Como usar as redes sociais para triunfar nas bolsas

21-11-2014
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Como usar as redes sociais para triunfar nas bolsas

Alberto Teixeira

alberto.teixeira@economico.pt

15 Nov 2014

Estudos indicam que as redes sociais podem ser bons previsores do comportamento das acções, mas não se perca no meio de tanta informação.

Steven Santos acompanha os mercados financeiros de muito perto. Afinal, ele é gestor de activos da XTB Portugal e estar sempre informado é um activo precioso. A leitura de jornais, sites especializados, researchs dos analistas são rotinas diárias. Mas também já não dispensa a ajuda que as redes sociais podem prestar na hora de executar uma ordem em bolsa.

Como quando a agência Moody's baixou o ‘rating' da França, em 2012. "A notícia foi transmitida primeiro no Twitter, 15 minutos antes de ser difundida nos terminais profissionais. Isso criou oportunidades de negociação", recorda o gestor. Ou mais recentemente quando eclodiu a crise ucraniana: "Os avanços e recuos das tropas russas na Ucrânia foram relatados em tempo real no Twitter por jornalistas locais, permitindo-me antecipar e compreender reacções do índice russo RTS 50, no rublo e nos metais preciosos". Mas podem os tweets e os posts no Facebook prever o comportamento das acções e outros activos?

O paper ‘Can Facebook predict stock market activity?', do investigador da Goethe University Frankfurt Yigitcan Karabulut, está entre os inúmeros estudos académicos que surgiram nos últimos anos a propósito da emergência das redes sociais e o seu impacto nos mercados financeiros. Nas suas conclusões, descobriu que o Índice de Felicidade Bruta do Facebook, construído com base no uso de palavras positivas e negativas nas actualizações de estados dos utilizadores, pode funcionar como uma bola de cristal para antecipar retornos de acções e volumes de negociação nas bolsas americanas.

"Os estudos mais recentes, incluindo o meu, mostram que o conteúdo dos media sociais como os posts do Facebook ou as mensagens no Twitter sobre os nossos pensamentos diários parecem representar uma preciosa fonte de informação para entendermos o sentimento da população em relação à economia", explica Karabulut, destacando várias características que escapam a outros indicadores de confiança. "Redes sociais e pesquisas em motores de busca dão-nos informações quase em tempo real sobre o sentimento das pessoas, o que pode ser muito importante, não só para os investidores como para os decisores políticos. Quando os indicadores tradicionais do sentimento do consumidor têm uma frequência bastante baixa, são mensais ou trimestrais, as redes sociais podem funcionar como barómetros da confiança numa base diária", sublinha.

Excesso de informação

Mas não se deixe enganar pela abundância de informação disponível nas redes sociais. Só o Facebook tem mais de mil milhões de utilizadores activos mensais. O Twitter tem mais de 280 milhões. E nem tudo é verdade nem relevante.

Para Steven Santos "o maior risco das redes sociais é o excesso de ruído, isto é, informação incorrecta, pouco credível ou duplicada". E deixa o conselho de fazer-se amigo ou seguir participantes do mercado de outros países "para recolher opiniões sobre activos que eles conhecem há mais tempo devido à localização geográfica".

Peter Gloor, um dos autores do estudo "Predicting stock market indicator throught Twitter", alerta para a "honestidade dos tweets". "O Twitter pode mostrar-nos as últimas tendências, mas a filtragem de informação pode ser bastante difícil porque há investidores com intenções malévolas", argumenta este académico do MIT.

É importante também ter em conta que qualquer estratégia de negociação intradiária com base nos media sociais acarreta muitos custos operacionais. E por isso, avisa Karabulut, "o investidor deverá investigar muito bem antes de avançar com qualquer estratégia com base nas redes sociais".

À conquista do mundo

As redes sociais há muito que conquistaram Wall Street e outras principais praças financeiras mundiais, onde proliferam firmas de análise de media sociais, como a Social Market Analytics, Dataminr ou Datasift. Os principais fornecedores de informação financeira já incorporam nos seus serviços a monitorização do sentimento do investidor através dos novos media, como o Social Media Monitor da Thomson sobre algumas tecnológicas ou o Social Media Sentiment Indices para diversas regiões que a Bloomberg disponibiliza em breve. Ehá influentes investidores que podem ditar o rumo dos acontecimentos com apenas 140 caracteres no Twitter ou um simples post no Facebook.

Tudo somado, mais do que preocupar-se com custos na obtenção na informação, será essencial para quem procura guiar-se nos mercados através das redes sociais ser eficiente na selecção dos conteúdos.

Como usar as redes sociais para triunfar nas bolsas

Alberto Teixeira

alberto.teixeira@economico.pt

15 Nov 2014

Estudos indicam que as redes sociais podem ser bons previsores do comportamento das acções, mas não se perca no meio de tanta informação.

Steven Santos acompanha os mercados financeiros de muito perto. Afinal, ele é gestor de activos da XTB Portugal e estar sempre informado é um activo precioso. A leitura de jornais, sites especializados, researchs dos analistas são rotinas diárias. Mas também já não dispensa a ajuda que as redes sociais podem prestar na hora de executar uma ordem em bolsa.

Como quando a agência Moody's baixou o ‘rating' da França, em 2012. "A notícia foi transmitida primeiro no Twitter, 15 minutos antes de ser difundida nos terminais profissionais. Isso criou oportunidades de negociação", recorda o gestor. Ou mais recentemente quando eclodiu a crise ucraniana: "Os avanços e recuos das tropas russas na Ucrânia foram relatados em tempo real no Twitter por jornalistas locais, permitindo-me antecipar e compreender reacções do índice russo RTS 50, no rublo e nos metais preciosos". Mas podem os tweets e os posts no Facebook prever o comportamento das acções e outros activos?

O paper ‘Can Facebook predict stock market activity?', do investigador da Goethe University Frankfurt Yigitcan Karabulut, está entre os inúmeros estudos académicos que surgiram nos últimos anos a propósito da emergência das redes sociais e o seu impacto nos mercados financeiros. Nas suas conclusões, descobriu que o Índice de Felicidade Bruta do Facebook, construído com base no uso de palavras positivas e negativas nas actualizações de estados dos utilizadores, pode funcionar como uma bola de cristal para antecipar retornos de acções e volumes de negociação nas bolsas americanas.

"Os estudos mais recentes, incluindo o meu, mostram que o conteúdo dos media sociais como os posts do Facebook ou as mensagens no Twitter sobre os nossos pensamentos diários parecem representar uma preciosa fonte de informação para entendermos o sentimento da população em relação à economia", explica Karabulut, destacando várias características que escapam a outros indicadores de confiança. "Redes sociais e pesquisas em motores de busca dão-nos informações quase em tempo real sobre o sentimento das pessoas, o que pode ser muito importante, não só para os investidores como para os decisores políticos. Quando os indicadores tradicionais do sentimento do consumidor têm uma frequência bastante baixa, são mensais ou trimestrais, as redes sociais podem funcionar como barómetros da confiança numa base diária", sublinha.

Excesso de informação

Mas não se deixe enganar pela abundância de informação disponível nas redes sociais. Só o Facebook tem mais de mil milhões de utilizadores activos mensais. O Twitter tem mais de 280 milhões. E nem tudo é verdade nem relevante.

Para Steven Santos "o maior risco das redes sociais é o excesso de ruído, isto é, informação incorrecta, pouco credível ou duplicada". E deixa o conselho de fazer-se amigo ou seguir participantes do mercado de outros países "para recolher opiniões sobre activos que eles conhecem há mais tempo devido à localização geográfica".

Peter Gloor, um dos autores do estudo "Predicting stock market indicator throught Twitter", alerta para a "honestidade dos tweets". "O Twitter pode mostrar-nos as últimas tendências, mas a filtragem de informação pode ser bastante difícil porque há investidores com intenções malévolas", argumenta este académico do MIT.

É importante também ter em conta que qualquer estratégia de negociação intradiária com base nos media sociais acarreta muitos custos operacionais. E por isso, avisa Karabulut, "o investidor deverá investigar muito bem antes de avançar com qualquer estratégia com base nas redes sociais".

À conquista do mundo

As redes sociais há muito que conquistaram Wall Street e outras principais praças financeiras mundiais, onde proliferam firmas de análise de media sociais, como a Social Market Analytics, Dataminr ou Datasift. Os principais fornecedores de informação financeira já incorporam nos seus serviços a monitorização do sentimento do investidor através dos novos media, como o Social Media Monitor da Thomson sobre algumas tecnológicas ou o Social Media Sentiment Indices para diversas regiões que a Bloomberg disponibiliza em breve. Ehá influentes investidores que podem ditar o rumo dos acontecimentos com apenas 140 caracteres no Twitter ou um simples post no Facebook.

Tudo somado, mais do que preocupar-se com custos na obtenção na informação, será essencial para quem procura guiar-se nos mercados através das redes sociais ser eficiente na selecção dos conteúdos.

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