No passado 06/07/2005 , na revista Alemã "Der Spiegel" , sob o título*"Pelo amor de Deus, Parem de ajudar África!",* um africano , especialista em economia e profundo conhecedor das realidades africanas, James Shikwati, do Quénia, afirma numa entrevista ao jornalista de Hamburgo Thilo Thielke que a ajuda internacional só alimenta a corrupção e impede que a economia se desenvolva, que destrói e acaba com a produção agrícola e industrial ecausa desemprego, consequentemente criando mais miséria e mais dependência.Afirma este africano lúcido que a ajuda ao continente africano é mais prejudicial que benéfica , realçou os efeitos desastrosos da política de desenvolvimento ocidental na África, falou sobre governantes corruptos e a tendência de exagerar por interesse o já por si grave problema da Sida .Burocracias gigantescas e inoperacionais são financiadas com o dinheiro da ajuda dos países ocidentais. A corrupção e a complacência são promovidas, os africanos aprenderam a ser mendigos, e tornam-se parasitas e dependentes.Além disso, a ajuda ao desenvolvimento enfraquece os mercados locais em toda parte e mina o espírito empreendedor que é fundamental em qualquer sociedade dando origem a que os países que receberam mais ajuda ao desenvolvimento também são os que estão actualmente em pior situação.Por mais absurdo que á primeira vista possa parecer, a ajuda ao desenvolvimento é uma das principais causas dos problemas da África. Se o Ocidente cancelasse esses pagamentos, o povo ,os africanos comuns, nem sequer perceberiam. Somente os funcionários públicos e dos programas de ajuda o sentiriam e seriam atingidos.Ao serem obrigados a encontrar sozinhos as soluções para os seus problemas, os africanos têm a possibilidade de recuperar a dignidade perdida e, eventualmente, a de abrir caminhos originais e novas soluções á sua escala e ao seu ritmo para evoluir.Afirma Shikwati : Quando há uma seca numa região do Quénia, os políticos corruptos imediatamente pedem mais ajudas. O pedido chega ao Programa Mundial de Alimentação da ONU, que é uma agência maciça de "apparatchiks" que estão na situação absurda de, por um lado, dedicarem-se à luta contra a fome, e por outro enfrentar o desemprego onde a fome é eliminada.É muito natural que eles aceitem de bom grado o pedido de mais uma ajuda, e não é raro que peçam um pouco mais de dinheiro ou alimento do que o governo africano solicitou originalmente. Eles encaminham esse pedido ao seu quartel-general, e em pouco tempo, se a ajuda for alimentar , milhares de toneladas de milho ou outro cereal são embarcadas para a África .Esse milho acaba em determinada altura num porto como por exemplo o de Mombasa. Uma parte do alimento em geral vai directamente para as mãos de políticos corruptos e sem escrupulos, que em primeira mão o distribuem na sua própria tribo para manter a lealdade tribal em alta e ajudar sua próxima campanha eleitoral. A outra parte da carga termina no mercado negro, onde o milho é vendido a preços extremamente baixos. Os agricultores locais podem guardar os arados; ninguém consegue concorrer com os preços de mercado ditados por esta concorrencia desleal originada pelo programa de alimentação da ONU. E como os agricultores cedem diante dessa pressão e deixam de semear , o Quênia não terá reservas a que recorrer se houver uma seca e fome no próximo ano. É um ciclo simples mas fatal.Se não existissem as ajudas, os Quenianos, seriam obrigados a iniciar relações comerciais com outros Países africanos seus vizinhos , como o Uganda, Tanzânia , Moçambique, etc, para comprar-lhes alimentos. Esse tipo de comércio é vital para a África pois obrigaria a melhorar as infra-estruturas, enquanto tornaria mais permeáveis as fronteiras nacionais ,que , aliás, até foram artificialmente traçadas pelos europeus. Também os obrigaria a legislar a favor da economia de mercado e levaria a acordos internacionais que favorecessem o comércio e a circulação de bens.A fome não deveria ser um problema na maioria dos países ao sul do Saara pois nestes países existem vastos recursos naturais como petróleo, ouro, diamantes.Nos países industrializados existe a sensação de que a África naufragaria sem a ajuda ao desenvolvimento. Será assim ? A África já existia antes das ajudas aparecerem.Até a sida é um grande negócio, talvez o maior negócio da África. Não há nada capaz de gerar tanto dinheiro de ajudas quanto as fotografias das criancinhas e os números chocantes sobre a sida. Em Africa esta é em primeiro lugar uma doença política. Milhões de dólares e euros destinados ao combate à sida estão guardados em contas bancárias, nos próprios países e noutras partes do mundo, e não foram gastos naquilo a que se destinavam. Os governantes e políticos ficaram cheios de dinheiro, e continuam a desviar o máximo possível em proveito próprio .O falecido tirano da República Centro Africana, Jean Bedel Bokassa, resumiu cinicamente tudo isso dizendo: "O governo francês paga por tudo no nosso país. Nós pedimos dinheiro aos franceses,eles mandam , nós recebemos e então gastamos".Todos os anos chegam ao Quénia e a outros países rios de dinheiro, alimentos e roupa usada doada por cidadãos Ocidentais que querem ajudar os africanos. Shikwati pergunta : Porquê enviar para África essas montanhas de roupas e agasalhos ? Ninguém passa frio no clima africano! A quase totalidade dela não é entregue ao povo . Em vez disso aparece a preços irrisórios á venda nos chamados mercados Mitumba e por isso os costureiros tradicionais perdem o seu unico ganha-pão. Eles estão na mesma situação que os agricultores. Ninguém no mundo de baixos salários de África pode ser eficiente o bastante para acompanhar o ritmo e os preços a que são vendidos os produtos doados. Em 1997 havia 137 mil trabalhadores empregados na indústria têxtil da Nigéria. Em 2003 o número tinha caído para 57 mil. Os resultados são iguais em todas as outras regiões onde o excesso de ajuda e os frágeis mercados africanos entram em colisão.Quando inquirido sobre se uma retirada neste momento dos programas de ajuda internacionais não iria aumentar a miséria e o desemprego , o economista rematou : A África precisa dar os primeiros passos na modernidade por conta própria. Deve haver uma mudança de mentalidade. Têm de parar de se auto-considerar mendigos. Hoje em dia os africanos só se vêem como vítimas , como coitadinhos. Por outro lado, ninguém pode realmente imaginar um africano como um honesto e próspero homem de negócios. Para mudar a situação actual, seria útil se as organizações de ajuda saíssem.É verdade que, se, ou quando o fizerem, muitos empregos serão imediatamente perdidos. Mas que empregos ? Empregos que foram criados artificialmente, para começar, e que distorcem a realidade. Os empregos nas organizações estrangeiras de ajuda são muito bem pagos e como tal muito apreciados, e estas organizações são muito selectivas na escolha dos candidatos. Quando uma organização de ajuda precisa de um motorista, dezenas de pessoas se candidatam. Como é inaceitável que o motorista só fale a sua língua tribal, o candidato também deve falar Inglês , Português , Alemão ou Francês fluentemente, ser minimamente instruido , bem educado sobre o ponto de vista ocidental e ter boas maneiras. Então acaba-se com um jovem licenciado africanocomo motorista a conduzir o carro de um funcionário da ajuda, distribuindo comida Europeia e levando, como consequencia, os agricultores locais a deixar seu trabalho. É simplesmente surreal! Se se quer realmente combater a pobreza, deveriam parar totalmente a ajuda ao desenvolvimento e dar à África a oportunidade de garantir por si mesma a sua subsistencia e sobrevivência.Actualmente a África é como uma criança que chora imediatamente quando há algo errado a pedir ajuda à Mãe ou ao Pai.A África tem que erguer-se sobre os próprios pés.»
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No passado 06/07/2005 , na revista Alemã "Der Spiegel" , sob o título*"Pelo amor de Deus, Parem de ajudar África!",* um africano , especialista em economia e profundo conhecedor das realidades africanas, James Shikwati, do Quénia, afirma numa entrevista ao jornalista de Hamburgo Thilo Thielke que a ajuda internacional só alimenta a corrupção e impede que a economia se desenvolva, que destrói e acaba com a produção agrícola e industrial ecausa desemprego, consequentemente criando mais miséria e mais dependência.Afirma este africano lúcido que a ajuda ao continente africano é mais prejudicial que benéfica , realçou os efeitos desastrosos da política de desenvolvimento ocidental na África, falou sobre governantes corruptos e a tendência de exagerar por interesse o já por si grave problema da Sida .Burocracias gigantescas e inoperacionais são financiadas com o dinheiro da ajuda dos países ocidentais. A corrupção e a complacência são promovidas, os africanos aprenderam a ser mendigos, e tornam-se parasitas e dependentes.Além disso, a ajuda ao desenvolvimento enfraquece os mercados locais em toda parte e mina o espírito empreendedor que é fundamental em qualquer sociedade dando origem a que os países que receberam mais ajuda ao desenvolvimento também são os que estão actualmente em pior situação.Por mais absurdo que á primeira vista possa parecer, a ajuda ao desenvolvimento é uma das principais causas dos problemas da África. Se o Ocidente cancelasse esses pagamentos, o povo ,os africanos comuns, nem sequer perceberiam. Somente os funcionários públicos e dos programas de ajuda o sentiriam e seriam atingidos.Ao serem obrigados a encontrar sozinhos as soluções para os seus problemas, os africanos têm a possibilidade de recuperar a dignidade perdida e, eventualmente, a de abrir caminhos originais e novas soluções á sua escala e ao seu ritmo para evoluir.Afirma Shikwati : Quando há uma seca numa região do Quénia, os políticos corruptos imediatamente pedem mais ajudas. O pedido chega ao Programa Mundial de Alimentação da ONU, que é uma agência maciça de "apparatchiks" que estão na situação absurda de, por um lado, dedicarem-se à luta contra a fome, e por outro enfrentar o desemprego onde a fome é eliminada.É muito natural que eles aceitem de bom grado o pedido de mais uma ajuda, e não é raro que peçam um pouco mais de dinheiro ou alimento do que o governo africano solicitou originalmente. Eles encaminham esse pedido ao seu quartel-general, e em pouco tempo, se a ajuda for alimentar , milhares de toneladas de milho ou outro cereal são embarcadas para a África .Esse milho acaba em determinada altura num porto como por exemplo o de Mombasa. Uma parte do alimento em geral vai directamente para as mãos de políticos corruptos e sem escrupulos, que em primeira mão o distribuem na sua própria tribo para manter a lealdade tribal em alta e ajudar sua próxima campanha eleitoral. A outra parte da carga termina no mercado negro, onde o milho é vendido a preços extremamente baixos. Os agricultores locais podem guardar os arados; ninguém consegue concorrer com os preços de mercado ditados por esta concorrencia desleal originada pelo programa de alimentação da ONU. E como os agricultores cedem diante dessa pressão e deixam de semear , o Quênia não terá reservas a que recorrer se houver uma seca e fome no próximo ano. É um ciclo simples mas fatal.Se não existissem as ajudas, os Quenianos, seriam obrigados a iniciar relações comerciais com outros Países africanos seus vizinhos , como o Uganda, Tanzânia , Moçambique, etc, para comprar-lhes alimentos. Esse tipo de comércio é vital para a África pois obrigaria a melhorar as infra-estruturas, enquanto tornaria mais permeáveis as fronteiras nacionais ,que , aliás, até foram artificialmente traçadas pelos europeus. Também os obrigaria a legislar a favor da economia de mercado e levaria a acordos internacionais que favorecessem o comércio e a circulação de bens.A fome não deveria ser um problema na maioria dos países ao sul do Saara pois nestes países existem vastos recursos naturais como petróleo, ouro, diamantes.Nos países industrializados existe a sensação de que a África naufragaria sem a ajuda ao desenvolvimento. Será assim ? A África já existia antes das ajudas aparecerem.Até a sida é um grande negócio, talvez o maior negócio da África. Não há nada capaz de gerar tanto dinheiro de ajudas quanto as fotografias das criancinhas e os números chocantes sobre a sida. Em Africa esta é em primeiro lugar uma doença política. Milhões de dólares e euros destinados ao combate à sida estão guardados em contas bancárias, nos próprios países e noutras partes do mundo, e não foram gastos naquilo a que se destinavam. Os governantes e políticos ficaram cheios de dinheiro, e continuam a desviar o máximo possível em proveito próprio .O falecido tirano da República Centro Africana, Jean Bedel Bokassa, resumiu cinicamente tudo isso dizendo: "O governo francês paga por tudo no nosso país. Nós pedimos dinheiro aos franceses,eles mandam , nós recebemos e então gastamos".Todos os anos chegam ao Quénia e a outros países rios de dinheiro, alimentos e roupa usada doada por cidadãos Ocidentais que querem ajudar os africanos. Shikwati pergunta : Porquê enviar para África essas montanhas de roupas e agasalhos ? Ninguém passa frio no clima africano! A quase totalidade dela não é entregue ao povo . Em vez disso aparece a preços irrisórios á venda nos chamados mercados Mitumba e por isso os costureiros tradicionais perdem o seu unico ganha-pão. Eles estão na mesma situação que os agricultores. Ninguém no mundo de baixos salários de África pode ser eficiente o bastante para acompanhar o ritmo e os preços a que são vendidos os produtos doados. Em 1997 havia 137 mil trabalhadores empregados na indústria têxtil da Nigéria. Em 2003 o número tinha caído para 57 mil. Os resultados são iguais em todas as outras regiões onde o excesso de ajuda e os frágeis mercados africanos entram em colisão.Quando inquirido sobre se uma retirada neste momento dos programas de ajuda internacionais não iria aumentar a miséria e o desemprego , o economista rematou : A África precisa dar os primeiros passos na modernidade por conta própria. Deve haver uma mudança de mentalidade. Têm de parar de se auto-considerar mendigos. Hoje em dia os africanos só se vêem como vítimas , como coitadinhos. Por outro lado, ninguém pode realmente imaginar um africano como um honesto e próspero homem de negócios. Para mudar a situação actual, seria útil se as organizações de ajuda saíssem.É verdade que, se, ou quando o fizerem, muitos empregos serão imediatamente perdidos. Mas que empregos ? Empregos que foram criados artificialmente, para começar, e que distorcem a realidade. Os empregos nas organizações estrangeiras de ajuda são muito bem pagos e como tal muito apreciados, e estas organizações são muito selectivas na escolha dos candidatos. Quando uma organização de ajuda precisa de um motorista, dezenas de pessoas se candidatam. Como é inaceitável que o motorista só fale a sua língua tribal, o candidato também deve falar Inglês , Português , Alemão ou Francês fluentemente, ser minimamente instruido , bem educado sobre o ponto de vista ocidental e ter boas maneiras. Então acaba-se com um jovem licenciado africanocomo motorista a conduzir o carro de um funcionário da ajuda, distribuindo comida Europeia e levando, como consequencia, os agricultores locais a deixar seu trabalho. É simplesmente surreal! Se se quer realmente combater a pobreza, deveriam parar totalmente a ajuda ao desenvolvimento e dar à África a oportunidade de garantir por si mesma a sua subsistencia e sobrevivência.Actualmente a África é como uma criança que chora imediatamente quando há algo errado a pedir ajuda à Mãe ou ao Pai.A África tem que erguer-se sobre os próprios pés.»