1. Seria positivo que os partidos e as respectivas direcções parlamentares mostrassem interesse em dispensar parte das férias de Verão próximas para trabalharem a sério numa revisão constitucional. Convinha mudar as regras e o livro-mãe da República antes e sem termos de bater no fundo. À cabeça, como já muitos referiram, o imperativo de limitar constitucionalmente o défice e a dívida pública, bem como delinear muito as formas possíveis de financiamento de certas rúbricas. A incluir, também, a necessidade de aprovação por larga maioria (3/4 melhor que 2/3, para excluir a possibilidade de "compra de votos" de pequenos partidos por parte de um partido com maioria) de projectos de investimento que se repercutam sobre gerações futuras e que estejam acima de um determinado montante. Os exemplos vêm de cima, e se o endividamento brutal de Portugal deve muito à irresponsabilidade individual quer dos privados quer dos bancos, com nota especial para a passividade (para ser simpático) do recente Banco de Portugal, a irresponsabilidade dos governantes de Portugal é a primeira a ser assacada. O "quadro mental" dos portugueses mudaria bastante com uma revisão constitucional que torne os políticos mais "accountable" e que delimite as tendências gastadoras do Estado.Portugal repete hoje o que já viveu inúmeras vezes nos últimos dois séculos. Vivemos em círculos, como aliás vive a maior parte das pessoas. Repetimos os mesmos erros, passamos pelas mesmas crises, não desdenhamos os pensos rápidos de antigamente, para depois irmos de rastos para a sala de operações - isto depois de muitos irresponsáveis se porem em fuga. Para romper um comportamento repetitivo e destrutivo, um indivíduo ou um colectivo precisam de parar para pensar, ser verdadeiros consigo próprios, e aceitar que a subida de uns furos na escada da responsabilidade (sem ela não há crescimento), implica custos no curto prazo, dados os hábitos construídos. A perda de soberania que já existe, por imposição do eixo franco-alemão, é bem-vinda, mas não esqueçamos que França e a Alemanha também se desviaram das regras impostas pelo PEC em 2006. Quando há regras, é para cumprir. O mais lamentável nesta reacção do PSD é a revelação da pequenez mental e intelectual de alguns seus altos dirigentes.Ferreira Leite falou de suspender a democracia por seis meses em campanha eleitoral, e foi um enorme sururu. Faltam-lhe certas qualidades com as quais poderia ter explorado essa inevitabilidade no futuro devido à precaridade do país. Sim, disse muitas verdades, mas sem o impacto necessário, o que é lamentável. Sócrates escondeu números e mentiu ao país. Não há Pittas, Galambas ou Corporativos que invoquem o contexto internacional para fazer esquecer isto.A democracia tem muitos perigos e um deles é a actual desvalorização do valor da equidade intergeracional, cuja presença no debate público é ainda muito insuficiente. É preciso encontrar mecanismos que corrijam esta assimetria, não numa lógica de "blue print", mas de limitação de tendências perniciosas dos governantes. Através de garantias constitucionais sobre projectos que se repercutam no futuro, de revisão do sistema eleitoral, ou outras. Outro perigo tem que ver com o discurso e debate político. O Pedro cita aqui a Spectator, e eu ia mais longe: o excesso de poder do cidadão comum no debate político é pernicioso, porque torna o debate uma espécie de "Britain's Got Talent" político. "I'm 72 and my pension is only 300 pounds a month..."; "I have cancer and have been on a waiting list for the past two years..."; "My son got killed in Iraq and I suffer tremendously from his loss since then"... E a isto respondeu cada um dos líderes com eloquência e compaixão - o que poderiam fazer? Discutor regras sobre como debater. (Debate esse que já requer regras, etc, a circularidade é inevitável; a razão não serve - ainda bem - para tudo). Eu gostava de ver um debate televisivo entre Sócrates e Passos às escuras, para o conteúdo do que têm para oferecer ser claro. Sra: Judite: promova uma conversa às escuras para clarificar os portugueses.2. Quando partilho um certo "ódio" ao comunismo e aos comunistas portugueses com compatriotas em Oxford, recebo olhares um pouco espantados. Mas é um facto que grande parte dos portugueses pensa nos problemas da distribuição da riqueza sem realizar ou enfatizar que a riqueza primeiro tem de ser criada; não percebe que para se promover a criação de riqueza é preciso aceitar-se algumas inequidades relativas (via Insurgente); acha, mesmo que inconscientemente, que a riqueza cai do céu; não percebe as consequências financeiras do actual Estado Social, independentemente das aparições televisivas de Medina Carreira; mesmo tendo filhos, mostra-se pouco disponível para aceitar pensar no futuro de Portugal - a falta de amor à pátria também não é dispicienda, afinal seremos dos poucos povos que se envergonham de o ser no estrangeiro ("(em Paris): olha, aqueles são portugueses!! Chiuuuuu, vamos falar inglês."), enquanto os outros o celebram. Os comunistas portugueses, e a sua estúpida sobrevivência política, são menos uma causa do nosso atraso (coitados) do que um sinal da pobreza mental deste país. Uns dias à conversa com quem viveu o comunismo nos países de Leste bastaria para limpar softwares instalados que passaram de prazo. Por isso diz bem António Coutinho Coelho que ""A nossa crise é só nossa e é cultural! Habituamo-nos a viver acima das nossa possibilidades. Adoramos politicos que nos vêm falar de oásis, de futuros radiosos, de direitos adquiridos, de amanhãs que cantam! E agora que começamos a ver que chegamos ao fundo do poço, desatamos a vociferar contra os economistas pessimistas, contra os banqueiros, contra os ricos, contra os agiotas, contra os bancos estrangeiros que não nos querem emprestar, contra as agências de rating! É urgente dar um espelho aos portugueses para que eles se vejam! Alguns irão suicidar-se, outros fugirão, mas alguns ficarão. E com esses talvez se construa um país viável, um país em que se produza a riqueza necessária ao bem estar do seu povo, sem direitos adquiridos, só com deveres de cidadania e muito, muito trabalho. Então saberemos, porque haveremos de previlegiar o saber, escolher o governo responsável e competente. Que saberá distribuir de de forma equitativa a riqueza criada."Gostava de estar enganado, mas aquilo que urge mudar no sistema político português, o actual líder da oposição não tem arcaboiço para o cumprir ou sequer promover.
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1. Seria positivo que os partidos e as respectivas direcções parlamentares mostrassem interesse em dispensar parte das férias de Verão próximas para trabalharem a sério numa revisão constitucional. Convinha mudar as regras e o livro-mãe da República antes e sem termos de bater no fundo. À cabeça, como já muitos referiram, o imperativo de limitar constitucionalmente o défice e a dívida pública, bem como delinear muito as formas possíveis de financiamento de certas rúbricas. A incluir, também, a necessidade de aprovação por larga maioria (3/4 melhor que 2/3, para excluir a possibilidade de "compra de votos" de pequenos partidos por parte de um partido com maioria) de projectos de investimento que se repercutam sobre gerações futuras e que estejam acima de um determinado montante. Os exemplos vêm de cima, e se o endividamento brutal de Portugal deve muito à irresponsabilidade individual quer dos privados quer dos bancos, com nota especial para a passividade (para ser simpático) do recente Banco de Portugal, a irresponsabilidade dos governantes de Portugal é a primeira a ser assacada. O "quadro mental" dos portugueses mudaria bastante com uma revisão constitucional que torne os políticos mais "accountable" e que delimite as tendências gastadoras do Estado.Portugal repete hoje o que já viveu inúmeras vezes nos últimos dois séculos. Vivemos em círculos, como aliás vive a maior parte das pessoas. Repetimos os mesmos erros, passamos pelas mesmas crises, não desdenhamos os pensos rápidos de antigamente, para depois irmos de rastos para a sala de operações - isto depois de muitos irresponsáveis se porem em fuga. Para romper um comportamento repetitivo e destrutivo, um indivíduo ou um colectivo precisam de parar para pensar, ser verdadeiros consigo próprios, e aceitar que a subida de uns furos na escada da responsabilidade (sem ela não há crescimento), implica custos no curto prazo, dados os hábitos construídos. A perda de soberania que já existe, por imposição do eixo franco-alemão, é bem-vinda, mas não esqueçamos que França e a Alemanha também se desviaram das regras impostas pelo PEC em 2006. Quando há regras, é para cumprir. O mais lamentável nesta reacção do PSD é a revelação da pequenez mental e intelectual de alguns seus altos dirigentes.Ferreira Leite falou de suspender a democracia por seis meses em campanha eleitoral, e foi um enorme sururu. Faltam-lhe certas qualidades com as quais poderia ter explorado essa inevitabilidade no futuro devido à precaridade do país. Sim, disse muitas verdades, mas sem o impacto necessário, o que é lamentável. Sócrates escondeu números e mentiu ao país. Não há Pittas, Galambas ou Corporativos que invoquem o contexto internacional para fazer esquecer isto.A democracia tem muitos perigos e um deles é a actual desvalorização do valor da equidade intergeracional, cuja presença no debate público é ainda muito insuficiente. É preciso encontrar mecanismos que corrijam esta assimetria, não numa lógica de "blue print", mas de limitação de tendências perniciosas dos governantes. Através de garantias constitucionais sobre projectos que se repercutam no futuro, de revisão do sistema eleitoral, ou outras. Outro perigo tem que ver com o discurso e debate político. O Pedro cita aqui a Spectator, e eu ia mais longe: o excesso de poder do cidadão comum no debate político é pernicioso, porque torna o debate uma espécie de "Britain's Got Talent" político. "I'm 72 and my pension is only 300 pounds a month..."; "I have cancer and have been on a waiting list for the past two years..."; "My son got killed in Iraq and I suffer tremendously from his loss since then"... E a isto respondeu cada um dos líderes com eloquência e compaixão - o que poderiam fazer? Discutor regras sobre como debater. (Debate esse que já requer regras, etc, a circularidade é inevitável; a razão não serve - ainda bem - para tudo). Eu gostava de ver um debate televisivo entre Sócrates e Passos às escuras, para o conteúdo do que têm para oferecer ser claro. Sra: Judite: promova uma conversa às escuras para clarificar os portugueses.2. Quando partilho um certo "ódio" ao comunismo e aos comunistas portugueses com compatriotas em Oxford, recebo olhares um pouco espantados. Mas é um facto que grande parte dos portugueses pensa nos problemas da distribuição da riqueza sem realizar ou enfatizar que a riqueza primeiro tem de ser criada; não percebe que para se promover a criação de riqueza é preciso aceitar-se algumas inequidades relativas (via Insurgente); acha, mesmo que inconscientemente, que a riqueza cai do céu; não percebe as consequências financeiras do actual Estado Social, independentemente das aparições televisivas de Medina Carreira; mesmo tendo filhos, mostra-se pouco disponível para aceitar pensar no futuro de Portugal - a falta de amor à pátria também não é dispicienda, afinal seremos dos poucos povos que se envergonham de o ser no estrangeiro ("(em Paris): olha, aqueles são portugueses!! Chiuuuuu, vamos falar inglês."), enquanto os outros o celebram. Os comunistas portugueses, e a sua estúpida sobrevivência política, são menos uma causa do nosso atraso (coitados) do que um sinal da pobreza mental deste país. Uns dias à conversa com quem viveu o comunismo nos países de Leste bastaria para limpar softwares instalados que passaram de prazo. Por isso diz bem António Coutinho Coelho que ""A nossa crise é só nossa e é cultural! Habituamo-nos a viver acima das nossa possibilidades. Adoramos politicos que nos vêm falar de oásis, de futuros radiosos, de direitos adquiridos, de amanhãs que cantam! E agora que começamos a ver que chegamos ao fundo do poço, desatamos a vociferar contra os economistas pessimistas, contra os banqueiros, contra os ricos, contra os agiotas, contra os bancos estrangeiros que não nos querem emprestar, contra as agências de rating! É urgente dar um espelho aos portugueses para que eles se vejam! Alguns irão suicidar-se, outros fugirão, mas alguns ficarão. E com esses talvez se construa um país viável, um país em que se produza a riqueza necessária ao bem estar do seu povo, sem direitos adquiridos, só com deveres de cidadania e muito, muito trabalho. Então saberemos, porque haveremos de previlegiar o saber, escolher o governo responsável e competente. Que saberá distribuir de de forma equitativa a riqueza criada."Gostava de estar enganado, mas aquilo que urge mudar no sistema político português, o actual líder da oposição não tem arcaboiço para o cumprir ou sequer promover.