A Cinco Tons: Os "bate" aldeias, vilas e cidades

07-07-2011
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Acompanhar e, de alguma forma, integrar uma caravana eleitoral que atravessa o país durante duas semanas, de norte a sul, apesar de muito cansativo e desgastante, é sempre uma experiência curiosa. Por aquilo que se fica a compreender de cada uma das máquinas partidárias, pelos grupos que constituem esses mesmos partidos, a sua linguagem e forma de estar, que se alteram significativamente de região para a região e de partido para partido, pelas inflexões e detalhes que o discurso político vai tomando, de forma a conseguir marcar a agenda no confronto com os outros candidatos, mas também  no relacionamento com os seus eleitores. Há candidatos que, pelas suas próprias características, gostam mais do contacto pessoal, de ruas, feiras e mercados, outros o conforto das sessões públicas, jantares ou comícios. Mas, do ponto de vista físico e dos quilómetros, as campanhas são desgastantes, põem os principais interpretes roucos, muitas vezes afónicos de tanto repetirem, às vezes incessantemente, o mesmo discurso do primeiro ao último minuto. O que vai mudando são os cenários: num lar de isosos fala-se dos apoios sociais; no mercado do custo de vida; no Algarve do mar, no Alentejo da agricultura e da regionalização; à porta das fábricas, no caso de Francisco Lopes, dos direitos dos trabalhadores. Ontem à noite estava-se em Faro, esta manhã em Coimbra, amanhã nem sei já onde. As relações que se estabelecem são também diversas: grande parte do "espectáculo" é feito para os meios de comunicação, o que obriga a criar condições para os jornalistas se sentirem confortáveis no seu trabalho, com equipas de som, imagem, assessoria de comunicação, mas há sempre uma tensão latente entre aquilo que os "caravanistas" gostariam que passasse nos media e aquilo que efectivamente passa. No fundo é todo um espectáculo organizado, caro, onde se gasta dinheiro e energias, para dar visibilidade mediática às propostas dos candidatos, mas que também serve para mobilizar localmente as hostes de cada um dos grupos em confronto. Mas sempre me pareceu que quem decide as eleições é quem prefere a telenovela aos noticiários, quem se desvia de arruadas e comícios. E não sei, de facto, que peso têm no voto estas duas semanas de verdadeira volta a Portugal a bem mais de 100 à hora. Mas sei que sem as campanhas, como elas ainda são feitas em Portugal, num misto de "trupe de circo que chega à cidade" e "de venda da banha da cobra que cura qualquer doença", a coisa não teria a mesma graça.


Acompanhar e, de alguma forma, integrar uma caravana eleitoral que atravessa o país durante duas semanas, de norte a sul, apesar de muito cansativo e desgastante, é sempre uma experiência curiosa. Por aquilo que se fica a compreender de cada uma das máquinas partidárias, pelos grupos que constituem esses mesmos partidos, a sua linguagem e forma de estar, que se alteram significativamente de região para a região e de partido para partido, pelas inflexões e detalhes que o discurso político vai tomando, de forma a conseguir marcar a agenda no confronto com os outros candidatos, mas também  no relacionamento com os seus eleitores. Há candidatos que, pelas suas próprias características, gostam mais do contacto pessoal, de ruas, feiras e mercados, outros o conforto das sessões públicas, jantares ou comícios. Mas, do ponto de vista físico e dos quilómetros, as campanhas são desgastantes, põem os principais interpretes roucos, muitas vezes afónicos de tanto repetirem, às vezes incessantemente, o mesmo discurso do primeiro ao último minuto. O que vai mudando são os cenários: num lar de isosos fala-se dos apoios sociais; no mercado do custo de vida; no Algarve do mar, no Alentejo da agricultura e da regionalização; à porta das fábricas, no caso de Francisco Lopes, dos direitos dos trabalhadores. Ontem à noite estava-se em Faro, esta manhã em Coimbra, amanhã nem sei já onde. As relações que se estabelecem são também diversas: grande parte do "espectáculo" é feito para os meios de comunicação, o que obriga a criar condições para os jornalistas se sentirem confortáveis no seu trabalho, com equipas de som, imagem, assessoria de comunicação, mas há sempre uma tensão latente entre aquilo que os "caravanistas" gostariam que passasse nos media e aquilo que efectivamente passa. No fundo é todo um espectáculo organizado, caro, onde se gasta dinheiro e energias, para dar visibilidade mediática às propostas dos candidatos, mas que também serve para mobilizar localmente as hostes de cada um dos grupos em confronto. Mas sempre me pareceu que quem decide as eleições é quem prefere a telenovela aos noticiários, quem se desvia de arruadas e comícios. E não sei, de facto, que peso têm no voto estas duas semanas de verdadeira volta a Portugal a bem mais de 100 à hora. Mas sei que sem as campanhas, como elas ainda são feitas em Portugal, num misto de "trupe de circo que chega à cidade" e "de venda da banha da cobra que cura qualquer doença", a coisa não teria a mesma graça.

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