Natalie Portman e as formas (de governo)

28-01-2012
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De atenienses apreciadores de sodomia “man on boy”, a suíços negligenciadores da prole, passando por fazendeiros americanos donos de escravos, durante séculos a questão de “qual a melhor forma de governo?” atormentou os mais variados filósofos. Uns preferiam o “filósofo rei”, outros o “governo do povo”, outros uma estranha combinação a que deram o nome de “governo representativo”. Insatisfeitos com a resposta de pensadores que dedicaram a sua vida a pensar sobre o problema, académicos portugueses decidiram buscar iluminação no povo português. Num estudo recentemente divulgado, 56% dos inquiridos responderam que a democracia era “preferível” a qualquer forma de governo. Mais ou menos a percentagem de pessoas que passa a vida a queixar-se dos políticos que eles próprios elegem. 15% das pessoas, no entanto, afirmaram que “em algumas circunstâncias”, um governo autoritário seria preferível. Estas pessoas têm em tão pouca conta a sua opinião, que são da opinião de que ela não deve contar para nada, e acham importante dizê-lo apesar de acharem que ninguém os deve ouvir. Coisas da democracia que abominam.

O problema de qual o melhor regime possível é apenas uma questão das muitas que se podem colocar acerca do governo dos homens, e para dizer a verdade, uma que pouco me entusiasma (entusiasmos, só os tenho de cada vez que vejo Natalie Portman). Quanto perguntamos “qual a melhor forma de governo?”, estamos a perguntar quem é que deve governar, sem colocarmos a questão de o quê é que o governo deve fazer: estamos a dizer quem é que deve tomar a decisão, e não qual é que deve ser a tal decisão. E ao contrário do que os sodomitas e os negreiros (para não falar no desprezível suíço abandonador de crianças) nos poderiam levar a pensar, o número de pessoas que toma a decisão dificilmente melhora ou piora a qualidade da dita.

Se há coisa que a História da Humanidade (ou este texto) nos mostra, é que a estupidez humana não tem limites. Ela abunda na espécie, e em cada um dos seus membros individualmente, passando de geração em geração. Todos tomamos decisões erradas, todos fazemos asneira. Alguns senhores nas terras da velha Pérsia dirão que esse problema é resolvido pela sua forma de governo directamente proveniente de um tal de Allah, mas até Deus, caso exista (coisa de que duvido), comete os seus pequenos erros (o maior deles, obviamente, o de não ter assegurado que Natalie Portman se apaixonasse por mim). Por isso, seja qual for a forma de governo, a decisão acerca de o que é que o governo deve fazer será muitas vezes errada. A estupidez irá comandar, independentemente do número de pessoas a exercê-la. A democracia representativa apenas garante que todas as formas de estupidez serão ouvidas. E dá a oportunidade de ao fim de uns anos, corrigir a que tiver sido seguida, mesmo que estupidamente ninguém aproveite essa oportunidade: nenhuma estupidez será descriminada.

É por isso que as respostas mais sensatas ao inquérito do estudo foram as das cerca de 26% de pessoas que disseram que “não sabiam” ou que eram “indiferentes” à questão de qual é a melhor forma de governo. Porque realmente, há coisas mais importantes sobre as quais pensar: o que deve o governo fazer, por exemplo. Ou, quem sabe, na Natalie Portman. É o que eu faço, pelo menos.

De atenienses apreciadores de sodomia “man on boy”, a suíços negligenciadores da prole, passando por fazendeiros americanos donos de escravos, durante séculos a questão de “qual a melhor forma de governo?” atormentou os mais variados filósofos. Uns preferiam o “filósofo rei”, outros o “governo do povo”, outros uma estranha combinação a que deram o nome de “governo representativo”. Insatisfeitos com a resposta de pensadores que dedicaram a sua vida a pensar sobre o problema, académicos portugueses decidiram buscar iluminação no povo português. Num estudo recentemente divulgado, 56% dos inquiridos responderam que a democracia era “preferível” a qualquer forma de governo. Mais ou menos a percentagem de pessoas que passa a vida a queixar-se dos políticos que eles próprios elegem. 15% das pessoas, no entanto, afirmaram que “em algumas circunstâncias”, um governo autoritário seria preferível. Estas pessoas têm em tão pouca conta a sua opinião, que são da opinião de que ela não deve contar para nada, e acham importante dizê-lo apesar de acharem que ninguém os deve ouvir. Coisas da democracia que abominam.

O problema de qual o melhor regime possível é apenas uma questão das muitas que se podem colocar acerca do governo dos homens, e para dizer a verdade, uma que pouco me entusiasma (entusiasmos, só os tenho de cada vez que vejo Natalie Portman). Quanto perguntamos “qual a melhor forma de governo?”, estamos a perguntar quem é que deve governar, sem colocarmos a questão de o quê é que o governo deve fazer: estamos a dizer quem é que deve tomar a decisão, e não qual é que deve ser a tal decisão. E ao contrário do que os sodomitas e os negreiros (para não falar no desprezível suíço abandonador de crianças) nos poderiam levar a pensar, o número de pessoas que toma a decisão dificilmente melhora ou piora a qualidade da dita.

Se há coisa que a História da Humanidade (ou este texto) nos mostra, é que a estupidez humana não tem limites. Ela abunda na espécie, e em cada um dos seus membros individualmente, passando de geração em geração. Todos tomamos decisões erradas, todos fazemos asneira. Alguns senhores nas terras da velha Pérsia dirão que esse problema é resolvido pela sua forma de governo directamente proveniente de um tal de Allah, mas até Deus, caso exista (coisa de que duvido), comete os seus pequenos erros (o maior deles, obviamente, o de não ter assegurado que Natalie Portman se apaixonasse por mim). Por isso, seja qual for a forma de governo, a decisão acerca de o que é que o governo deve fazer será muitas vezes errada. A estupidez irá comandar, independentemente do número de pessoas a exercê-la. A democracia representativa apenas garante que todas as formas de estupidez serão ouvidas. E dá a oportunidade de ao fim de uns anos, corrigir a que tiver sido seguida, mesmo que estupidamente ninguém aproveite essa oportunidade: nenhuma estupidez será descriminada.

É por isso que as respostas mais sensatas ao inquérito do estudo foram as das cerca de 26% de pessoas que disseram que “não sabiam” ou que eram “indiferentes” à questão de qual é a melhor forma de governo. Porque realmente, há coisas mais importantes sobre as quais pensar: o que deve o governo fazer, por exemplo. Ou, quem sabe, na Natalie Portman. É o que eu faço, pelo menos.

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