... este o título de um texto enviado por Nicolau Saião, devidamente ilustrado pelo próprio: Leio, com alguma consternação risonha, este pedaço de texto colhido num órgão de informação da minha simpatia de proletário a contragosto: Numa entrevista dada ao suplemento do Diário de Notícias, o DNA, datada de 16 de Setembro de 2000, dizia então o ministro do Ambiente José Sócrates, quando o questionaram sobre se um dia iria ser primeiro-ministro: «Não! Primeiro porque não tenho as qualidades e o talento que um primeiro-ministro deve ter. Segundo, porque ser primeiro-ministro é ter uma vida na dependência mais absoluta de tudo, sem ter tempo para mais nada. É uma vida horrível e que eu não desejo. Ministro é o meu limite. Aceitei pagar este preço. Mas nada mais do que isso». Ocorrem-me de imediato duas reflexões. A primeira é de que o homem, dado o hábito inveterado da simulação que o exorna, mais do que ser humilde chegou ao ponto de enganar-se a si mesmo. A segunda é de ordem menos metafísica, retintamente terra a terra, creio que profundamente inquieta. E vem a ser que, em 1931, entrevistado por H.R. Trevor Roper – um dos mais bem informados analistas sobre o período hitleriano - a uma pergunta do publicista Hitler respondeu da maneira que segue: “Estou na política por um imperativo. Que nunca me agradou. O que eu de facto desejo, assim que a Alemanha estiver bem orientada, é retirar-me desta condição e ir para uma quinta no campo e aí dedicar-me aos meus desenhos, a uma vida caseira e à leitura, pois verdadeiramente eu sou é um artista!”. Pois… Um sabemos que percurso teve e como acabou. Do outro também conhecemos o percurso, só não sabemos como irá acabar. Mas que parecem ser espíritos coincidentes neste particular…lá isso…parece-me inegável. …E o resto é conversa. ns
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... este o título de um texto enviado por Nicolau Saião, devidamente ilustrado pelo próprio: Leio, com alguma consternação risonha, este pedaço de texto colhido num órgão de informação da minha simpatia de proletário a contragosto: Numa entrevista dada ao suplemento do Diário de Notícias, o DNA, datada de 16 de Setembro de 2000, dizia então o ministro do Ambiente José Sócrates, quando o questionaram sobre se um dia iria ser primeiro-ministro: «Não! Primeiro porque não tenho as qualidades e o talento que um primeiro-ministro deve ter. Segundo, porque ser primeiro-ministro é ter uma vida na dependência mais absoluta de tudo, sem ter tempo para mais nada. É uma vida horrível e que eu não desejo. Ministro é o meu limite. Aceitei pagar este preço. Mas nada mais do que isso». Ocorrem-me de imediato duas reflexões. A primeira é de que o homem, dado o hábito inveterado da simulação que o exorna, mais do que ser humilde chegou ao ponto de enganar-se a si mesmo. A segunda é de ordem menos metafísica, retintamente terra a terra, creio que profundamente inquieta. E vem a ser que, em 1931, entrevistado por H.R. Trevor Roper – um dos mais bem informados analistas sobre o período hitleriano - a uma pergunta do publicista Hitler respondeu da maneira que segue: “Estou na política por um imperativo. Que nunca me agradou. O que eu de facto desejo, assim que a Alemanha estiver bem orientada, é retirar-me desta condição e ir para uma quinta no campo e aí dedicar-me aos meus desenhos, a uma vida caseira e à leitura, pois verdadeiramente eu sou é um artista!”. Pois… Um sabemos que percurso teve e como acabou. Do outro também conhecemos o percurso, só não sabemos como irá acabar. Mas que parecem ser espíritos coincidentes neste particular…lá isso…parece-me inegável. …E o resto é conversa. ns