1.Atenção: aquilo que vou descrever é real; passou no Canal 1. Acompanhem-me nesta pequena viagem ao ridículo: “X” é jogador compulsivo; “X” solicita ao Estado o seguinte: o Estado deve obrigar o casino “Y” a não deixá-lo entrar (repito: “X” pode pedir ao Estado uma protecção legal contra os seus próprios vícios); cria-se uma lei que obriga os casinos a controlar este e outros tipos (repito: se “X” solicitar ao estado, o casino tem a obrigação de impedir a entrada nas suas instalações deste indivíduo). Já adivinham o final, não é? “X”, obviamente, entrou no casino (como é que um casino controla isto?). Quem paga? Claro, o casino. Só não percebi uma coisa: o dinheiro vai para o estado ou para o jogador compulsivo? Isto é demasiada realidade para a minha camioneta. Isto não pode ser real. Só pode ser ficção. Só pode ser uma rábula. O “Contra Informação” ou o “Gato Fedorento” não conseguem fazer melhor. 2. Isto é a desresponsabilização total do indivíduo. Melhor: isto é a infantilização do indivíduo com a conivência de um Estado que aceita toda e qualquer balela psicológica que torna os homens em crianças controladas por desejos psicologicamente incontroláveis. 3.Vou ali roubar um banco para comprar todos os livros que quero incontrolavelmente ler. Depois solicito ao Estado o seguinte: “é favor culpar as livrarias. E já agora quero uma indemnização”. Quem manda ter livrarias abertas? Quem manda atazanar os desejos incontroláveis de um leitor compulsivo? [Henrique Raposo]
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1.Atenção: aquilo que vou descrever é real; passou no Canal 1. Acompanhem-me nesta pequena viagem ao ridículo: “X” é jogador compulsivo; “X” solicita ao Estado o seguinte: o Estado deve obrigar o casino “Y” a não deixá-lo entrar (repito: “X” pode pedir ao Estado uma protecção legal contra os seus próprios vícios); cria-se uma lei que obriga os casinos a controlar este e outros tipos (repito: se “X” solicitar ao estado, o casino tem a obrigação de impedir a entrada nas suas instalações deste indivíduo). Já adivinham o final, não é? “X”, obviamente, entrou no casino (como é que um casino controla isto?). Quem paga? Claro, o casino. Só não percebi uma coisa: o dinheiro vai para o estado ou para o jogador compulsivo? Isto é demasiada realidade para a minha camioneta. Isto não pode ser real. Só pode ser ficção. Só pode ser uma rábula. O “Contra Informação” ou o “Gato Fedorento” não conseguem fazer melhor. 2. Isto é a desresponsabilização total do indivíduo. Melhor: isto é a infantilização do indivíduo com a conivência de um Estado que aceita toda e qualquer balela psicológica que torna os homens em crianças controladas por desejos psicologicamente incontroláveis. 3.Vou ali roubar um banco para comprar todos os livros que quero incontrolavelmente ler. Depois solicito ao Estado o seguinte: “é favor culpar as livrarias. E já agora quero uma indemnização”. Quem manda ter livrarias abertas? Quem manda atazanar os desejos incontroláveis de um leitor compulsivo? [Henrique Raposo]