Grande Loja do Queijo Limiano: dossier Eurominas a resposta do jornalista

30-06-2011
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José António Cerejo, no Público de hoje, vem responder à resposta de José Lamego, publicada no jornal do passado sábado.

Começa por dizer em epígrafe que o Direito de Resposta editado no Público a propósito do caso Eurominas desmente duas coisas indesmentíveis...

o direito à indemnização foi reconhecido num protocolo que contraria um decreto e não numa resolução do Conselho de Ministros

Lamego participou em negociações com a empresa "enquanto membro do Governo"

continua...

José Lamego

atribuiu

o reconhecimento do direito à indemnização paga aos seus clientes a uma resolução do Conselho de Ministros que nunca existiu

Lamego alegou também que "nunca" acompanhou o processo da Eurominas "enquanto membro do Governo"

o seu envolvimento no caso

está abundantemente documentado nos arquivos de vários departamentos governamentais

As afirmações do ex-secretário de Estado constam de um texto publicado no PÚBLICO

direito de resposta

a um trabalho editado pelo PÚBLICO duas semanas antes e que não foi objecto de qualquer desmentido

Sabe bem o jornalista que o reconhecimento do direito à indemnização se efectua por Resolução do Conselho de Ministros, que procurou atalhar a inconstitucionalidade e ilegalidade do decreto-lei do Governo do doutor Cavaco Silva que operou a reversão

escreveu

procurando desmentir o facto de o princípio do direito à indemnização, cujo montante ele próprio depois negociou

ter sido estabelecido num simples protocolo celebrado em 1998 entre o Estado e a empresa e em cuja preparação ele também teve intervenção como secretário de Estado

A tese não é nova e já tinha sido usada pelo deputado e ex-secretário de Estado José Junqueiro

PÚBLICO de 23 de Setembro

José Junqueiro

referiu então que "a celebração do protocolo com a Eurominas resulta do cumprimento da Resolução do Conselho Ministros que reconhece àquela empresa o direito a uma indemnização"

sobre o número e a data de publicação da tal resolução, José Junqueiro nunca respondeu.

A inexistência da resolução governamental invocada por Lamego e Junqueiro é

confirmada

na carta confidencial escrita em 2000 pelo advogado António Lamego

irmão

e

sócio do escritório de advogados fundado por este, por Alberto Costa e António Vitorino

a propor ao Governo

a retoma das negociações em que o irmão tinha representado a empresa até poucos meses antes

A fim de proceder à liquidação da indemnização cujo direito o Estado explicitamente reconhece no protocolo assinado em 8 de Abril de 1988, venho reiterar a disponibilidade da Eurominas SA em aceitar a solução conciliatória proposta pelo juiz conselheiro Luciano Patrão em 12 de Julho de 1999

escreveu António Lamego

O direito à indemnização

contrariando o disposto no decreto-lei de Cavaco Silva que determinou a devolução ao Estado

foi assim reconhecido por um simples protocolo assinado pela empresa e por um secretário de Estado

A invocação de uma resolução do Conselho de Ministros, que teria

reconhecido o direito à indemnização, visa precisamente minimizar a eventual ilegalidade que poderia residir no facto de aquele decreto nunca ter sido revogado e ser contrariado por um protocolo

cuja natureza legal é particularmente discutível

A questão da legalidade ou da ilegalidade do protocolo em causa é controversa

razão pela qual o PÚBLICO optou por não a aprofundar

José Lamego

está entre aqueles que

tinha algumas hesitações sobre a sua legalidade

Por mera cautela o decreto de reversão teria de ser revogado, embora ele seja materialmente inconstitucional

disse o deputado ao PÚBLICO em 20 de Abril

esta opinião sobre a inconstitucionalidade do diploma está longe de ser unânime

por isso o assunto também não foi dissecado pelo PÚBLICO

Contrariamente às teses expostas por Marcelo Rebelo de Sousa, Freitas do Amaral e outros jurisconsultos

e o também professor de direito Sérvulo Correia emitiram pareceres de sentido exactamente oposto

foi nesse sentido que se manifestou também o primeiro-ministro, António Guterres

Este processo

só nunca foi julgado porque ao longo de quase quatro anos o Estado e a Eurominas pediram ao tribunal para manter o processo congelado até chegarem a acordo sobre o valor da indemnização

José António Cerejo, no Público de hoje, vem responder à resposta de José Lamego, publicada no jornal do passado sábado.

Começa por dizer em epígrafe que o Direito de Resposta editado no Público a propósito do caso Eurominas desmente duas coisas indesmentíveis...

o direito à indemnização foi reconhecido num protocolo que contraria um decreto e não numa resolução do Conselho de Ministros

Lamego participou em negociações com a empresa "enquanto membro do Governo"

continua...

José Lamego

atribuiu

o reconhecimento do direito à indemnização paga aos seus clientes a uma resolução do Conselho de Ministros que nunca existiu

Lamego alegou também que "nunca" acompanhou o processo da Eurominas "enquanto membro do Governo"

o seu envolvimento no caso

está abundantemente documentado nos arquivos de vários departamentos governamentais

As afirmações do ex-secretário de Estado constam de um texto publicado no PÚBLICO

direito de resposta

a um trabalho editado pelo PÚBLICO duas semanas antes e que não foi objecto de qualquer desmentido

Sabe bem o jornalista que o reconhecimento do direito à indemnização se efectua por Resolução do Conselho de Ministros, que procurou atalhar a inconstitucionalidade e ilegalidade do decreto-lei do Governo do doutor Cavaco Silva que operou a reversão

escreveu

procurando desmentir o facto de o princípio do direito à indemnização, cujo montante ele próprio depois negociou

ter sido estabelecido num simples protocolo celebrado em 1998 entre o Estado e a empresa e em cuja preparação ele também teve intervenção como secretário de Estado

A tese não é nova e já tinha sido usada pelo deputado e ex-secretário de Estado José Junqueiro

PÚBLICO de 23 de Setembro

José Junqueiro

referiu então que "a celebração do protocolo com a Eurominas resulta do cumprimento da Resolução do Conselho Ministros que reconhece àquela empresa o direito a uma indemnização"

sobre o número e a data de publicação da tal resolução, José Junqueiro nunca respondeu.

A inexistência da resolução governamental invocada por Lamego e Junqueiro é

confirmada

na carta confidencial escrita em 2000 pelo advogado António Lamego

irmão

e

sócio do escritório de advogados fundado por este, por Alberto Costa e António Vitorino

a propor ao Governo

a retoma das negociações em que o irmão tinha representado a empresa até poucos meses antes

A fim de proceder à liquidação da indemnização cujo direito o Estado explicitamente reconhece no protocolo assinado em 8 de Abril de 1988, venho reiterar a disponibilidade da Eurominas SA em aceitar a solução conciliatória proposta pelo juiz conselheiro Luciano Patrão em 12 de Julho de 1999

escreveu António Lamego

O direito à indemnização

contrariando o disposto no decreto-lei de Cavaco Silva que determinou a devolução ao Estado

foi assim reconhecido por um simples protocolo assinado pela empresa e por um secretário de Estado

A invocação de uma resolução do Conselho de Ministros, que teria

reconhecido o direito à indemnização, visa precisamente minimizar a eventual ilegalidade que poderia residir no facto de aquele decreto nunca ter sido revogado e ser contrariado por um protocolo

cuja natureza legal é particularmente discutível

A questão da legalidade ou da ilegalidade do protocolo em causa é controversa

razão pela qual o PÚBLICO optou por não a aprofundar

José Lamego

está entre aqueles que

tinha algumas hesitações sobre a sua legalidade

Por mera cautela o decreto de reversão teria de ser revogado, embora ele seja materialmente inconstitucional

disse o deputado ao PÚBLICO em 20 de Abril

esta opinião sobre a inconstitucionalidade do diploma está longe de ser unânime

por isso o assunto também não foi dissecado pelo PÚBLICO

Contrariamente às teses expostas por Marcelo Rebelo de Sousa, Freitas do Amaral e outros jurisconsultos

e o também professor de direito Sérvulo Correia emitiram pareceres de sentido exactamente oposto

foi nesse sentido que se manifestou também o primeiro-ministro, António Guterres

Este processo

só nunca foi julgado porque ao longo de quase quatro anos o Estado e a Eurominas pediram ao tribunal para manter o processo congelado até chegarem a acordo sobre o valor da indemnização

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