O Acidental: Liberdade para o Dalai Lama, já!

22-01-2012
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Temos agora os escribas do Barnabé consternados e visivelmente incomodados com o percurso de vida da Irmã Lúcia. De certeza que ela agradece.Mas tenho pena que estes amigos da Irmã Lúcia só falem dela. E os outros? E a coitada da Madre Teresa de Calcutá que viveu anos a fio sem comida, a dormir lado a lado com leprosos em perfeita miséria? Não teria também ela direito a um qualquer rendimento mínimo? Não teria ela direito a casar-se e a gerar vida? Não teria ela direito, enfim, a dizer basta ao catolicismo, ao terço diário e às missas partilhadas com famintos pobres da Índia? E o que é que a Igreja Católica fez? Fechou os olhos! Não a resgatou da miséria. Não lhe disse que podia trabalhar, viver numa casa condigna e constituir família como todas as mulheres.Isto para não falar do Dalai Lama. Uma criança com apenas dois anos – notem bem: dois anos – que é escolhida por monges celibatários que não sabem nada da vida para ser líder espiritual. Alguém lhe perguntou se ele queria essa enorme responsabilidade? Alguém informou e indemnizou devidamente os pais pela nacionalização do filho a favor de uma religião? E poder jogar à bola, ir para os copos com os amigos, dar uma voltas com uma nepalesas, não teria também este jovem, o pequenino Tenzin Gyatso, direito a tudo isso, como todos os outros rapazes do Tibete? Será que ele queria, será que ele sabia que podia escolher?Convenhamos que este caso é mesmo desumano. Ao menos a irmã Lúcia tinha doze anos quando se deslumbrou com umas sombras falantes. Já o outro, o Tenzin, tinha apenas dois aninhos quando foi violentamente encarnado por uma alma perdida! Força, Barnabé.O mundo precisa de saber, porque eles não sabem o que fazem. [Inês Teotónio Pereira]

Temos agora os escribas do Barnabé consternados e visivelmente incomodados com o percurso de vida da Irmã Lúcia. De certeza que ela agradece.Mas tenho pena que estes amigos da Irmã Lúcia só falem dela. E os outros? E a coitada da Madre Teresa de Calcutá que viveu anos a fio sem comida, a dormir lado a lado com leprosos em perfeita miséria? Não teria também ela direito a um qualquer rendimento mínimo? Não teria ela direito a casar-se e a gerar vida? Não teria ela direito, enfim, a dizer basta ao catolicismo, ao terço diário e às missas partilhadas com famintos pobres da Índia? E o que é que a Igreja Católica fez? Fechou os olhos! Não a resgatou da miséria. Não lhe disse que podia trabalhar, viver numa casa condigna e constituir família como todas as mulheres.Isto para não falar do Dalai Lama. Uma criança com apenas dois anos – notem bem: dois anos – que é escolhida por monges celibatários que não sabem nada da vida para ser líder espiritual. Alguém lhe perguntou se ele queria essa enorme responsabilidade? Alguém informou e indemnizou devidamente os pais pela nacionalização do filho a favor de uma religião? E poder jogar à bola, ir para os copos com os amigos, dar uma voltas com uma nepalesas, não teria também este jovem, o pequenino Tenzin Gyatso, direito a tudo isso, como todos os outros rapazes do Tibete? Será que ele queria, será que ele sabia que podia escolher?Convenhamos que este caso é mesmo desumano. Ao menos a irmã Lúcia tinha doze anos quando se deslumbrou com umas sombras falantes. Já o outro, o Tenzin, tinha apenas dois aninhos quando foi violentamente encarnado por uma alma perdida! Força, Barnabé.O mundo precisa de saber, porque eles não sabem o que fazem. [Inês Teotónio Pereira]

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