O presidente da Comissão Nacional de Acesso ao Ensino Superior (CNAES), Virgílio Meira Soares, apresentou a sua demissão em protesto contra actual política governo.
Com esta decisão Meira Soares abandona organismo que liderava há 15 anos, desde a data em que foi criado. Uma estrutura que define anualmente as regras do concurso de acesso ao ensino superior. Também Jorge Araújo, outro dos representantes do Conselho de Reitores (CRUP) na CNAES bateu com a porta. A comissão fica assim sem duas das personalidades que mais experiência e conhecimento têm do sistema de acesso ao ensino superior em Portugal.
"Já não e só incompetência - é estupidez, teimosia, miopia ou má-fé" escreve Meira Soares numa carta dirigida aos deputados em que explica as razões que o levaram a bater com a porta e que tem como título"A misério global do governo". Meira Soares que, desde 2000, não recebia qualquer verba pelas funções que desempenha na CNAES por se ter reformado, afirma em declarações ao Económico que "não pode "trabalharcom uma instituição que não me merece confiança e que ainda,por cima não me paga por isso". "O Governo está a criar um verdadeiro clima de guerra civil entre grupos sociais" que "resulta de uma política de 4 anos sempre a tirar aos mesmos", sublinha. "A mais recente notícia da TSU das viúvas é uma medida abjecta e em nada contribui para me descansar sobre a boa - fé do governo".
Numa carta de quatro páginas pergunta aos deputados "Isto será mesmo necessário?", protestando contra o que chama "o ataque aos aposentados" que desde 2003 " intensificou-se nalguns casos com justificações inaceitáveis", Meira Soares considera que o actual governo "demonstrou uma propensão para lançar privados contra públicos e novos contra velhos, manifestando claramente uma aversão aos aposentados em geral".
Sublinhando que compreende que "numa situação de emergência, como a actual, o Estado se veja obrigado a quebrar algumas partes dos seus contratados"Meira Soares diz estar escandalizado com o facto de o Estado atacar "de maneira despudorada os que menos recebem, os desempregados e doentes". Até porque "a incompetência dos governos é a maior responsável" pela situação do país e há "centenas de milhares de milhões de euros que estão perdidos por negligência ou por acções criminosas". O que torna incompreensível que se vá buscar o dinheiro "sempre aos mesmos".
A carta termina com um apelo aos deputados "para que tenham a coragem de tornar este processo racional e inteligível" e "porque o Governo não o faz nem sequer quer fazer".
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O presidente da Comissão Nacional de Acesso ao Ensino Superior (CNAES), Virgílio Meira Soares, apresentou a sua demissão em protesto contra actual política governo.
Com esta decisão Meira Soares abandona organismo que liderava há 15 anos, desde a data em que foi criado. Uma estrutura que define anualmente as regras do concurso de acesso ao ensino superior. Também Jorge Araújo, outro dos representantes do Conselho de Reitores (CRUP) na CNAES bateu com a porta. A comissão fica assim sem duas das personalidades que mais experiência e conhecimento têm do sistema de acesso ao ensino superior em Portugal.
"Já não e só incompetência - é estupidez, teimosia, miopia ou má-fé" escreve Meira Soares numa carta dirigida aos deputados em que explica as razões que o levaram a bater com a porta e que tem como título"A misério global do governo". Meira Soares que, desde 2000, não recebia qualquer verba pelas funções que desempenha na CNAES por se ter reformado, afirma em declarações ao Económico que "não pode "trabalharcom uma instituição que não me merece confiança e que ainda,por cima não me paga por isso". "O Governo está a criar um verdadeiro clima de guerra civil entre grupos sociais" que "resulta de uma política de 4 anos sempre a tirar aos mesmos", sublinha. "A mais recente notícia da TSU das viúvas é uma medida abjecta e em nada contribui para me descansar sobre a boa - fé do governo".
Numa carta de quatro páginas pergunta aos deputados "Isto será mesmo necessário?", protestando contra o que chama "o ataque aos aposentados" que desde 2003 " intensificou-se nalguns casos com justificações inaceitáveis", Meira Soares considera que o actual governo "demonstrou uma propensão para lançar privados contra públicos e novos contra velhos, manifestando claramente uma aversão aos aposentados em geral".
Sublinhando que compreende que "numa situação de emergência, como a actual, o Estado se veja obrigado a quebrar algumas partes dos seus contratados"Meira Soares diz estar escandalizado com o facto de o Estado atacar "de maneira despudorada os que menos recebem, os desempregados e doentes". Até porque "a incompetência dos governos é a maior responsável" pela situação do país e há "centenas de milhares de milhões de euros que estão perdidos por negligência ou por acções criminosas". O que torna incompreensível que se vá buscar o dinheiro "sempre aos mesmos".
A carta termina com um apelo aos deputados "para que tenham a coragem de tornar este processo racional e inteligível" e "porque o Governo não o faz nem sequer quer fazer".