por Carlos Manuel Castro
Bin Laden é a personagem do dia. Em todas as capas dos jornais do mundo, o homem mais procurado é, hoje, o tema principal. Nos EUA, o júbilo não tem contenção. Obama congratula-se por ter sido no seu mandato que o terrorista número 1 foi caçado pelos serviços secretos norte-americanos. Bush (filho) regozija, por o homem pelo qual tanto tempo e dinheiro tinha empregue, na sua procura, ter perecido. Bill Clinton, por o homem que lhe escapou em 1998, ou melhor, que deixou escapar, ter, finalmente, caído. Há quem já faça leituras de que com esta morte, Obama, em problemas com as sondagens, conquistou a reeleição no próximo ano. Mas isto não deixa de ser sinal da espuma destes dias. A lição de 1992 está esquecida, mas não devia, sobretudo por Obama e a sua equipa. Então, os EUA também transportavam orgulho, por o seu Presidente, Bush (pai), ter derrotado Saddam e conduzir os EUA à vitória no Golfo. Porém, a economia foi o seu maior obstáculo e o quase desconhecido Bill Clinton, do Arkansas, derrotou o mais do que experiente Bush. Obama está longe de ter garantido, com o desaparecimento de Bin Laden, a sua reeleição, como a morte de Bin Laden não representa o fim do terrorismo. Pelo contrário. Os tempos continuam a ser ameaçados por ondas de terrorismo à escala global, e Obama tem a sua reeleição pouco segura. Se dúvidas existem, faça-se o pequeno exercício, de memória, que anda tão esquecida, e veremos como quem acabou por gerar esta crise, com as suas políticas, a Administração Bush (filho) foi esquecida e todos os problemas parecem ter sido geridos pela Administração Obama. Na época mediática em que vivemos, dentro de poucas semanas, a morte de Bin Laden será algo distante no tempo. Os problemas com a economia continuam e o terrorismo é uma ameaça bem presente.
por Câmara de Comuns_Convidado
O grande artífice do combate à ETA do Governo Zapatero, e grande responsável pela debilitação da banda terrorista, Alfredo Pérez Rubalcaba, disse, há poucos minutos, tudo quanto à declaração da ETA hoje de manhã, de um cessar-fogo imediato: “não é uma má notícia, mas não é A notícia”. Os Governos espanhóis sabem que estes anúncios da ETA mais não são do que uma tentativa de ganhar fôlego, dado o aperto que as autoridades espanholas, em conjunto com as francesas e, também, portuguesas têm assumido. Muito provavelmente, nunca, como actualmente, a ETA esteve tão debilitada. Mas não é menos certo, a tomar em consideração cada palavra da declaração de hoje, que o abandono do terrorismo está assumido. Aliás, isso significaria o fim, em si, da ETA. E este ainda está por acontecer. O Estado espanhol, em conjunto com outros europeus e mundiais, tem de continuar a sua batalha, para libertar Espanha e, sobretudo, o País Basco do terrorismo que há décadas ceifa vidas inocentes. Carlos Manuel Castro
por Filipe Miranda Ferreira
por Paulo Casaca
A Índia saltou subitamente para as primeiras páginas dos jornais quando o relatório da principal agência de informação dos EUA sobre o estado do Mundo em 2025 coloca este país no centro do mundo democrático. Ao mesmo tempo, a capital económica do Índia, Mumbai (Bombaim, na velha grafia), tornou-se alvo de um espectacular atentado terrorista (e aqui uso a palavra no sentido moderno e preciso do termo: violência em massa, suicida e com motivações de fanatismo religioso ou nacionalista), mostrando ao mundo que os terroristas também já perceberam que é a Índia, tanto ou mais do que qualquer país ocidental, que eles vêm como alvo. É a confirmação da perspectiva que tenho há muito sobre o papel decisivo da Índia na arquitectura do novo mundo que estamos a construir e que me levou a estabelecer com este país as minhas principais ligações. É sobre o tema da luta contra o terrorismo – matéria a que me tenho dedicado profundamente e que tem levado aos principais ataques políticos de que fui alvo – que a senhora Embaixadora resolveu fazer a sua intervenção, mostrando também até que ponto este país dá importância à cooperação internacional nesta matéria. Se todos estamos conscientes da ligação entre o descobrimento e o desenvolvimento dos Açores e a construção da globalização nascente, que passou por estabelecer rotas directas do Ocidente para o Extremo Oriente no século XVI, tenho por vezes a impressão de que as nossas elites têm alguma dificuldade em entender que essa ligação nos dias de hoje – assumindo naturalmente formas e conteúdos diversos – não é menos importante para o desenvolvimento do nosso arquipélago. É tão ridículo pensar que o terrorismo contemporâneo é algo que pode ser visto numa escala parcelar e local, quanto é absurdo pensar na conjuntura económica como podendo ser independente da globalização. Os Açores têm de estar conscientes da importância da sua posição geopolítica como factor determinante do seu progresso e desenvolvimento e não ficar prisioneiros de um discurso negativo prisioneiro de distâncias, atrasos e isolamentos, como condição primeira para o seu processo de desenvolvimento e é também por isso que me parece tão importante a atenção dada pela diplomacia indiana ao nosso arquipélago. A senhora Embaixadora da Índia em Portugal teve a gentileza de aceitar o meu convite, na qualidade de membro da delegação do Parlamento Europeu para as relações com a Índia e de membro fundador de um clube de reflexão, o Fórum para a paz da Ásia do Sul, para visitar os Açores e proferir uma conferência, facto que muito me honra e de que não quero deixar de dar público testemunho de agradecimento.
por Paulo Casaca
O drama que estamos a viver na faixa de Gaza – com uma população civil já por demais martirizada a ser vítima de uma violenta guerra – suscita naturalmente, em todos os que têm na defesa dos direitos humanos uma preocupação primeira, a maior das consternações. É verdade que é o Hamas que, de forma repetida, tem mantido uma crescente faixa de Israel sob o contínuo bombardeamento de mísseis, para além de levar a cabo operações militares contra o exército israelita, como é também verdade que foi o Hamas que resolveu, de forma unilateral, romper a trégua que tinha sido estabelecida. Contudo, perante a desproporção de meios militares e de vítimas causadas pela guerra em ambos os lados, é natural que a generalidade da opinião pública europeia considere estarmos perante uma tremenda falta de proporcionalidade, tanto quanto aos meios como quanto aos efeitos. Também eu considero que esta guerra não irá contribuir para derrotar o fanatismo religioso terrorista de que o Hamas é apenas uma expressão local mas, pelo contrário, tenderá a reforçar a ideologia do terrorismo suicida (que os seus ideólogos denominam de "martírio"). O problema, aqui como em várias outras circunstâncias, é o de saber quais são as alternativas, e elas não apareceram até hoje, nem da parte do mundo árabe, nem da parte da União Europeia ou dos EUA. A experiência da última década demonstrou até à saciedade que para as organizações satélites do Irão a única solução aceitável é o extermínio de Israel. Cada vez que Israel recuou e entregou territórios ou prisioneiros, o único efeito que obteve foi incentivar a pressão contra si, nunca houve qualquer esforço para chegar a qualquer consenso. Portanto, se excluirmos mais recuos unilaterais, teríamos de ter políticas muito mais inteligentes, que passassem nomeadamente pela colaboração dos países vizinhos, da Autoridade Palestiniana e da comunidade internacional na construção de alternativas viáveis para a população de Gaza ao fanatismo do Hamas. O certo é que isso não aconteceu e, portanto, a situação que vivemos agora é o resultado dessa ausência de alternativas. Posto isto, é absolutamente inaceitável que a opinião pública internacional esteja a tentar não ver aquilo que é cada vez mais óbvio: a lógica do Hamas é exactamente a de sacrificar os seus civis como capital político para denegrir Israel, e tem-no feito de forma cada vez mais explícita. Quando um alto dirigente do Hamas foi morto por um míssil em sua casa, acompanhado das suas quatro mulheres e vários descendentes, dias depois de começado o conflito e quando Israel tinha feito saber que iria procurar eliminar todos os dirigentes do Hamas que pudesse, a reacção daquele movimento foi de elogio. Ou seja, em vez de lamentar que perante uma situação de elevadíssimo risco um dirigente do Hamas pusesse em tão grande perigo a sua família, considerou que se tratava de uma atitude exemplar. O Hamas está de forma deliberada a utilizar escolas, mesquitas e hospitais como plataformas para a sua guerra, exactamente com o objectivo de transformar o massacre da sua população civil em armas contra os seus inimigos, materializando a ideologia do terrorismo suicida na sua fórmula mais abjecta. Para Israel, como tem sido claro, o valor da vida dos seus cidadãos é absoluto e tem feito tudo o que lhe é possível – e no caso da troca de prisioneiros, do meu ponto de vista, mesmo aquilo que nunca deveria ter feito – para preservar essas vidas. Exigir "reciprocidade" nestas circunstâncias não tem qualquer sentido. Como dizia Rafsanjani – um dos antecessores de Ahmadi-Nejad – se um dispositivo nuclear israelita liquidar quatro ou cinco milhões de iranianos ainda haverá muitas dezenas de milhões de iranianos sobreviventes, mas em sentido inverso, isso significará o fim de Israel. É aliás a mesma ideia que outro dos dirigentes do fanatismo religioso, Osama Bin-Laden, já tinha tornado célebre: enquanto vocês amam a vida, nós amamos a morte, ou se quisermos, um aggiornamento da velha expressão fascista: Que viva la muerte! A lógica última da "reciprocidade" é a de tornar eficaz a ideologia do terrorismo suicida e é por isso que não devemos cair na armadilha deste argumento.
por Miguel Teixeira
«Espero que a equipa que terá a honra de servir o país examine atentamente as realidades do mundo, bem como dos instrumentos de que dispomos actualmente para proteger os Estados Unidos de um novo atentado»
extracto de uma entrevista de J.W.Bush ao canal Fox News
Em jeito de despedida, J.W.Bush, mantém-se igual a si mesmo. Cara de pau ou insanidade, dois possíveis títulos que bem lhe cabiam, quando o próprio foi o mestre principal, dos grandes distúrbios que afectam diferentes pontos do globo. Ainda cabe na minha memória o encontro das Lajes, que teve como mordomo de recepção o português Durão Barroso. Desde então o mundo nunca mais foi igual e o ocidente ficou à mercê do terrorismo. Também no miguelteixeira-lx
por Paulo Ferreira
Acção reivindicada pela Brigada dos Mártires das Sapatarias das Virgens do Paraíso Mais de 100 advogados ofereceram-se para defender este herói do jornalismo iraquiano, de acordo com o seu jornal a detenção do mesmo não deve prolongar-se (devem estar a pensar num talk show com a Al Jazeera numa sapataria com este intrépido....jornalista como apresentador) porque isso seria a marca de um governo, o iraquiano, ditatorial! Dado que este futuro jogador de basebol, ao mesmo tempo que falhava redondamente o alvo com os dois sapatos, insultava o ainda Presidente norte-americano chamando-lhe "cão", presumo que associações de defesa e protecção dos animais por todo o mundo islâmico irão processá-lo por ofensas...aos cães! Até faria algum sentido, não? Naquela zona do Mundo todos os limites da sanidade, da moralidade, da lógica, da racionalidade, do bom senso, da diplomacia, parecem ter sido ultrapassados. Deixa a sensação de toda a situação estar em roda livre ou queda livre sem que nada, ou ninguém, possa, ou queira, meter um travão numa escalada infeliz que só terminar muito mal, para todos.
por Vítor Manuel Palmilha
Aprendi uma coisa na vida, não se cede a terroristas. Se o fizermos, é o fim do estado de direito. O que se passará agora?
por Paulo Ferreira
por Paulo Ferreira
por Paulo Ferreira
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por Carlos Manuel Castro
Bin Laden é a personagem do dia. Em todas as capas dos jornais do mundo, o homem mais procurado é, hoje, o tema principal. Nos EUA, o júbilo não tem contenção. Obama congratula-se por ter sido no seu mandato que o terrorista número 1 foi caçado pelos serviços secretos norte-americanos. Bush (filho) regozija, por o homem pelo qual tanto tempo e dinheiro tinha empregue, na sua procura, ter perecido. Bill Clinton, por o homem que lhe escapou em 1998, ou melhor, que deixou escapar, ter, finalmente, caído. Há quem já faça leituras de que com esta morte, Obama, em problemas com as sondagens, conquistou a reeleição no próximo ano. Mas isto não deixa de ser sinal da espuma destes dias. A lição de 1992 está esquecida, mas não devia, sobretudo por Obama e a sua equipa. Então, os EUA também transportavam orgulho, por o seu Presidente, Bush (pai), ter derrotado Saddam e conduzir os EUA à vitória no Golfo. Porém, a economia foi o seu maior obstáculo e o quase desconhecido Bill Clinton, do Arkansas, derrotou o mais do que experiente Bush. Obama está longe de ter garantido, com o desaparecimento de Bin Laden, a sua reeleição, como a morte de Bin Laden não representa o fim do terrorismo. Pelo contrário. Os tempos continuam a ser ameaçados por ondas de terrorismo à escala global, e Obama tem a sua reeleição pouco segura. Se dúvidas existem, faça-se o pequeno exercício, de memória, que anda tão esquecida, e veremos como quem acabou por gerar esta crise, com as suas políticas, a Administração Bush (filho) foi esquecida e todos os problemas parecem ter sido geridos pela Administração Obama. Na época mediática em que vivemos, dentro de poucas semanas, a morte de Bin Laden será algo distante no tempo. Os problemas com a economia continuam e o terrorismo é uma ameaça bem presente.
por Câmara de Comuns_Convidado
O grande artífice do combate à ETA do Governo Zapatero, e grande responsável pela debilitação da banda terrorista, Alfredo Pérez Rubalcaba, disse, há poucos minutos, tudo quanto à declaração da ETA hoje de manhã, de um cessar-fogo imediato: “não é uma má notícia, mas não é A notícia”. Os Governos espanhóis sabem que estes anúncios da ETA mais não são do que uma tentativa de ganhar fôlego, dado o aperto que as autoridades espanholas, em conjunto com as francesas e, também, portuguesas têm assumido. Muito provavelmente, nunca, como actualmente, a ETA esteve tão debilitada. Mas não é menos certo, a tomar em consideração cada palavra da declaração de hoje, que o abandono do terrorismo está assumido. Aliás, isso significaria o fim, em si, da ETA. E este ainda está por acontecer. O Estado espanhol, em conjunto com outros europeus e mundiais, tem de continuar a sua batalha, para libertar Espanha e, sobretudo, o País Basco do terrorismo que há décadas ceifa vidas inocentes. Carlos Manuel Castro
por Filipe Miranda Ferreira
por Paulo Casaca
A Índia saltou subitamente para as primeiras páginas dos jornais quando o relatório da principal agência de informação dos EUA sobre o estado do Mundo em 2025 coloca este país no centro do mundo democrático. Ao mesmo tempo, a capital económica do Índia, Mumbai (Bombaim, na velha grafia), tornou-se alvo de um espectacular atentado terrorista (e aqui uso a palavra no sentido moderno e preciso do termo: violência em massa, suicida e com motivações de fanatismo religioso ou nacionalista), mostrando ao mundo que os terroristas também já perceberam que é a Índia, tanto ou mais do que qualquer país ocidental, que eles vêm como alvo. É a confirmação da perspectiva que tenho há muito sobre o papel decisivo da Índia na arquitectura do novo mundo que estamos a construir e que me levou a estabelecer com este país as minhas principais ligações. É sobre o tema da luta contra o terrorismo – matéria a que me tenho dedicado profundamente e que tem levado aos principais ataques políticos de que fui alvo – que a senhora Embaixadora resolveu fazer a sua intervenção, mostrando também até que ponto este país dá importância à cooperação internacional nesta matéria. Se todos estamos conscientes da ligação entre o descobrimento e o desenvolvimento dos Açores e a construção da globalização nascente, que passou por estabelecer rotas directas do Ocidente para o Extremo Oriente no século XVI, tenho por vezes a impressão de que as nossas elites têm alguma dificuldade em entender que essa ligação nos dias de hoje – assumindo naturalmente formas e conteúdos diversos – não é menos importante para o desenvolvimento do nosso arquipélago. É tão ridículo pensar que o terrorismo contemporâneo é algo que pode ser visto numa escala parcelar e local, quanto é absurdo pensar na conjuntura económica como podendo ser independente da globalização. Os Açores têm de estar conscientes da importância da sua posição geopolítica como factor determinante do seu progresso e desenvolvimento e não ficar prisioneiros de um discurso negativo prisioneiro de distâncias, atrasos e isolamentos, como condição primeira para o seu processo de desenvolvimento e é também por isso que me parece tão importante a atenção dada pela diplomacia indiana ao nosso arquipélago. A senhora Embaixadora da Índia em Portugal teve a gentileza de aceitar o meu convite, na qualidade de membro da delegação do Parlamento Europeu para as relações com a Índia e de membro fundador de um clube de reflexão, o Fórum para a paz da Ásia do Sul, para visitar os Açores e proferir uma conferência, facto que muito me honra e de que não quero deixar de dar público testemunho de agradecimento.
por Paulo Casaca
O drama que estamos a viver na faixa de Gaza – com uma população civil já por demais martirizada a ser vítima de uma violenta guerra – suscita naturalmente, em todos os que têm na defesa dos direitos humanos uma preocupação primeira, a maior das consternações. É verdade que é o Hamas que, de forma repetida, tem mantido uma crescente faixa de Israel sob o contínuo bombardeamento de mísseis, para além de levar a cabo operações militares contra o exército israelita, como é também verdade que foi o Hamas que resolveu, de forma unilateral, romper a trégua que tinha sido estabelecida. Contudo, perante a desproporção de meios militares e de vítimas causadas pela guerra em ambos os lados, é natural que a generalidade da opinião pública europeia considere estarmos perante uma tremenda falta de proporcionalidade, tanto quanto aos meios como quanto aos efeitos. Também eu considero que esta guerra não irá contribuir para derrotar o fanatismo religioso terrorista de que o Hamas é apenas uma expressão local mas, pelo contrário, tenderá a reforçar a ideologia do terrorismo suicida (que os seus ideólogos denominam de "martírio"). O problema, aqui como em várias outras circunstâncias, é o de saber quais são as alternativas, e elas não apareceram até hoje, nem da parte do mundo árabe, nem da parte da União Europeia ou dos EUA. A experiência da última década demonstrou até à saciedade que para as organizações satélites do Irão a única solução aceitável é o extermínio de Israel. Cada vez que Israel recuou e entregou territórios ou prisioneiros, o único efeito que obteve foi incentivar a pressão contra si, nunca houve qualquer esforço para chegar a qualquer consenso. Portanto, se excluirmos mais recuos unilaterais, teríamos de ter políticas muito mais inteligentes, que passassem nomeadamente pela colaboração dos países vizinhos, da Autoridade Palestiniana e da comunidade internacional na construção de alternativas viáveis para a população de Gaza ao fanatismo do Hamas. O certo é que isso não aconteceu e, portanto, a situação que vivemos agora é o resultado dessa ausência de alternativas. Posto isto, é absolutamente inaceitável que a opinião pública internacional esteja a tentar não ver aquilo que é cada vez mais óbvio: a lógica do Hamas é exactamente a de sacrificar os seus civis como capital político para denegrir Israel, e tem-no feito de forma cada vez mais explícita. Quando um alto dirigente do Hamas foi morto por um míssil em sua casa, acompanhado das suas quatro mulheres e vários descendentes, dias depois de começado o conflito e quando Israel tinha feito saber que iria procurar eliminar todos os dirigentes do Hamas que pudesse, a reacção daquele movimento foi de elogio. Ou seja, em vez de lamentar que perante uma situação de elevadíssimo risco um dirigente do Hamas pusesse em tão grande perigo a sua família, considerou que se tratava de uma atitude exemplar. O Hamas está de forma deliberada a utilizar escolas, mesquitas e hospitais como plataformas para a sua guerra, exactamente com o objectivo de transformar o massacre da sua população civil em armas contra os seus inimigos, materializando a ideologia do terrorismo suicida na sua fórmula mais abjecta. Para Israel, como tem sido claro, o valor da vida dos seus cidadãos é absoluto e tem feito tudo o que lhe é possível – e no caso da troca de prisioneiros, do meu ponto de vista, mesmo aquilo que nunca deveria ter feito – para preservar essas vidas. Exigir "reciprocidade" nestas circunstâncias não tem qualquer sentido. Como dizia Rafsanjani – um dos antecessores de Ahmadi-Nejad – se um dispositivo nuclear israelita liquidar quatro ou cinco milhões de iranianos ainda haverá muitas dezenas de milhões de iranianos sobreviventes, mas em sentido inverso, isso significará o fim de Israel. É aliás a mesma ideia que outro dos dirigentes do fanatismo religioso, Osama Bin-Laden, já tinha tornado célebre: enquanto vocês amam a vida, nós amamos a morte, ou se quisermos, um aggiornamento da velha expressão fascista: Que viva la muerte! A lógica última da "reciprocidade" é a de tornar eficaz a ideologia do terrorismo suicida e é por isso que não devemos cair na armadilha deste argumento.
por Miguel Teixeira
«Espero que a equipa que terá a honra de servir o país examine atentamente as realidades do mundo, bem como dos instrumentos de que dispomos actualmente para proteger os Estados Unidos de um novo atentado»
extracto de uma entrevista de J.W.Bush ao canal Fox News
Em jeito de despedida, J.W.Bush, mantém-se igual a si mesmo. Cara de pau ou insanidade, dois possíveis títulos que bem lhe cabiam, quando o próprio foi o mestre principal, dos grandes distúrbios que afectam diferentes pontos do globo. Ainda cabe na minha memória o encontro das Lajes, que teve como mordomo de recepção o português Durão Barroso. Desde então o mundo nunca mais foi igual e o ocidente ficou à mercê do terrorismo. Também no miguelteixeira-lx
por Paulo Ferreira
Acção reivindicada pela Brigada dos Mártires das Sapatarias das Virgens do Paraíso Mais de 100 advogados ofereceram-se para defender este herói do jornalismo iraquiano, de acordo com o seu jornal a detenção do mesmo não deve prolongar-se (devem estar a pensar num talk show com a Al Jazeera numa sapataria com este intrépido....jornalista como apresentador) porque isso seria a marca de um governo, o iraquiano, ditatorial! Dado que este futuro jogador de basebol, ao mesmo tempo que falhava redondamente o alvo com os dois sapatos, insultava o ainda Presidente norte-americano chamando-lhe "cão", presumo que associações de defesa e protecção dos animais por todo o mundo islâmico irão processá-lo por ofensas...aos cães! Até faria algum sentido, não? Naquela zona do Mundo todos os limites da sanidade, da moralidade, da lógica, da racionalidade, do bom senso, da diplomacia, parecem ter sido ultrapassados. Deixa a sensação de toda a situação estar em roda livre ou queda livre sem que nada, ou ninguém, possa, ou queira, meter um travão numa escalada infeliz que só terminar muito mal, para todos.
por Vítor Manuel Palmilha
Aprendi uma coisa na vida, não se cede a terroristas. Se o fizermos, é o fim do estado de direito. O que se passará agora?
por Paulo Ferreira
por Paulo Ferreira
por Paulo Ferreira