistas e oftalmologistas e, dependendo da modalidade do cartão, a um conjunto de serviços adicionais, como marcação de consultas, assistência em viagem, ‘check-up' anual e descontos em ginásios, ‘spas', medicinas alternativas e termas (rede de bem-estar).
Alguns cartões, à semelhança dos seguros, incluem uma cobertura de internamento e um subsídio diário. Mas a adesão está vedada a consumidores mais velhos, apenas uma parte da despesa é comparticipada e o limite da indemnização relativamente baixo. Se prevê fazer uma cirurgia em breve, estes cartões não são necessariamente uma alternativa aos seguros. Por exemplo, em caso de internamento hospitalar, o cartão da AMI, que custa 129 euros por ano, comparticipa 50% até um máximo de 5 mil euros. Neste caso, o consumidor tem de pagar metade da despesa e ainda a franquia de 500 euros, se a cirurgia for efectuada na rede do cartão, ou de 1.500 euros, se fora dela. Já os da Victoria (Base I + Hospitalização I e Base I + Hospitalização II) destacam-se pela positiva. Custam entre 86 e 144 euros, têm um capital de 25 mil euros por pessoa, com franquia de 10% ou de 2.500 euros, e permitem a adesão a consumidores até 64 anos, sem impor limite de idade de permanência. O SMP Platinum apresenta possivelmente a melhor cobertura, pagando 80% a 90% das despesas até ao limite de 10 mil euros, mas custa 349 euros. Por preço idêntico, é preferível um seguro.
Utilização comprometida
A Dinheiro & Direitos analisou 34 cartões de saúde com informação disponível na net: serviços, descontos concedidos, rede médica e preço.
Averiguou, para cada um, o acesso a consultas de rotina, como estomatologia, oftalmologia, ginecologia ou clínica geral. Foi tido ainda em conta as necessidades mais prováveis de uma família com crianças ou as de consumidores com mais idade - consultas de pediatria, otorrinolaringologia, ortopedia, alergologia ou dermatologia, fisioterapia, análises clínicas, radiografias e ressonância magnética. Para isso, verificou se estas especialidades e serviços estavam disponíveis em grandes cidades, como Lisboa, Porto ou Leiria, e nas mais pequenas, como Águeda ou Tavira.
As conclusões são transversais a todos os cartões. Nas capitais de distrito não houve dificuldade em encontrar uma rede de médicos e de serviços que satisfizesse estas necessidades. Mas a realidade é bem diferente fora dos grandes centros urbanos. Em Tavira e em Águeda, por exemplo, foram encontrados médicos de clínica geral, de medicina dentária, clínicas de análises e pouco mais. Ou seja, quem mora em cidades mais pequenas arrisca-se a ter de se deslocar alguns quilómetros para poder beneficiar das vantagens de um cartão.
Oferta direccionada
Não é fácil escolher um cartão. A oferta é muita e quase sempre difícil de comparar. O conselho da Dinheiro & Direitos: use o quadro publicado ao lado como ponto de partida. Veja que cartões oferecem os serviços que mais lhe interessam e depois analise, para cada um, a rede de prestadores. A maioria dos cartões disponibiliza o directório clínico na sua página da internet. Tal permite-lhe saber se existem médicos na sua área de residência, nomeadamente os especialistas que já o seguem.
Outro critério a pesar é a percentagem de desconto nos médicos e serviços da rede, que pode variar muito. Considere ainda o custo anual do cartão. Se for muito elevado, e dependendo da utilização que prevê fazer, pode não compensar o desconto que obterá no preço dos cuidados médicos. Existem ainda cartões direccionados para necessidades específicas, por exemplo, para consumidores seniores ou para quem só quer tratar dos dentes. Não vale a pena pagar por serviços que nunca irá usar.