A Cinco Tons: O valor da cidadania

20-01-2012
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Fernando Nobre prestou não só um péssimo serviço à cidadania, à participação cívica na política, na coisa pública, como se transformou em agente desmobilizador de todos os que acreditam que a verdadeira cidadania desinteressada pode ter um papel relevante na vida de um país, fora da órbita dos interesses defendidos pelos partidos políticos – essenciais à democracia, sim, claro, mas demasiado preocupados em assegurar condições à mole que gravita em torno, enfeudados a valores muitas vezes distantes das verdadeiras preocupações dos cidadãos.Que Fernando Nobre tenha desbaratado em nove meses toda a credibilidade conquistada em mais de duas décadas, problema dele. Que tenha posto em causa o valor da cidadania, isso, sim, é questão preocupante.Creio que as atitudes daquele que quis ser a segunda figura da hierarquia do Estado, embora não credibilizando os partidos, tornaram ainda mais sinuoso o caminho a figuras oriundas da sociedade civil em futuros actos eleitorais – nacionais ou locais.No entanto, creio, também, que a força dos cidadãos não morreu e pode ser importante nos tempos que aí vêm. É preciso continuar a lutar pela força da cidadania. Livre. Independente. Plural.Um sinal prometedor está a acontecer em Évora com as manifestações diárias de gente ligada à cultura em protesto contra a indecorosa decisão da autarquia de continuar a não pagar aquilo que é devido, não apresentando fórmulas de liquidar calotes, protelando o aparecimento de novas linhas regulamentadoras dos apoios.Quando Carlos Júlio materializou aqui, no A Cinco Tons, a opinião que já por diversas vezes havíamos debatido à mesa interminável das conversas, estava certamente longe de saber as reais consequências que as suas palavras escritas teriam num movimento prestes a esfumar-se pela falta de criatividade nos protestos, sobretudo pela falta de ligação aos cidadãos.Gente jovem, gente de Cultura da nossa cidade, revelando ousadia, pegou nas palavras, naquelas palavras, transformando-as em energia criativa, combustível de protesto contra uma situação injusta.Gente jovem fora dos ritos partidários tantas vezes contaminantes de movimentos espontâneos atirando-os para a esfera da luta política, desmobilizando, ou desmoralizando apoiantes da luta, mas não de determinada força política.Gente jovem mostrando o valor da cidadania. A cidadania como a palavra ou a cantiga dos idos de 70. Uma arma. Uma arma importante. Contra a insensibilidade. Contra a arrogância. Contra a indiferença.Sou pela Cultura. Sou pelo protesto. Pela cidadania. Estou na rua com eles!


Fernando Nobre prestou não só um péssimo serviço à cidadania, à participação cívica na política, na coisa pública, como se transformou em agente desmobilizador de todos os que acreditam que a verdadeira cidadania desinteressada pode ter um papel relevante na vida de um país, fora da órbita dos interesses defendidos pelos partidos políticos – essenciais à democracia, sim, claro, mas demasiado preocupados em assegurar condições à mole que gravita em torno, enfeudados a valores muitas vezes distantes das verdadeiras preocupações dos cidadãos.Que Fernando Nobre tenha desbaratado em nove meses toda a credibilidade conquistada em mais de duas décadas, problema dele. Que tenha posto em causa o valor da cidadania, isso, sim, é questão preocupante.Creio que as atitudes daquele que quis ser a segunda figura da hierarquia do Estado, embora não credibilizando os partidos, tornaram ainda mais sinuoso o caminho a figuras oriundas da sociedade civil em futuros actos eleitorais – nacionais ou locais.No entanto, creio, também, que a força dos cidadãos não morreu e pode ser importante nos tempos que aí vêm. É preciso continuar a lutar pela força da cidadania. Livre. Independente. Plural.Um sinal prometedor está a acontecer em Évora com as manifestações diárias de gente ligada à cultura em protesto contra a indecorosa decisão da autarquia de continuar a não pagar aquilo que é devido, não apresentando fórmulas de liquidar calotes, protelando o aparecimento de novas linhas regulamentadoras dos apoios.Quando Carlos Júlio materializou aqui, no A Cinco Tons, a opinião que já por diversas vezes havíamos debatido à mesa interminável das conversas, estava certamente longe de saber as reais consequências que as suas palavras escritas teriam num movimento prestes a esfumar-se pela falta de criatividade nos protestos, sobretudo pela falta de ligação aos cidadãos.Gente jovem, gente de Cultura da nossa cidade, revelando ousadia, pegou nas palavras, naquelas palavras, transformando-as em energia criativa, combustível de protesto contra uma situação injusta.Gente jovem fora dos ritos partidários tantas vezes contaminantes de movimentos espontâneos atirando-os para a esfera da luta política, desmobilizando, ou desmoralizando apoiantes da luta, mas não de determinada força política.Gente jovem mostrando o valor da cidadania. A cidadania como a palavra ou a cantiga dos idos de 70. Uma arma. Uma arma importante. Contra a insensibilidade. Contra a arrogância. Contra a indiferença.Sou pela Cultura. Sou pelo protesto. Pela cidadania. Estou na rua com eles!

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