Passos soube por SMS da demissão de Portas na crise de 2013
Carla Castro
Ontem 09:48
Biografia autorizada de Passos é apresentada hoje em Lisboa
Numa biografia autorizada, a cinco meses das legislativas, Passos Coelho admite que soube da demissão de Paulo Portas por SMS, na crise governativa do Verão de 2013. "Fui almoçar e quando ia a caminho da comissão permanente, às 15h00, recebi um SMS do Dr. Paulo Portas a dizer que tinha reflectido muito e que se ia demitir", cita o Expresso do livro intitulado "Somos o que escolhemos ser", da autoria de Sofia Aureliano, assessora do grupo parlamentar social-democrata, que será lançado hoje em Lisboa.
Nesse Verão em que Vítor Gaspar saiu do Governo, Passos diz que, no meio da crise, Portas nem sequer lhe atendeu o telefone. Esta crise, a pior da legislatura, é enquadrada com "incompatibilidades" crescentes e "antipatia natural" entre os ministros Portas e Vítor Gaspar e, sobre a demissão deste último e sua substituição por Maria Luís Albuquerque, é atribuída ao primeiro-ministro a seguinte frase dirigida ao presidente do CDS-PP: "Ele não vai aceitar ficar e eu, no lugar dele, também não aceitaria".
A ministra das Finanças é uma das pessoas que fala neste livro. "Foi o Vítor Gaspar que me disse que o Paulo Portas se ia demitir. Eu tomava posse às cinco, o clima era muito tenso. Mas decidi ir para Belém na mesma, uma vez que não tinha informação em contrário. Mas achei que ia ter o mandato mais curto da história", recorda a ministra.
Luís Marques Mendes, Jorge Moreira da Silva, Marco António Costa, Pedro Santana Lopes e Luís Montenegro são alguns dos nomes que contribuíram para esta biografia.
Relvas: o grande ausente
Os anos de 1999 a 2004 "foram anos" em que o cidadão Passos Coelho "foi mais imperfeito", por isso "foram alvo de redobradas atenções", avança ainda o livro, sem revelar factos novos em relação à ligação do primeiro-ministro à empresa Tecnoforma ou às polémicas relacionadas com a sua carreira contributiva.
É a respeito da Tecnoforma que aparece um nome ausente do resto desta biografia, o de Miguel Relvas. Sofia Aureliano recusa que Passos Coelho tenha servido de ponte entre aquela empresa e o poder político: "Estava afastado da esfera política e não tinha afinidades com o Governo dessa altura. Excepção para Miguel Relvas, seu amigo pessoal".
A autora não descreve as campanhas internas para a liderança do PSD de 2008 e 2010, nem a campanha nacional para as legislativas de 2011, nas quais Miguel Relvas teve um papel central.
Com 234 páginas, o livro está dividido em quatro blocos: "Até à idade adulta", "Até à liderança do PSD", "No exercício do poder" e "Que futuro?", e reserva um capítulo para o período entre 1999 e 2004, "Passos de um cidadão imperfeito", dedica outro à mulher de Passos Coelho, intitulado "Laura, o porto seguro", no qual se fala da sua doença oncológica, e também tem um capítulo sobre o lugar onde moram, Massamá.
Nos tempos de liderança da JSD, Passos Coelho é retratado como duro na relação com o então primeiro-ministro, Aníbal Cavaco Silva, e actual Presidente da República, em dois episódios.
A biografia de Passos será apresentada pelo comissário europeu e ex-secretário de Estado adjunto do primeiro-ministro, Carlos Moedas, hoje, às 18:30, na Associação Comercial de Lisboa.
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Passos soube por SMS da demissão de Portas na crise de 2013
Carla Castro
Ontem 09:48
Biografia autorizada de Passos é apresentada hoje em Lisboa
Numa biografia autorizada, a cinco meses das legislativas, Passos Coelho admite que soube da demissão de Paulo Portas por SMS, na crise governativa do Verão de 2013. "Fui almoçar e quando ia a caminho da comissão permanente, às 15h00, recebi um SMS do Dr. Paulo Portas a dizer que tinha reflectido muito e que se ia demitir", cita o Expresso do livro intitulado "Somos o que escolhemos ser", da autoria de Sofia Aureliano, assessora do grupo parlamentar social-democrata, que será lançado hoje em Lisboa.
Nesse Verão em que Vítor Gaspar saiu do Governo, Passos diz que, no meio da crise, Portas nem sequer lhe atendeu o telefone. Esta crise, a pior da legislatura, é enquadrada com "incompatibilidades" crescentes e "antipatia natural" entre os ministros Portas e Vítor Gaspar e, sobre a demissão deste último e sua substituição por Maria Luís Albuquerque, é atribuída ao primeiro-ministro a seguinte frase dirigida ao presidente do CDS-PP: "Ele não vai aceitar ficar e eu, no lugar dele, também não aceitaria".
A ministra das Finanças é uma das pessoas que fala neste livro. "Foi o Vítor Gaspar que me disse que o Paulo Portas se ia demitir. Eu tomava posse às cinco, o clima era muito tenso. Mas decidi ir para Belém na mesma, uma vez que não tinha informação em contrário. Mas achei que ia ter o mandato mais curto da história", recorda a ministra.
Luís Marques Mendes, Jorge Moreira da Silva, Marco António Costa, Pedro Santana Lopes e Luís Montenegro são alguns dos nomes que contribuíram para esta biografia.
Relvas: o grande ausente
Os anos de 1999 a 2004 "foram anos" em que o cidadão Passos Coelho "foi mais imperfeito", por isso "foram alvo de redobradas atenções", avança ainda o livro, sem revelar factos novos em relação à ligação do primeiro-ministro à empresa Tecnoforma ou às polémicas relacionadas com a sua carreira contributiva.
É a respeito da Tecnoforma que aparece um nome ausente do resto desta biografia, o de Miguel Relvas. Sofia Aureliano recusa que Passos Coelho tenha servido de ponte entre aquela empresa e o poder político: "Estava afastado da esfera política e não tinha afinidades com o Governo dessa altura. Excepção para Miguel Relvas, seu amigo pessoal".
A autora não descreve as campanhas internas para a liderança do PSD de 2008 e 2010, nem a campanha nacional para as legislativas de 2011, nas quais Miguel Relvas teve um papel central.
Com 234 páginas, o livro está dividido em quatro blocos: "Até à idade adulta", "Até à liderança do PSD", "No exercício do poder" e "Que futuro?", e reserva um capítulo para o período entre 1999 e 2004, "Passos de um cidadão imperfeito", dedica outro à mulher de Passos Coelho, intitulado "Laura, o porto seguro", no qual se fala da sua doença oncológica, e também tem um capítulo sobre o lugar onde moram, Massamá.
Nos tempos de liderança da JSD, Passos Coelho é retratado como duro na relação com o então primeiro-ministro, Aníbal Cavaco Silva, e actual Presidente da República, em dois episódios.
A biografia de Passos será apresentada pelo comissário europeu e ex-secretário de Estado adjunto do primeiro-ministro, Carlos Moedas, hoje, às 18:30, na Associação Comercial de Lisboa.