A triste alegria brasileira

25-06-2015
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A triste alegria brasileira

22 Jun 2015 Paulo Jorge Pereira

paulo.pereira@economico.pt

Pode uma vitória ser amarga? Pode quando se atraiçoam princípios.

Não há qualquer surpresa na qualificação brasileira para os quartos-de-final da Copa América onde irá defrontar a congénere do Paraguai. A surpresa, desagradável, chegou apenas através do modo como a selecção, a vencer por 2-0, viu Dunga escolher o reforço da estratégia defensiva frente à frágil Venezuela que ainda marcou e esteve mesmo à beira de chegar ao empate.

Já lá estavam Miranda e Tiago Silva, mas o treinador considerou que, apesar de até a igualdade apurar o Brasil (seria a Colômbia a ficar de fora nessa eventualidade), era importante colocar David Luiz e descaracterizar ainda mais o futebol da equipa. Já era mau ter perdido Neymar, castigado por ceder a instintos primários e ser expulso na derrota com os colombianos - péssima foi nova traição aos históricos princípios de jogo da equipa que mais nomes ilustres, títulos mundiais e presenças em fases finais colecciona.

No futebol como na vida, não deve valer tudo para justificar a vitória. À selecção brasileira, que ensinou ao Mundo como a aventura, a coragem e a imaginação devem prevalecer porque recebem mais vezes a devida recompensa, não assenta bem a imagem de quem se refugia numa deriva de medo e falta de orientação que, por entre períodos de excepção, dura desde que Sebastião Lazaroni comandou a equipa no Mundial de 1990.

Além do desafio já referido entre brasileiros e paraguaios, Chile-Uruguai, Bolívia-Peru e Argentina-Colômbia são os outros duelos dos quartos-de-final da competição. E, se o apuramento justifica satisfação, não haverá alegria mais triste do que a brasileira face à forma como a sua selecção entra nesta fase da prova. Quando o Brasil ganha deste modo, não é apenas o futebol que está a perder - somos todos nós os derrotados.

Conteúdo publicado no Económico à Uma. Subscreva aqui.

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22 Jun 2015 Paulo Jorge Pereira

paulo.pereira@economico.pt

Pode uma vitória ser amarga? Pode quando se atraiçoam princípios.

Não há qualquer surpresa na qualificação brasileira para os quartos-de-final da Copa América onde irá defrontar a congénere do Paraguai. A surpresa, desagradável, chegou apenas através do modo como a selecção, a vencer por 2-0, viu Dunga escolher o reforço da estratégia defensiva frente à frágil Venezuela que ainda marcou e esteve mesmo à beira de chegar ao empate.

Já lá estavam Miranda e Tiago Silva, mas o treinador considerou que, apesar de até a igualdade apurar o Brasil (seria a Colômbia a ficar de fora nessa eventualidade), era importante colocar David Luiz e descaracterizar ainda mais o futebol da equipa. Já era mau ter perdido Neymar, castigado por ceder a instintos primários e ser expulso na derrota com os colombianos - péssima foi nova traição aos históricos princípios de jogo da equipa que mais nomes ilustres, títulos mundiais e presenças em fases finais colecciona.

No futebol como na vida, não deve valer tudo para justificar a vitória. À selecção brasileira, que ensinou ao Mundo como a aventura, a coragem e a imaginação devem prevalecer porque recebem mais vezes a devida recompensa, não assenta bem a imagem de quem se refugia numa deriva de medo e falta de orientação que, por entre períodos de excepção, dura desde que Sebastião Lazaroni comandou a equipa no Mundial de 1990.

Além do desafio já referido entre brasileiros e paraguaios, Chile-Uruguai, Bolívia-Peru e Argentina-Colômbia são os outros duelos dos quartos-de-final da competição. E, se o apuramento justifica satisfação, não haverá alegria mais triste do que a brasileira face à forma como a sua selecção entra nesta fase da prova. Quando o Brasil ganha deste modo, não é apenas o futebol que está a perder - somos todos nós os derrotados.

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