Da necessidade de Esperança à exigência da transparência
4 de Julho de 2011
Intervenção política na Assembleia Municipal do Seixal
O mais recente acto eleitoral deu uma vitória clara ao PSD e às suas propostas. Esta vitória eleitoral, surge mais uma vez, num momento crítico da vida do país. Não adianta negar: em 5 de Junho os eleitores fizeram uma escolha clara, fizeram a opção que entenderam ser a melhor, aquela que oferecia mais condições para ultrapassar o desafio perante o qual estamos colocados.Trata-se de um desafio difícil: consolidar as finanças públicas sem esquecer a necessidade de manter a coesão social num cenário de crise nacional e internacional. Hoje tal como no passado, os portugueses terão de saber que para ir para além do cabo das Tormentas é, antes de mais, preciso ter Esperança.O crescimento da economia será vital para ultrapassar o actual cenário desolador. O crescimento da economia e, com ele, o crescimento de mais e melhor emprego. É essencial lembrar que nada disto será possível num cenário de conflitualidade social. Nenhum de nós quer, certamente, ter a tragédia grega como referência. Nenhum português irá apostar decididamente no “quanto pior melhor”porque, se a barca se afundar, seremos todos náufragos da Europa e dos nossos sonhos.O PSD ganhou as eleições e, em conjunto com o CDS/PP dispõe uma sólida maioria parlamentar. É portanto, justo e democrático que governe(m).Todos esperamos que os partidos derrotados nestas eleições PS, CDU, BE saibam ser uma oposição sólida, exigente e construtiva, no parlamento e, que dessa forma contribuam para uma vitória do povo português nesta situação de adversidade.
Não valerá a pena tapar o sol com a peneira e justificar os resultados com o facto de, alegadamente, a campanha ter sido pouco esclarecedora. Os portugueses não são ignorantes. Ao fim de quase 40 anos de democracia os portugueses sabem muito bem o que escolhem e, porque escolhem. E as escolhas foram feitas de forma claríssima.
Muito interessantes foram os resultados obtidos neste concelho em que a CDU obteve um dos piores resultados de sempre. Repare-se que na freguesia de Fernão Ferro, aconteceu aquilo que era impensável, até há poucos anos: a CDU ficou em quarto lugar atrás do CDS-PP. Ao contrário das eleições locais em que tantas vezes se confunde a propaganda com a informação perante a impotência das oposições, em eleições legislativas, as pessoas são bombardeadas por informação - nas televisões, rádios e jornais - que cumpre (pelo menos) um mínimo de regras de isenção e, pelas opiniões de um variado e colorido leque de personalidades que permitem reflectir e votar em consciência.
Note-se que ainda não foi desta que a CDU/ PCP assumiu os resultados eleitorais na sua plenitude. A nível nacional, a CDU, preferiu sublinhar que tinha mais um deputado - embora, de facto, tivesse tido menos eleitores! - … a continuar com este crescimento exponencial, terá maioria absoluta lá para o séc. XXIII! A nível local, sublinhou-se a vitória nas duas freguesias mais pequenas do concelho e omitiu-se, pura e simplesmente, a derrota em todas as outras. Enfim talvez, os eleitores também gostassem de ver alguma transparência na apreciação dos resultados, de ver “os bois chamados pelos nomes”: de ver uma vitória chamada de “vitória” e, uma derrota de “derrota”.
Ora, apesar das palavras e do discurso a verdade é que a relação do PCP com a transparência sempre foi uma relação difícil. Veja-se a reacção crispada do executivo camarário perante a recente proposta do PSD relativa à realização de uma auditoria. “Ignorância” disseram eles. Ora, nem mais. É a nossa convicção de que somos zelosamente mantidos na ignorância por informações tantas vezes desnecessárias e desajustadas (predomina a informação do trivial sobre a substancial) e por relatórios que espelham a necessidade e a pressa que o PCP tem de se ufanar com resultados medíocres. Veja-se a forma engenhosa como o último empréstimo aqui aprovado nesta assembleia surge nas “gordas” do Boletim Municipal1, finalmente, apesar de todos os constrangimentos que podem legitimamente ser imputados ao poder central, atente-se que apesar das dificuldades a CMS não hesitou em hipotecar o futuro do concelho quando firmou os contratos a ASSIMEC, contratos que por um período de 30 anos nos vão custar c. de 370 mil euros/mês – cerca de 4,4 milhões/ano… é por isto que podemos dizer que… estamos cansados e fartos de ver, a CDU e a sua maioria nesta câmara municipal enfeitar gralhas com penas de flamingo ou mesmo de pavão, transformando o branco em preto, e as formigas em elefantes … ou, vice-versa de acordo com a conveniência.
Catarina Tavares
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Da necessidade de Esperança à exigência da transparência
4 de Julho de 2011
Intervenção política na Assembleia Municipal do Seixal
O mais recente acto eleitoral deu uma vitória clara ao PSD e às suas propostas. Esta vitória eleitoral, surge mais uma vez, num momento crítico da vida do país. Não adianta negar: em 5 de Junho os eleitores fizeram uma escolha clara, fizeram a opção que entenderam ser a melhor, aquela que oferecia mais condições para ultrapassar o desafio perante o qual estamos colocados.Trata-se de um desafio difícil: consolidar as finanças públicas sem esquecer a necessidade de manter a coesão social num cenário de crise nacional e internacional. Hoje tal como no passado, os portugueses terão de saber que para ir para além do cabo das Tormentas é, antes de mais, preciso ter Esperança.O crescimento da economia será vital para ultrapassar o actual cenário desolador. O crescimento da economia e, com ele, o crescimento de mais e melhor emprego. É essencial lembrar que nada disto será possível num cenário de conflitualidade social. Nenhum de nós quer, certamente, ter a tragédia grega como referência. Nenhum português irá apostar decididamente no “quanto pior melhor”porque, se a barca se afundar, seremos todos náufragos da Europa e dos nossos sonhos.O PSD ganhou as eleições e, em conjunto com o CDS/PP dispõe uma sólida maioria parlamentar. É portanto, justo e democrático que governe(m).Todos esperamos que os partidos derrotados nestas eleições PS, CDU, BE saibam ser uma oposição sólida, exigente e construtiva, no parlamento e, que dessa forma contribuam para uma vitória do povo português nesta situação de adversidade.
Não valerá a pena tapar o sol com a peneira e justificar os resultados com o facto de, alegadamente, a campanha ter sido pouco esclarecedora. Os portugueses não são ignorantes. Ao fim de quase 40 anos de democracia os portugueses sabem muito bem o que escolhem e, porque escolhem. E as escolhas foram feitas de forma claríssima.
Muito interessantes foram os resultados obtidos neste concelho em que a CDU obteve um dos piores resultados de sempre. Repare-se que na freguesia de Fernão Ferro, aconteceu aquilo que era impensável, até há poucos anos: a CDU ficou em quarto lugar atrás do CDS-PP. Ao contrário das eleições locais em que tantas vezes se confunde a propaganda com a informação perante a impotência das oposições, em eleições legislativas, as pessoas são bombardeadas por informação - nas televisões, rádios e jornais - que cumpre (pelo menos) um mínimo de regras de isenção e, pelas opiniões de um variado e colorido leque de personalidades que permitem reflectir e votar em consciência.
Note-se que ainda não foi desta que a CDU/ PCP assumiu os resultados eleitorais na sua plenitude. A nível nacional, a CDU, preferiu sublinhar que tinha mais um deputado - embora, de facto, tivesse tido menos eleitores! - … a continuar com este crescimento exponencial, terá maioria absoluta lá para o séc. XXIII! A nível local, sublinhou-se a vitória nas duas freguesias mais pequenas do concelho e omitiu-se, pura e simplesmente, a derrota em todas as outras. Enfim talvez, os eleitores também gostassem de ver alguma transparência na apreciação dos resultados, de ver “os bois chamados pelos nomes”: de ver uma vitória chamada de “vitória” e, uma derrota de “derrota”.
Ora, apesar das palavras e do discurso a verdade é que a relação do PCP com a transparência sempre foi uma relação difícil. Veja-se a reacção crispada do executivo camarário perante a recente proposta do PSD relativa à realização de uma auditoria. “Ignorância” disseram eles. Ora, nem mais. É a nossa convicção de que somos zelosamente mantidos na ignorância por informações tantas vezes desnecessárias e desajustadas (predomina a informação do trivial sobre a substancial) e por relatórios que espelham a necessidade e a pressa que o PCP tem de se ufanar com resultados medíocres. Veja-se a forma engenhosa como o último empréstimo aqui aprovado nesta assembleia surge nas “gordas” do Boletim Municipal1, finalmente, apesar de todos os constrangimentos que podem legitimamente ser imputados ao poder central, atente-se que apesar das dificuldades a CMS não hesitou em hipotecar o futuro do concelho quando firmou os contratos a ASSIMEC, contratos que por um período de 30 anos nos vão custar c. de 370 mil euros/mês – cerca de 4,4 milhões/ano… é por isto que podemos dizer que… estamos cansados e fartos de ver, a CDU e a sua maioria nesta câmara municipal enfeitar gralhas com penas de flamingo ou mesmo de pavão, transformando o branco em preto, e as formigas em elefantes … ou, vice-versa de acordo com a conveniência.
Catarina Tavares