O país do Burro: Caladinhos, até prova em contrário

25-01-2012
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Não gosto desta justiça que avisa os jornais na véspera de operações policiais surpresa. Não gosto de operações policiais surpresa que acontecem dois dias depois da nomeação de uma equipa de Lisboa para investigar o crime no Porto. Não gosto de nomeações que sugiram falta de confiança em quem tem de ter toda a confiança ou não serve. Não gosto de investigações de dois dias que conduzem à apreensão de droga e de uma dúzia de suspeitos que não foram descobertos nesses dois dias. Não gosto de acções policiais montadas para apresentar trabalho feito. Não gosto de pactos de silêncio quebrados para apresentar serviço. Não gosto de apreensões e de detenções que poderiam ter sido feitas há muito e que são feitas em tal dia porque se avisou a imprensa e tinha que haver notícia. Porque isto é espectáculo e não justiça. Porque aquilo que foi apreendido e aqueles que foram detidos todos – e não só a polícia – sabiam, há muito, que ali estavam e foram usados para dar uma ideia de uma eficiência que não existe. E porque haverá muitos outros criminosos à solta, muita droga e muitas armas em circulação com o conhecimento e a coberto do silêncio de quem aplica a justiça, à espera de serem sacrificados quando se torne útil um espectáculo semelhante. Até lá, de novo, ninguém sabe e ninguém vê. Todos caladinhos, até prova em contrário.


Não gosto desta justiça que avisa os jornais na véspera de operações policiais surpresa. Não gosto de operações policiais surpresa que acontecem dois dias depois da nomeação de uma equipa de Lisboa para investigar o crime no Porto. Não gosto de nomeações que sugiram falta de confiança em quem tem de ter toda a confiança ou não serve. Não gosto de investigações de dois dias que conduzem à apreensão de droga e de uma dúzia de suspeitos que não foram descobertos nesses dois dias. Não gosto de acções policiais montadas para apresentar trabalho feito. Não gosto de pactos de silêncio quebrados para apresentar serviço. Não gosto de apreensões e de detenções que poderiam ter sido feitas há muito e que são feitas em tal dia porque se avisou a imprensa e tinha que haver notícia. Porque isto é espectáculo e não justiça. Porque aquilo que foi apreendido e aqueles que foram detidos todos – e não só a polícia – sabiam, há muito, que ali estavam e foram usados para dar uma ideia de uma eficiência que não existe. E porque haverá muitos outros criminosos à solta, muita droga e muitas armas em circulação com o conhecimento e a coberto do silêncio de quem aplica a justiça, à espera de serem sacrificados quando se torne útil um espectáculo semelhante. Até lá, de novo, ninguém sabe e ninguém vê. Todos caladinhos, até prova em contrário.

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