O “partido autárquico” e a agenda “liberal e reformista”
Escreve Bruno Alves:
Mas menos o é o de Fernando Ruas, uma das caras do “partido autárquico” cujos interesses eu penso serem incompatíves com uma agenda “liberal e reformista”, e que Passos Coelho escolheu para seu mandatário nacional.
Esta questão levantada por Bruno Alves é pertinente. Existe um partido autárquico com interesses e existe uma agenda “liberal e reformista” aparentemente incompatíveis. Tenho dificuldade em perceber onde está a incompatibilidade. Bem ou mal, o partido autárquico tem o mérito de conseguir manter vivos centros políticos de pode fora de Lisboa. Os interesses do partido autárquico são interesses reais de pessoas reais. Devem-se a factos políticos reais. Resultam de problemas que constituem entraves reais ao desenvolvimento do país. Lembro que no país ainda vivem pessoas que nada vão ganhar com o aeroporto de Alcochete, a nova ponte sobre o Tejo, o túnel de Alcântara e o TGV. Isso constitui um problema e um desafio para qualquer agenda “liberal e reformista”. Aliás, não consigo imaginar uma lista de problemas que uma agenda “liberal e reformista” deve resolver em que o problema do centralismo não esteja no topo. Bruno Alves parece mais preocupado com a salvação do PSD, em partiular, com a salvação do PSD dos efeitos do localismo e do menezismo. Sinceramente, não percebo como é que um partido pode ser salvo do seu sustentáculo social. O PCP dificilmente poderá ser salvo da CGTP, o PS dificilmente poderá ser salvo da UGT e dos funcionários públicos e o BE dificilmente poderá ser salvo dos movimentos sociais utópicos. Também é pouco provável que o PSD consiga ser salvo do poder local. O único partido que até agora se conseguiu salvar de uma base de apoio é o CDS-PP. É também o único que a cada eleição corre o risco de ser varrido do mapa eleitoral.
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O “partido autárquico” e a agenda “liberal e reformista”
Escreve Bruno Alves:
Mas menos o é o de Fernando Ruas, uma das caras do “partido autárquico” cujos interesses eu penso serem incompatíves com uma agenda “liberal e reformista”, e que Passos Coelho escolheu para seu mandatário nacional.
Esta questão levantada por Bruno Alves é pertinente. Existe um partido autárquico com interesses e existe uma agenda “liberal e reformista” aparentemente incompatíveis. Tenho dificuldade em perceber onde está a incompatibilidade. Bem ou mal, o partido autárquico tem o mérito de conseguir manter vivos centros políticos de pode fora de Lisboa. Os interesses do partido autárquico são interesses reais de pessoas reais. Devem-se a factos políticos reais. Resultam de problemas que constituem entraves reais ao desenvolvimento do país. Lembro que no país ainda vivem pessoas que nada vão ganhar com o aeroporto de Alcochete, a nova ponte sobre o Tejo, o túnel de Alcântara e o TGV. Isso constitui um problema e um desafio para qualquer agenda “liberal e reformista”. Aliás, não consigo imaginar uma lista de problemas que uma agenda “liberal e reformista” deve resolver em que o problema do centralismo não esteja no topo. Bruno Alves parece mais preocupado com a salvação do PSD, em partiular, com a salvação do PSD dos efeitos do localismo e do menezismo. Sinceramente, não percebo como é que um partido pode ser salvo do seu sustentáculo social. O PCP dificilmente poderá ser salvo da CGTP, o PS dificilmente poderá ser salvo da UGT e dos funcionários públicos e o BE dificilmente poderá ser salvo dos movimentos sociais utópicos. Também é pouco provável que o PSD consiga ser salvo do poder local. O único partido que até agora se conseguiu salvar de uma base de apoio é o CDS-PP. É também o único que a cada eleição corre o risco de ser varrido do mapa eleitoral.