JORGE NUNO PINTO DA COSTA: Droga usada por Jardel só é proibida em competição

05-07-2011
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Marion Jones deixou o mundo estupefacto quando se soube que, ao longo da sua carreira, passou incólume por 160 controlos antidopagem, apesar de ter recorrido ao doping durante vários anos. O espanto não se pode repetir em relação a Jardel, que no fim-de-semana confessou ter-se tornado dependente de cocaína, substância que sempre foi proibida no desporto apenas em competição, mas que, mesmo assim, se tornou num problema para o futebol. Jones usou esteróides, hormona de crescimento, insulina e até eritropoietina, substâncias com efeitos dopantes a longo prazo que figuram do lote de produtos mais procurados pelas autoridades antidopagem em qualquer circunstância, fora ou durante competições.A cocaína, pelo contrário, produz efeitos de curta duração, que dão a sensação de “hiper-estimulação, redução da fadiga e clarividência mental”. “É um estimulante forte e provavelmente o agente mais viciante”, diz a FIFA (Federação Internacional de Futebol) num documento publicado no seu site. “Ao contrário da crença popular, na realidade a cocaína não aumenta o desempenho” e até “reduz a resistência”. Mas esta droga social é responsável por “cerca de um terço de todos os controlos de doping positivos no futebol”, segundo reconhece a FIFA, que atribui este problema ao uso recreativo da cocaína, como resposta de alguns jogadores “às pressões dos seus estilos de vida”. Percepção confirmada pela recente entrevista de Jardel à TV Globo.Mas, como é que um jogador que se tornou viciado numa droga detectável nos controlos não registou qualquer análise positiva? Uma das explicações é simples: o uso de cocaína só é proibido durante competições. Mesmo que um laboratório detecte esta droga em amostras recolhidas fora de competição, legalmente nada pode fazer. O mesmo acontece com os canabinóides, que são despistados ao mesmo tempo que os anabolizantes: se não forem detectados anabolizantes, as análises têm de ser declaradas negativas e os resultados não podem ser comunicados a terceiros, nem por motivos pedagógicos. Além disso, o ex-jogador do FC Porto e do Sporting disse que só usou nas férias.Outra das variáveis que interferem nesta questão é a janela de detecção da cocaína, que pode ir até três ou quatro dias, dependendo da dose administrada, do metabolismo do jogador e da capacidade do laboratório. Se um futebolista usar cocaína após um jogo de fim-de-semana ou no dia de folga, só se jogar a meio da semana e for sorteado para o controlo é que poderá ser apanhado. Mas, o poder viciante da cocaína pode trair quem usa esta droga e faz as contas para escapar aos controlos: o síndrome de abstinência pode levar o atleta a consumir novamente a meio da semana ou mesmo antes de uma competição, por se sentir debilitado. Diego Maradona foi um dos muitos futebolistas que já caíram nesta armadilha.Em 2004, depois de Adrian Mutu ter sido demitido do Chelsea por consumir cocaína, o então presidente da Agência Mundial Antidopagem (AMA), Richard Pound, admitiu estudar a possibilidade de proibir a cocaína também fora de competição, por se tratar de “substância bastante nociva em qualquer circunstância”. A AMA está a recolher dados sobre esta questão – a cocaína faz parte do programa de monitorização em testes extracompetição – e há peritos que defendem a proibição total. Algumas federações desportivas estão contra, porque a maior parte dos testes positivos devem-se ao uso de cocaína por motivos sociais e não por doping. Podium

Marion Jones deixou o mundo estupefacto quando se soube que, ao longo da sua carreira, passou incólume por 160 controlos antidopagem, apesar de ter recorrido ao doping durante vários anos. O espanto não se pode repetir em relação a Jardel, que no fim-de-semana confessou ter-se tornado dependente de cocaína, substância que sempre foi proibida no desporto apenas em competição, mas que, mesmo assim, se tornou num problema para o futebol. Jones usou esteróides, hormona de crescimento, insulina e até eritropoietina, substâncias com efeitos dopantes a longo prazo que figuram do lote de produtos mais procurados pelas autoridades antidopagem em qualquer circunstância, fora ou durante competições.A cocaína, pelo contrário, produz efeitos de curta duração, que dão a sensação de “hiper-estimulação, redução da fadiga e clarividência mental”. “É um estimulante forte e provavelmente o agente mais viciante”, diz a FIFA (Federação Internacional de Futebol) num documento publicado no seu site. “Ao contrário da crença popular, na realidade a cocaína não aumenta o desempenho” e até “reduz a resistência”. Mas esta droga social é responsável por “cerca de um terço de todos os controlos de doping positivos no futebol”, segundo reconhece a FIFA, que atribui este problema ao uso recreativo da cocaína, como resposta de alguns jogadores “às pressões dos seus estilos de vida”. Percepção confirmada pela recente entrevista de Jardel à TV Globo.Mas, como é que um jogador que se tornou viciado numa droga detectável nos controlos não registou qualquer análise positiva? Uma das explicações é simples: o uso de cocaína só é proibido durante competições. Mesmo que um laboratório detecte esta droga em amostras recolhidas fora de competição, legalmente nada pode fazer. O mesmo acontece com os canabinóides, que são despistados ao mesmo tempo que os anabolizantes: se não forem detectados anabolizantes, as análises têm de ser declaradas negativas e os resultados não podem ser comunicados a terceiros, nem por motivos pedagógicos. Além disso, o ex-jogador do FC Porto e do Sporting disse que só usou nas férias.Outra das variáveis que interferem nesta questão é a janela de detecção da cocaína, que pode ir até três ou quatro dias, dependendo da dose administrada, do metabolismo do jogador e da capacidade do laboratório. Se um futebolista usar cocaína após um jogo de fim-de-semana ou no dia de folga, só se jogar a meio da semana e for sorteado para o controlo é que poderá ser apanhado. Mas, o poder viciante da cocaína pode trair quem usa esta droga e faz as contas para escapar aos controlos: o síndrome de abstinência pode levar o atleta a consumir novamente a meio da semana ou mesmo antes de uma competição, por se sentir debilitado. Diego Maradona foi um dos muitos futebolistas que já caíram nesta armadilha.Em 2004, depois de Adrian Mutu ter sido demitido do Chelsea por consumir cocaína, o então presidente da Agência Mundial Antidopagem (AMA), Richard Pound, admitiu estudar a possibilidade de proibir a cocaína também fora de competição, por se tratar de “substância bastante nociva em qualquer circunstância”. A AMA está a recolher dados sobre esta questão – a cocaína faz parte do programa de monitorização em testes extracompetição – e há peritos que defendem a proibição total. Algumas federações desportivas estão contra, porque a maior parte dos testes positivos devem-se ao uso de cocaína por motivos sociais e não por doping. Podium

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