Em 2002, com "Seed To Sun", Boom Bip uniu a new-wave, os Beach Boys e o hip-hop para nos mostrar como seria o futuro. Agora quer o passado - e oferece-nos "Zig-Zaj". João Bonifácio
Há dez anos, quando o nome Boom Bip se tornou pela primeira vez sinónimo de loucura benigina, as coisas eram diferentes.
As tabelas de vendas ainda não eram exclusivamente ocupadas por hip-hop. A ideia de criar algo novo ainda era premente. O mp3 ainda era, em parte, arma de coleccionadores inveterados à procura de discos obscuros - e não algo que se acumula em massa no recesso de um computador. A indústria ainda não tinha morrido. Raios, a miudagem ainda tinha pudor em colocar fotos suas de bikini na net.
Por esses dias um bando de putos brancos avariados vindos de terras perdidas no interior da América uniu-se ao redor de um amor comum, o hip-hop. Resolveram homenagear o género da única forma que sabiam: espancado-o.
Faziam beats a partir de picadoras, rapavam com voz de um desenho animado a sofrer de um surto de prisão de ventre. Pagavam em pedaços de lixo encontrados num contentar, poliam-nos e davam de caras com ouro.
Desse grupo, chamado Anticon (que era tanto uma espécie de editora "do tt yourself" como uma comunidade anarca), constava um rapper "sui generis", Doseone, cuja voz nasalada se tornou imagem de marca. Doseone veio a alcançar um certo culto enquanto um terço dos seminais cLOUDDEAD, mas antes disso já tinha criado o seu grupo de fãs graças aos discos que fazia com um tal Bryan Holton.
Bryan Holton, conhecido no mundo da música por Boom Bip, nunca pertenceu à Anticon, mas é difícil não o associar à editora - além de trabalhar com os seus membros, há bastas semelhanças sonoras: tanto Bip como as mentes mais retorcidas da Anticon pareciam fazer discos cujo processo de composição consistia em pôr uma colecção inteira de vinis numa trituradora e depois colar os bocados resultantes segundo uma ordem inapreensível ao comum dos mortais. O resultado era vagamente glorioso.
Durante dois, três anos, aquela gente fez a mais espantosa música do século XXI, a única que de facto empurrou os limites do que entendemos por canção. Pensámos, ingenuamente, que aquilo era a revolução e que um dia toda a pop seria assim. E depois aquele tipos desapareceram do radar. Está certo: nunca mentes tão dementes poderiam alcançar o sucesso.
Até que em 2008 Holton se uniu a Gruff Rhys, dos Super Furry Animals, deu uma volta de 180 graus ao seu som e, sob a denominação Neon Neon, voltou a dar brado. Mas desta feita não se tratou de criar um som nunca antes ouvido - antes pelo contrário: "Stainless Style", o disco dos Neon Neon, era uma descarada cópia da pop sintéctica dos anos 1980. Não deu para vender milhões mas, numa época em que todos alcançam a glória durante 15 minutos, Holton teve direito aos seus inesperados 30 minutos de fama.
Guinadas
"Eu sempre brinquei com a pop, mesmo enquanto Boom Bip", diz Holton, que acaba de editar "Zig-Zaj", o seu sexto disco enquanto Boom Bip e primeiro em cinco anos e possivelmente uma nova tentativa de encontrar algum sucesso - pelo menos andam por lá convidados do calibre de um Alex Kapranos (Franz Ferdinand). "Mas os Neon Neon deram-me rédea solta para me dedicar só a isso. E de certa maneira acho que precisava de me dar o direito de trabalhar dentro de uma fórmula, sem estar sempre a criar curvas inesperadas dentro de cada canção. Tínhamos um fórmula, versão-refrão-verso, um som, e tratava-se apenas de não fugir à fórmula ou ao som. É o oposto do que costumo fazer enquanto Boom Bip".
É, de facto, o oposto. Mestre da electrónica com alma que fez alguns dos mais estranhos discos da última década, capaz de agradar tanto aos apaixonados da música aventureira como às gentes do rock - ao ponto de John Peel lhe ter chamado "Captain Beefheart dos tempos modernos" - Boom Bip seria mais facilmente encaixotado na prateleira da música vanguardista que na da pop. Os seus dois primeiros discos, "Circle" (a meias com Doseone) e o tremendo "Seed To Sun", eram puzzles que se completavam juntando peças que não encaixavam, bichos em constante movimento capazes de levar à loucura qualquer GPS que tentasse seguir-lhes os passos.
Neles a electrónica mais negra unia-se a harmonias solares e por vezes ficava-se com a impressão de que Brian Wilson tinha entrado em estúdio com os Anti-Pop Consortium.
Era nitidamente música de sujeito solitário, ideia corroborada por Holton: "Nos discos de Boom Bip, por norma, faço quase tudo sozinho e começo sempre do nada. É duro porque qualquer coisa pode ser o ponto de partida - e como tal o ponto de partida pode tornar-se muito difícil de encontrar. Em parte isso permite-me chegar a um fluxo de criatividade em que nunca se sabe o que vai acontecer. Um tema pode partir de um tom, de um arranjo de percussão, de uma melodia que tenho na cabeça. Mas às vezes é difícil juntar coisas do nada e fazer sentido. É como arrancar ar ao céu".
Cansado de ter de escavar sozinho dentro da cabeça, Holton reuniu uma banda (na qual se incluíam as duas meninas dos Warpaint) que, grosso modo, improvisavam enquanto Holton "gravava e manipulava o som". Por um lado, diz, "sentia falta de ter um banda e sentia falta de ter vocalistas, porque eles trazem sempre uma dose de inesperado às canções - sem as vozes as canções podiam ter acabado por se resumir a um beat a repetir-se". Por outro, a banda "ajudou a manter o disco unido, a manter um som ao longo do disco".
Curiosamente o resultado está nos antípodas da música que Holton fez com os Neon Neon. Não só "Zig- Zaj" traz de volta as guinadas constantes típicas dos primeiros discos de Boom Bip como está pejado de uma ruideira pouco habitual nos seus discos. "Neste disco usei mais pedais de guitarra", diz, e depois acrescenta a rir: "Parece coisa de puto, mas é como se tivesse acabado de descobrir o poder do pedal".
Blues e country
Como todos os discos de Boom Bip "Zig Zaj" tem um lado de banda-sonora de videojogo. Mas Holton diz nunca ter jogado videojogos. "Curiosamente", conta, "desde que este disco saiu duas companhias convidaram-se a fazer música para jogos. Ainda não sei se vou aceitar, mas tenho curiosidade em experimentar".
Bolton diz que, mais que soar a banda-sonora de videojogo, a sua música "é acima de tudo muito cinemática". "A experiência de ouvir um disco meu é semelhante a ouvir um disco dos Boards of Canada: pões os auscultadores, entras no metro e de repente isso torna-se num momento dramático".
"A música instrumental", continua, "tem um impacto maior" porque não tem de submeter-se a uma voz. "Centra-se em ti em vez de se centrar no artista que canta. A música funciona para ti, torna-se a banda-sonora do que estás a fazer ou a sentir. É uma música que convida à abstracção, que funciona como espelho".
Aos 37 anos não parece muito interessado em manter qualquer reputação de vanguardista. Descreve os seus discos como um rapaz do rock descreveria um disco confessional: "Sei que pode parecer estranho, porque são discos abstractos, mas para mim os discos de Boom Bip são diários. Se tivessem letras eram discos de blues ou country".
Esse é outro dado inesperado que nos oferece. É um grande fã de blues e country. Quando era miúdo em Cincinatti os pais obrigavam-no a ir à missa e depois tinha de "ir jantar a casa do [seu] avô. No fim da refeição ele obrigava-nos a ouvir os singles dele. Eu odiava. Só muito mais tarde ouvi aquela música por mim. E agora tenho os singles todos dessa colecção e adoro".
Os singles do avô eram compostos por gente como Hank Williams ou Johny Cash. Essa foi a primeira música que ouviu, antes de se tornar melómano convicto. "Na minha música ouço krautrock, surf-music, bebop - mas acima de tudo acho que tem alma. É isso que ouço: alma".
Holton, que passou os últimos anos a ouvir "música nigeriana e angolana" que encontra "em blogs que recuperem música que só foi gravada em cassete" diz-se triste com a forma como os miúdos ouvem música hoje. "Não é possível ouvir-se com atenção tanta música quanto os miúdos ouvem. Eles têm um momento de excitação com um disco e depois passam de imediato para outro, o que é perturbante. A maior parte dos grandes discos foram difíceis de ouvir à primeira vez. Se esses discos saíssem hoje não entrariam para a história porque ninguém os ouviria com a devida atenção".
É quase caricato ouvir isto da boca de um dos homens que, na última década, mais (e melhor) criou a partir da sua colecção de discos. É como se Boom Bip estivesse a rejeitar a característica que dá um carácter único à sua música, isto é, a voracidade de misturar todas as músicas. "Sou um grande crente em álbuns", explica. "É triste como hoje tudo se baseia em "baixar" canções. As minhas canções não funcionam sozinhas, precisam de um contexto, de um conceito sonoro a agregá-las".
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Todo o cientista tem o seu lado romântico e é como cientista romântico que ele atira, já no fim: "Não peço a ninguém que compre o meu disco. Peço que comprem um disco. Qualquer um. E ouçam-no durante um semana. Esse e só esse".
Todo o cientista tem o seu lado romântico e todo o vanguardista tem o seu lado reaccionário. Talvez Holton tenha razão, talvez os seus discos possam ser vistos como diários. Estão, pelo menos, tão cheios de contradições quanto o seu criador.
Ver crítica de discos págs.36 e segs.
Em 2002, com "Seed To Sun", Boom Bip uniu a new-wave, os Beach Boys e o hip-hop para nos mostrar como seria o futuro. Agora quer o passado - e oferece-nos "Zig-Zaj". João Bonifácio
Há dez anos, quando o nome Boom Bip se tornou pela primeira vez sinónimo de loucura benigina, as coisas eram diferentes.
As tabelas de vendas ainda não eram exclusivamente ocupadas por hip-hop. A ideia de criar algo novo ainda era premente. O mp3 ainda era, em parte, arma de coleccionadores inveterados à procura de discos obscuros - e não algo que se acumula em massa no recesso de um computador. A indústria ainda não tinha morrido. Raios, a miudagem ainda tinha pudor em colocar fotos suas de bikini na net.
Por esses dias um bando de putos brancos avariados vindos de terras perdidas no interior da América uniu-se ao redor de um amor comum, o hip-hop. Resolveram homenagear o género da única forma que sabiam: espancado-o.
Faziam beats a partir de picadoras, rapavam com voz de um desenho animado a sofrer de um surto de prisão de ventre. Pagavam em pedaços de lixo encontrados num contentar, poliam-nos e davam de caras com ouro.
Desse grupo, chamado Anticon (que era tanto uma espécie de editora "do tt yourself" como uma comunidade anarca), constava um rapper "sui generis", Doseone, cuja voz nasalada se tornou imagem de marca. Doseone veio a alcançar um certo culto enquanto um terço dos seminais cLOUDDEAD, mas antes disso já tinha criado o seu grupo de fãs graças aos discos que fazia com um tal Bryan Holton.
Bryan Holton, conhecido no mundo da música por Boom Bip, nunca pertenceu à Anticon, mas é difícil não o associar à editora - além de trabalhar com os seus membros, há bastas semelhanças sonoras: tanto Bip como as mentes mais retorcidas da Anticon pareciam fazer discos cujo processo de composição consistia em pôr uma colecção inteira de vinis numa trituradora e depois colar os bocados resultantes segundo uma ordem inapreensível ao comum dos mortais. O resultado era vagamente glorioso.
Durante dois, três anos, aquela gente fez a mais espantosa música do século XXI, a única que de facto empurrou os limites do que entendemos por canção. Pensámos, ingenuamente, que aquilo era a revolução e que um dia toda a pop seria assim. E depois aquele tipos desapareceram do radar. Está certo: nunca mentes tão dementes poderiam alcançar o sucesso.
Até que em 2008 Holton se uniu a Gruff Rhys, dos Super Furry Animals, deu uma volta de 180 graus ao seu som e, sob a denominação Neon Neon, voltou a dar brado. Mas desta feita não se tratou de criar um som nunca antes ouvido - antes pelo contrário: "Stainless Style", o disco dos Neon Neon, era uma descarada cópia da pop sintéctica dos anos 1980. Não deu para vender milhões mas, numa época em que todos alcançam a glória durante 15 minutos, Holton teve direito aos seus inesperados 30 minutos de fama.
Guinadas
"Eu sempre brinquei com a pop, mesmo enquanto Boom Bip", diz Holton, que acaba de editar "Zig-Zaj", o seu sexto disco enquanto Boom Bip e primeiro em cinco anos e possivelmente uma nova tentativa de encontrar algum sucesso - pelo menos andam por lá convidados do calibre de um Alex Kapranos (Franz Ferdinand). "Mas os Neon Neon deram-me rédea solta para me dedicar só a isso. E de certa maneira acho que precisava de me dar o direito de trabalhar dentro de uma fórmula, sem estar sempre a criar curvas inesperadas dentro de cada canção. Tínhamos um fórmula, versão-refrão-verso, um som, e tratava-se apenas de não fugir à fórmula ou ao som. É o oposto do que costumo fazer enquanto Boom Bip".
É, de facto, o oposto. Mestre da electrónica com alma que fez alguns dos mais estranhos discos da última década, capaz de agradar tanto aos apaixonados da música aventureira como às gentes do rock - ao ponto de John Peel lhe ter chamado "Captain Beefheart dos tempos modernos" - Boom Bip seria mais facilmente encaixotado na prateleira da música vanguardista que na da pop. Os seus dois primeiros discos, "Circle" (a meias com Doseone) e o tremendo "Seed To Sun", eram puzzles que se completavam juntando peças que não encaixavam, bichos em constante movimento capazes de levar à loucura qualquer GPS que tentasse seguir-lhes os passos.
Neles a electrónica mais negra unia-se a harmonias solares e por vezes ficava-se com a impressão de que Brian Wilson tinha entrado em estúdio com os Anti-Pop Consortium.
Era nitidamente música de sujeito solitário, ideia corroborada por Holton: "Nos discos de Boom Bip, por norma, faço quase tudo sozinho e começo sempre do nada. É duro porque qualquer coisa pode ser o ponto de partida - e como tal o ponto de partida pode tornar-se muito difícil de encontrar. Em parte isso permite-me chegar a um fluxo de criatividade em que nunca se sabe o que vai acontecer. Um tema pode partir de um tom, de um arranjo de percussão, de uma melodia que tenho na cabeça. Mas às vezes é difícil juntar coisas do nada e fazer sentido. É como arrancar ar ao céu".
Cansado de ter de escavar sozinho dentro da cabeça, Holton reuniu uma banda (na qual se incluíam as duas meninas dos Warpaint) que, grosso modo, improvisavam enquanto Holton "gravava e manipulava o som". Por um lado, diz, "sentia falta de ter um banda e sentia falta de ter vocalistas, porque eles trazem sempre uma dose de inesperado às canções - sem as vozes as canções podiam ter acabado por se resumir a um beat a repetir-se". Por outro, a banda "ajudou a manter o disco unido, a manter um som ao longo do disco".
Curiosamente o resultado está nos antípodas da música que Holton fez com os Neon Neon. Não só "Zig- Zaj" traz de volta as guinadas constantes típicas dos primeiros discos de Boom Bip como está pejado de uma ruideira pouco habitual nos seus discos. "Neste disco usei mais pedais de guitarra", diz, e depois acrescenta a rir: "Parece coisa de puto, mas é como se tivesse acabado de descobrir o poder do pedal".
Blues e country
Como todos os discos de Boom Bip "Zig Zaj" tem um lado de banda-sonora de videojogo. Mas Holton diz nunca ter jogado videojogos. "Curiosamente", conta, "desde que este disco saiu duas companhias convidaram-se a fazer música para jogos. Ainda não sei se vou aceitar, mas tenho curiosidade em experimentar".
Bolton diz que, mais que soar a banda-sonora de videojogo, a sua música "é acima de tudo muito cinemática". "A experiência de ouvir um disco meu é semelhante a ouvir um disco dos Boards of Canada: pões os auscultadores, entras no metro e de repente isso torna-se num momento dramático".
"A música instrumental", continua, "tem um impacto maior" porque não tem de submeter-se a uma voz. "Centra-se em ti em vez de se centrar no artista que canta. A música funciona para ti, torna-se a banda-sonora do que estás a fazer ou a sentir. É uma música que convida à abstracção, que funciona como espelho".
Aos 37 anos não parece muito interessado em manter qualquer reputação de vanguardista. Descreve os seus discos como um rapaz do rock descreveria um disco confessional: "Sei que pode parecer estranho, porque são discos abstractos, mas para mim os discos de Boom Bip são diários. Se tivessem letras eram discos de blues ou country".
Esse é outro dado inesperado que nos oferece. É um grande fã de blues e country. Quando era miúdo em Cincinatti os pais obrigavam-no a ir à missa e depois tinha de "ir jantar a casa do [seu] avô. No fim da refeição ele obrigava-nos a ouvir os singles dele. Eu odiava. Só muito mais tarde ouvi aquela música por mim. E agora tenho os singles todos dessa colecção e adoro".
Os singles do avô eram compostos por gente como Hank Williams ou Johny Cash. Essa foi a primeira música que ouviu, antes de se tornar melómano convicto. "Na minha música ouço krautrock, surf-music, bebop - mas acima de tudo acho que tem alma. É isso que ouço: alma".
Holton, que passou os últimos anos a ouvir "música nigeriana e angolana" que encontra "em blogs que recuperem música que só foi gravada em cassete" diz-se triste com a forma como os miúdos ouvem música hoje. "Não é possível ouvir-se com atenção tanta música quanto os miúdos ouvem. Eles têm um momento de excitação com um disco e depois passam de imediato para outro, o que é perturbante. A maior parte dos grandes discos foram difíceis de ouvir à primeira vez. Se esses discos saíssem hoje não entrariam para a história porque ninguém os ouviria com a devida atenção".
É quase caricato ouvir isto da boca de um dos homens que, na última década, mais (e melhor) criou a partir da sua colecção de discos. É como se Boom Bip estivesse a rejeitar a característica que dá um carácter único à sua música, isto é, a voracidade de misturar todas as músicas. "Sou um grande crente em álbuns", explica. "É triste como hoje tudo se baseia em "baixar" canções. As minhas canções não funcionam sozinhas, precisam de um contexto, de um conceito sonoro a agregá-las".
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Todo o cientista tem o seu lado romântico e é como cientista romântico que ele atira, já no fim: "Não peço a ninguém que compre o meu disco. Peço que comprem um disco. Qualquer um. E ouçam-no durante um semana. Esse e só esse".
Todo o cientista tem o seu lado romântico e todo o vanguardista tem o seu lado reaccionário. Talvez Holton tenha razão, talvez os seus discos possam ser vistos como diários. Estão, pelo menos, tão cheios de contradições quanto o seu criador.
Ver crítica de discos págs.36 e segs.