Octávio V. Gonçalves: Concretizar o princípio de Canavarro é um acto de bom senso e de justiça

25-01-2012
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José Manuel Canavarro, secretário de Estado da Administração Educativa durante o governo de Santana Lopes, defende que executivo e sindicatos têm de fazer algumas cedências para que o processo de negociações seja levado a bom termo. Num debate que, "nesta fase vai ser muito político e muito pouco técnico", José Manuel Canavarro refere que "está por saber se se vai atacar os sintomas ou a causa da doença". Ou seja, se a discussão vai ficar pelo modelo de avaliação dos professores ou se passará por aquilo que define como "o mal de todos os males, o estatuto da carreira docente". Mas manifesta dúvidas: "Não sei se a abertura do Governo e da ministra da Educação chegarão aí".Quanto à suspensão da actual avaliação dos docentes, o ex-secretário de Estado defende que "seria melhor neutralizar os efeitos do modelo anterior" . Sobretudo há que salvaguardar um princípio, sublinha: "Aquilo que ficou para trás ou conta igual para todos ou não conta para ninguém."In DN online, 10/11/2009Não partilho do cepticismo de José Manuel Canavarro relativamente à revisão do ECD e, em particular, ao fim da divisão entre titulares e não titulares, mas isso logo se vê se cai na negociação entre governo e sindicatos ou se é feito cair em legislação revogatória da Assembleia da República (pois, os partidos da oposição não assumirem este explícito compromisso eleitoral consubstanciaria o descrédito partidário e uma inqualificável macacada política, em que não acredito).Todavia, congratulo-me e subscrevo, em absoluto, o princípio defendido por José Manuel Canavarro, de acordo com o qual ninguém deve retirar vantagens deste desacreditado processo avaliativo.Trata-se, apenas de uma questão de sentido de justiça, de coerência e de bom senso básicos (algo que, entre nós, alguns, convencidos que assim levantam tapumes que lhes escondem as contradições, apelidam de radicalismo), pois não podemos sustentar que este processo de avaliação foi "uma farsa", "muito mau", "incompetente", "nada sério", "uma fantochada", "indigno", "absurdo", para, em simultâneo, não retirarmos destes qualificativos a única consequência decente que pode ser extraída: anular os efeitos de uma avaliação que não foi reconhecidamente séria e competente, atribuindo-se, excepcionalmente, a todos os docentes uma classificação administrativa de "Bom" que não os penalize e lhes permita progredir na carreira (restando ainda saber que carreira?).Ou será que o nível de exigência dos professores já se acomodou aos critérios e à intencionalidade que tanto atacámos em Sócrates, que é fazermos de conta que a avaliação até pode diferenciar qualitativamente os professores mesmo que tenha sido ridícula, injusta e incompetente?E é por tudo isto que, do meu ponto de vista, "suspender" é muito diferente de "substituir" e "recomendar" não é o mesmo que "revogar", sobretudo quando o destinatário último das recomendações é Sócrates, o qual em matéria de política educativa tem um passado (e um presente) que não aconselha a figura da recomendação, caso contrário não teria deixado apodrecer o ambiente na Educação, mantendo em funções uma equipa desastrada, assim como insistindo em medidas que todos, excepto ele próprio, reputam de erradas e injustas.Por antecipaçãoEntretanto, espero, ainda hoje, ter tempo para escrever e divulgar um texto que contrarie a excitação, os equívocos, as lições de estratégia e as pretensas “mestre-alvices” finórias de muita luminária intelectual e moral que por aí pulula.


José Manuel Canavarro, secretário de Estado da Administração Educativa durante o governo de Santana Lopes, defende que executivo e sindicatos têm de fazer algumas cedências para que o processo de negociações seja levado a bom termo. Num debate que, "nesta fase vai ser muito político e muito pouco técnico", José Manuel Canavarro refere que "está por saber se se vai atacar os sintomas ou a causa da doença". Ou seja, se a discussão vai ficar pelo modelo de avaliação dos professores ou se passará por aquilo que define como "o mal de todos os males, o estatuto da carreira docente". Mas manifesta dúvidas: "Não sei se a abertura do Governo e da ministra da Educação chegarão aí".Quanto à suspensão da actual avaliação dos docentes, o ex-secretário de Estado defende que "seria melhor neutralizar os efeitos do modelo anterior" . Sobretudo há que salvaguardar um princípio, sublinha: "Aquilo que ficou para trás ou conta igual para todos ou não conta para ninguém."In DN online, 10/11/2009Não partilho do cepticismo de José Manuel Canavarro relativamente à revisão do ECD e, em particular, ao fim da divisão entre titulares e não titulares, mas isso logo se vê se cai na negociação entre governo e sindicatos ou se é feito cair em legislação revogatória da Assembleia da República (pois, os partidos da oposição não assumirem este explícito compromisso eleitoral consubstanciaria o descrédito partidário e uma inqualificável macacada política, em que não acredito).Todavia, congratulo-me e subscrevo, em absoluto, o princípio defendido por José Manuel Canavarro, de acordo com o qual ninguém deve retirar vantagens deste desacreditado processo avaliativo.Trata-se, apenas de uma questão de sentido de justiça, de coerência e de bom senso básicos (algo que, entre nós, alguns, convencidos que assim levantam tapumes que lhes escondem as contradições, apelidam de radicalismo), pois não podemos sustentar que este processo de avaliação foi "uma farsa", "muito mau", "incompetente", "nada sério", "uma fantochada", "indigno", "absurdo", para, em simultâneo, não retirarmos destes qualificativos a única consequência decente que pode ser extraída: anular os efeitos de uma avaliação que não foi reconhecidamente séria e competente, atribuindo-se, excepcionalmente, a todos os docentes uma classificação administrativa de "Bom" que não os penalize e lhes permita progredir na carreira (restando ainda saber que carreira?).Ou será que o nível de exigência dos professores já se acomodou aos critérios e à intencionalidade que tanto atacámos em Sócrates, que é fazermos de conta que a avaliação até pode diferenciar qualitativamente os professores mesmo que tenha sido ridícula, injusta e incompetente?E é por tudo isto que, do meu ponto de vista, "suspender" é muito diferente de "substituir" e "recomendar" não é o mesmo que "revogar", sobretudo quando o destinatário último das recomendações é Sócrates, o qual em matéria de política educativa tem um passado (e um presente) que não aconselha a figura da recomendação, caso contrário não teria deixado apodrecer o ambiente na Educação, mantendo em funções uma equipa desastrada, assim como insistindo em medidas que todos, excepto ele próprio, reputam de erradas e injustas.Por antecipaçãoEntretanto, espero, ainda hoje, ter tempo para escrever e divulgar um texto que contrarie a excitação, os equívocos, as lições de estratégia e as pretensas “mestre-alvices” finórias de muita luminária intelectual e moral que por aí pulula.

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