política nacional – Aventar

20-01-2012
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Rodrigo Gavazzi

Para o Partido Comunista Português, a sua política externa foi sempre o seu grande

calcanhar de Aquiles diante da opinião pública, com algumas defesas polémicas de regimes

que ostentavam algum tipo de ideologia similar à sua. Contudo, a Guerra na Ucrânia e a

atenção mediática e política em volta da mesma, fez com que a política externa do PCP

tomasse o palco principal da ação do partido, como não tinha acontecido até hoje.

O apoio, ou a ambiguidade deliberada do PCP em relação a regimes cujo currículo

democrático é, no mínimo, duvidoso, não é recente, contudo, costumava sempre pautar-se

pela defesa de estados que, de uma forma ou de outra, defendiam a ideologia marxista-

leninista, ou uma aproximação da mesma, com este apoio a ser acentuado num contexto de

Guerra Fria com uma ordem internacional dividida entre Leste e Oeste. Os casos da

Venezuela, Coreia do Norte, Cuba e China saltam à mente, e, achando-se ou não condenável

esta aproximação, era coerente com a orientação ideológica do partido.

No entanto, após o fim da Guerra Fria, e em especial com o virar do século e com o

começar da “Guerra ao Terror” iniciada pelos Estados Unidos após os atentados do 11 de

setembro, o PCP parecia continuar preso ao passado, ao mundo bicéfalo da Guerra Fria,

oposto ao Bloco Ocidental, mas agora contudo com um revés importante: alguns dos regimes

que o PCP apoia ou faz uma defesa ambígua são agora muitas vezes a completa antítese da

ideologia marxista-leninista. Casos assinaláveis como a defesa do Irão, uma teocracia, ou a

Síria, um regime proto-fascista (com um voto infame do PCP contra a condenação do uso de

armas químicas contra civis por parte de Al-Assad), ou ainda no século XX, contra a

intervenção da NATO na Jugoslávia, contra o regime fascista sérvio, numa tentativa de travar

o genocídio bósnio e kosovar, demonstam a mudança da política externa do PCP, que passou,

de certa forma, de uma política de “defesa dos seus”, para uma posição que apenas se prima

por ser anti-NATO, anti-UE e anti-EUA, deixando muitas vezes, entre votos de solidariedade

e atirar de culpas para estas facções, apoios a regimes que, em muitos casos, não tolerariam a

sua existência. [Read more…]

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Rodrigo Gavazzi

Para o Partido Comunista Português, a sua política externa foi sempre o seu grande

calcanhar de Aquiles diante da opinião pública, com algumas defesas polémicas de regimes

que ostentavam algum tipo de ideologia similar à sua. Contudo, a Guerra na Ucrânia e a

atenção mediática e política em volta da mesma, fez com que a política externa do PCP

tomasse o palco principal da ação do partido, como não tinha acontecido até hoje.

O apoio, ou a ambiguidade deliberada do PCP em relação a regimes cujo currículo

democrático é, no mínimo, duvidoso, não é recente, contudo, costumava sempre pautar-se

pela defesa de estados que, de uma forma ou de outra, defendiam a ideologia marxista-

leninista, ou uma aproximação da mesma, com este apoio a ser acentuado num contexto de

Guerra Fria com uma ordem internacional dividida entre Leste e Oeste. Os casos da

Venezuela, Coreia do Norte, Cuba e China saltam à mente, e, achando-se ou não condenável

esta aproximação, era coerente com a orientação ideológica do partido.

No entanto, após o fim da Guerra Fria, e em especial com o virar do século e com o

começar da “Guerra ao Terror” iniciada pelos Estados Unidos após os atentados do 11 de

setembro, o PCP parecia continuar preso ao passado, ao mundo bicéfalo da Guerra Fria,

oposto ao Bloco Ocidental, mas agora contudo com um revés importante: alguns dos regimes

que o PCP apoia ou faz uma defesa ambígua são agora muitas vezes a completa antítese da

ideologia marxista-leninista. Casos assinaláveis como a defesa do Irão, uma teocracia, ou a

Síria, um regime proto-fascista (com um voto infame do PCP contra a condenação do uso de

armas químicas contra civis por parte de Al-Assad), ou ainda no século XX, contra a

intervenção da NATO na Jugoslávia, contra o regime fascista sérvio, numa tentativa de travar

o genocídio bósnio e kosovar, demonstam a mudança da política externa do PCP, que passou,

de certa forma, de uma política de “defesa dos seus”, para uma posição que apenas se prima

por ser anti-NATO, anti-UE e anti-EUA, deixando muitas vezes, entre votos de solidariedade

e atirar de culpas para estas facções, apoios a regimes que, em muitos casos, não tolerariam a

sua existência. [Read more…]

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