vbfsousa@hotmail.comJardim está impregnado de razão, bem como de perfídia. Esses desconhecidos guindam-se aos púlpitos através da presença de Jardim. Jardim é, simultaneamente, presidente do Governo Regional, todos os deputados do PSD na Assembleia Legislativa Regional, todos os deputados madeirenses do PSD na Assembleia da República, e todos os autarcas madeirenses do PSD.---------------------------------------------------------O cabotino supremo de Portugal surpreende, por vezes, pela candura. Obsceno, sórdido e despoticamente sobranceiro, Jardim, apesar de não abdicar dessas características, produziu, ontem, uma asserção elucidativa, nutrida pela irascibilidade. Alguns detritos parecem macular o alvo servilismo sob o qual assenta o “PSD/Madeira”, embora não os saiba precisar. Sei, no entanto, que Jardim enviou mensagens acrimoniosas aos “seus” autarcas, reivindicando totais responsabilidades pela ascensão desses ignotos cidadãos ao poder. Citando de memória, eis a mensagem de Jardim: “Esses senhores, se não fosse aqui o Alberto João a subir aos palcos e a fazer campanha, ninguém os conhecia. Eles estão no poder pelos meus votos”. Aturdidos?Abundantes foram as vezes em que vociferei contra a alienação cívica portuguesa, cuja dimensão aterradora pode ser diagnostica aquando de momentos eleitorais. Os cidadãos por decreto desconhecem a Constituição, sendo essa vulnerabilidade explorada por homens populares – e populistas – como Jardim, que fomentam embustes e seduzem os eleitores, que, iludidos, untam com o voto figuras que desconhecem. Jardim está impregnado de razão, bem como de perfídia. Esses desconhecidos guindam-se aos púlpitos através da presença de Jardim. Jardim é, simultaneamente, presidente do Governo Regional, todos os deputados do PSD na Assembleia Legislativa Regional, todos os deputados madeirenses do PSD na Assembleia da República, e todos os autarcas madeirenses do PSD.Não esperava um reconhecimento público deste jaez, por parte de Jardim. Esquadrinhando as suas palavras, e oferecendo um cariz ainda mais percuciente, sem as deturpar, não será exagero concluir que o pensamento de Jardim é este: “Não existe PSD na Madeira. Existo eu, que sou ubíquo.” As palavras de Jardim contribuem para solidificar a avaliação que germinou em mim, acerca da inexistência de PSD na Madeira. Aqui, nem política existe. Tudo é embrionário, até mesmo a democracia, feto de 30 anos.Como pode um cidadão, que aspira a uma democracia mais madura e escorreita, resignar-se perante este estiolamento premeditado dela? A Constituição prescreve círculos eleitorais, mas os únicos círculos que se manifestam são os rostos, mais ou menos achatados, de alguns políticos mediáticos. Nas campanhas para as eleições legislativas, quantos madeirenses votaram em Sócrates, apesar de o actual primeiro-ministro ter encabeçado de lista do PS por Castelo Branco? E quantos lisboetas? E quantos portuenses? A doença é pestífera. Se continuarmos a ignorar estas subversões, não há legitimidade para lamentar o estado da democracia portuguesa.
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vbfsousa@hotmail.comJardim está impregnado de razão, bem como de perfídia. Esses desconhecidos guindam-se aos púlpitos através da presença de Jardim. Jardim é, simultaneamente, presidente do Governo Regional, todos os deputados do PSD na Assembleia Legislativa Regional, todos os deputados madeirenses do PSD na Assembleia da República, e todos os autarcas madeirenses do PSD.---------------------------------------------------------O cabotino supremo de Portugal surpreende, por vezes, pela candura. Obsceno, sórdido e despoticamente sobranceiro, Jardim, apesar de não abdicar dessas características, produziu, ontem, uma asserção elucidativa, nutrida pela irascibilidade. Alguns detritos parecem macular o alvo servilismo sob o qual assenta o “PSD/Madeira”, embora não os saiba precisar. Sei, no entanto, que Jardim enviou mensagens acrimoniosas aos “seus” autarcas, reivindicando totais responsabilidades pela ascensão desses ignotos cidadãos ao poder. Citando de memória, eis a mensagem de Jardim: “Esses senhores, se não fosse aqui o Alberto João a subir aos palcos e a fazer campanha, ninguém os conhecia. Eles estão no poder pelos meus votos”. Aturdidos?Abundantes foram as vezes em que vociferei contra a alienação cívica portuguesa, cuja dimensão aterradora pode ser diagnostica aquando de momentos eleitorais. Os cidadãos por decreto desconhecem a Constituição, sendo essa vulnerabilidade explorada por homens populares – e populistas – como Jardim, que fomentam embustes e seduzem os eleitores, que, iludidos, untam com o voto figuras que desconhecem. Jardim está impregnado de razão, bem como de perfídia. Esses desconhecidos guindam-se aos púlpitos através da presença de Jardim. Jardim é, simultaneamente, presidente do Governo Regional, todos os deputados do PSD na Assembleia Legislativa Regional, todos os deputados madeirenses do PSD na Assembleia da República, e todos os autarcas madeirenses do PSD.Não esperava um reconhecimento público deste jaez, por parte de Jardim. Esquadrinhando as suas palavras, e oferecendo um cariz ainda mais percuciente, sem as deturpar, não será exagero concluir que o pensamento de Jardim é este: “Não existe PSD na Madeira. Existo eu, que sou ubíquo.” As palavras de Jardim contribuem para solidificar a avaliação que germinou em mim, acerca da inexistência de PSD na Madeira. Aqui, nem política existe. Tudo é embrionário, até mesmo a democracia, feto de 30 anos.Como pode um cidadão, que aspira a uma democracia mais madura e escorreita, resignar-se perante este estiolamento premeditado dela? A Constituição prescreve círculos eleitorais, mas os únicos círculos que se manifestam são os rostos, mais ou menos achatados, de alguns políticos mediáticos. Nas campanhas para as eleições legislativas, quantos madeirenses votaram em Sócrates, apesar de o actual primeiro-ministro ter encabeçado de lista do PS por Castelo Branco? E quantos lisboetas? E quantos portuenses? A doença é pestífera. Se continuarmos a ignorar estas subversões, não há legitimidade para lamentar o estado da democracia portuguesa.