Poucos talentos terão sido tão pouco apreciados, poucas figuras marcantes terão sido tão injustiçadas como Joaquim Pina Moura. Formado em Finanças Públicas, com especialização em planos quinquenais, pela Universidade Ulianov, em Moscovo, completou o seu percurso académico com uma notável pós-graduação em capitalismo. Depois de longos anos noutros ofícios onde não teve especial projecção, foi na política que iniciou uma carreira fulgurante. De chefe de gabinete de ministro, a ministro. De ministro a super-ministro. De super-ministro a referência indiscutível para a nação. Foi como ministro que se afirmou figura notável do país na última década. Entre o extraordinário trabalho realizado na contenção do défice público, é igualmente considerado por ser um dos founding fathers da doutrina “como manter centros de decisão em Portugal vendendo empresas a espanhóis”. O mesmo plano que Diogo Vaz Guedes soube transformar em modelo para todo o patronato português. Pina teve a oportunidade de aplicar o seu próprio sistema, quando num golpe de génio, se lembrou que a única forma de evitar perder o controlo de empresas consideradas essenciais era vendê-las a estrangeiros. Especialmente conhecido nos manuais de gestão ficou o caso da EDP, quando resolveu negociar a empresa com a sua principal concorrente, a Iberdrola. Os espanhóis, de tão impressionados que ficaram com a intransigência e habilidade de Pina Moura na defesa dos interesses nacionais, logo o decidiram convidar para Presidente do Conselho de Administração em Portugal. Desenganem-se aqueles que julgam que se tratou de uma reforma dourada. Actualmente, aguardam-no novos e extenuantes desafios. Como representante da energética terá de negociar a rescisão de um contrato, no valor de muitos milhões de euros, que ele próprio assinou como ministro. Do outro lado, a defender os superiores interesses do Estado português, estarão amigos do partido e ex-colegas de governo. Eis um desafio à altura de Pina Moura. Estamos certos que nenhuma das partes desta épica contenda nos desiludirá. Pina Moura é hoje deputado eleito do Partido Socialista pelo círculo da Guarda, conselheiro de José Sócrates para matérias económicas e presidente do conselho de adminstração da Iberdrola em Portugal. Dá entrevistas, aparece nos jornais é respeitado e encontra-se em liberdade. Talvez um dia alguém lhe faça justiça. [Rodrigo Moita de Deus]
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Poucos talentos terão sido tão pouco apreciados, poucas figuras marcantes terão sido tão injustiçadas como Joaquim Pina Moura. Formado em Finanças Públicas, com especialização em planos quinquenais, pela Universidade Ulianov, em Moscovo, completou o seu percurso académico com uma notável pós-graduação em capitalismo. Depois de longos anos noutros ofícios onde não teve especial projecção, foi na política que iniciou uma carreira fulgurante. De chefe de gabinete de ministro, a ministro. De ministro a super-ministro. De super-ministro a referência indiscutível para a nação. Foi como ministro que se afirmou figura notável do país na última década. Entre o extraordinário trabalho realizado na contenção do défice público, é igualmente considerado por ser um dos founding fathers da doutrina “como manter centros de decisão em Portugal vendendo empresas a espanhóis”. O mesmo plano que Diogo Vaz Guedes soube transformar em modelo para todo o patronato português. Pina teve a oportunidade de aplicar o seu próprio sistema, quando num golpe de génio, se lembrou que a única forma de evitar perder o controlo de empresas consideradas essenciais era vendê-las a estrangeiros. Especialmente conhecido nos manuais de gestão ficou o caso da EDP, quando resolveu negociar a empresa com a sua principal concorrente, a Iberdrola. Os espanhóis, de tão impressionados que ficaram com a intransigência e habilidade de Pina Moura na defesa dos interesses nacionais, logo o decidiram convidar para Presidente do Conselho de Administração em Portugal. Desenganem-se aqueles que julgam que se tratou de uma reforma dourada. Actualmente, aguardam-no novos e extenuantes desafios. Como representante da energética terá de negociar a rescisão de um contrato, no valor de muitos milhões de euros, que ele próprio assinou como ministro. Do outro lado, a defender os superiores interesses do Estado português, estarão amigos do partido e ex-colegas de governo. Eis um desafio à altura de Pina Moura. Estamos certos que nenhuma das partes desta épica contenda nos desiludirá. Pina Moura é hoje deputado eleito do Partido Socialista pelo círculo da Guarda, conselheiro de José Sócrates para matérias económicas e presidente do conselho de adminstração da Iberdrola em Portugal. Dá entrevistas, aparece nos jornais é respeitado e encontra-se em liberdade. Talvez um dia alguém lhe faça justiça. [Rodrigo Moita de Deus]