BPI trava a fundo no crédito para responder a crise
Maria Teixeira Alves
29 Abr 2011
O BPI consegue manter lucro de 45,3 milhões no trimestre e o crédito em apenas 113% dos depósitos.
O BPI está a incentivar o aumento da poupança (depósitos) para se defender da actual crise financeira. O presidente executivo do BPI, para cujo novo mandato foi eleito esta semana, defendeu mesmo que "os depósitos são a principal fonte de financiamento dos bancos comerciais". Isto para responder ao facto dos mercados financeiros continuarem fechados para Portugal. Segundo Fernando Ulrich a sua gestão "tem posicionado o banco para não precisar dos mercados financeiros para se financiar". De facto, o BPI apresentou um rácio consolidado de transformação de recursos de clientes (depósitos e obrigações colocadas em clientes) em crédito, de 113%. Apesar de em Portugal esse rácio ter-se situado em 128%.
A flexibilidade da gestão da liquidez é dos pontos mais positivos da política do BPI. O banco reduziu para zero o recurso aos fundos do BCE (era de mil milhões em Dezembro de 2010). Neste momento o BPI continua a ter activos elegíveis para ir ao BCE, para trocar por liquidez, na ordem dos 5,9 mil milhões de euros, embora não os esteja usar. O facto do BPI andar a evitar recorrer ao BCE, tem um preço: ao privilegiar o financiamento através de depósitos faz com que o custo do ‘funding' (financiamento) seja muito mais alto. O financiamento no BCE tem uma taxa na ordem dos 1,25% e já a remuneração dos depósitos atinge um preço médio de 2,5% e 3%. Isto afecta a margem financeira. Em Portugal a margem financeira caiu 6%. Também as comissões caíram 6,6% num ano, sobretudo devido a um abrandamento da actividade comercial (cartões e crédito).
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BPI trava a fundo no crédito para responder a crise
Maria Teixeira Alves
29 Abr 2011
O BPI consegue manter lucro de 45,3 milhões no trimestre e o crédito em apenas 113% dos depósitos.
O BPI está a incentivar o aumento da poupança (depósitos) para se defender da actual crise financeira. O presidente executivo do BPI, para cujo novo mandato foi eleito esta semana, defendeu mesmo que "os depósitos são a principal fonte de financiamento dos bancos comerciais". Isto para responder ao facto dos mercados financeiros continuarem fechados para Portugal. Segundo Fernando Ulrich a sua gestão "tem posicionado o banco para não precisar dos mercados financeiros para se financiar". De facto, o BPI apresentou um rácio consolidado de transformação de recursos de clientes (depósitos e obrigações colocadas em clientes) em crédito, de 113%. Apesar de em Portugal esse rácio ter-se situado em 128%.
A flexibilidade da gestão da liquidez é dos pontos mais positivos da política do BPI. O banco reduziu para zero o recurso aos fundos do BCE (era de mil milhões em Dezembro de 2010). Neste momento o BPI continua a ter activos elegíveis para ir ao BCE, para trocar por liquidez, na ordem dos 5,9 mil milhões de euros, embora não os esteja usar. O facto do BPI andar a evitar recorrer ao BCE, tem um preço: ao privilegiar o financiamento através de depósitos faz com que o custo do ‘funding' (financiamento) seja muito mais alto. O financiamento no BCE tem uma taxa na ordem dos 1,25% e já a remuneração dos depósitos atinge um preço médio de 2,5% e 3%. Isto afecta a margem financeira. Em Portugal a margem financeira caiu 6%. Também as comissões caíram 6,6% num ano, sobretudo devido a um abrandamento da actividade comercial (cartões e crédito).