Devaneios Desintéricos: socialismo soit disant

21-01-2012
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Existe uma lei em Portugal que estabelece que o Estado não adopta qualquer religião, nem se pronuncia sobre questões religiosas e que, imagine-se a deriva secularista(!), nos actos oficiais e no protocolo de Estado será respeitado o princípio da não confessionalidade. É, na verdade e como tantas outras, letra morta.Na inauguração do Centro Escolar de São Martinho dos Mouros, quis o protocolo do Sr Primeiro Ministro e sua Ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, que lá estivesse presente um pároco, devidamente encarregue da beata tarefa de encomendar aquela escola aos cuidados divinos.Esta tradição manifestamente contra legem dos sucessivos executivos governamentais portugueses é, além de ícone de um populismo indubitavelmente abjecto, expoente do ponto máximo de desconsideraçãodo socialismo socrático por um certo adquirido civilizacional da máxima importância. Mesmo que isso me valha ser baptizado "fundamentalista" por quem verdadeiramente percebe destes sacramentos, não abdico da mais intransigente defesa de um núcleo essencial de princípios, absolutamente basilares de qualquer Democracia Moderna. A defesa do secularismo, ao contrário daquilo que seus opositores mais veementes parecem querer fazer parecer, não subtrai antes acrescenta Liberdade. Ao invés de excluir, inclui as diferenças. No lugar de desrespeitar impondo uma moral, nega a irracionalidade da dogmática do imaterial imposta de cima para baixo como se lei estatal fosse.No cômputo final, o mais chocante nesta foto do Público não será a prática (infelizmente) reiterada de se inserir actos religiosos em cerimónias oficiais com o concomitante favorecimento oficial de uma religião em relação às demais; Nem tão pouco Sócrates quando se benze(descurando por completo o facto relevantíssimo de ali estar como Primeiro Ministro, símbolo de um Estado) chega a ser, per si, motivo de grande espanto.Lamentável é que de tudo isto exale o cheiro tradicional do mais popularesco marketing político.PS: Também, sobre este assuntoO Estado deve ser religiosamente neutro, no Ponte EuropaAs crenças e a Lei, no Esquerda RepublicanaQuando se esquecem os princípios, no Causa NossaCirco, no Random Precision

Existe uma lei em Portugal que estabelece que o Estado não adopta qualquer religião, nem se pronuncia sobre questões religiosas e que, imagine-se a deriva secularista(!), nos actos oficiais e no protocolo de Estado será respeitado o princípio da não confessionalidade. É, na verdade e como tantas outras, letra morta.Na inauguração do Centro Escolar de São Martinho dos Mouros, quis o protocolo do Sr Primeiro Ministro e sua Ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, que lá estivesse presente um pároco, devidamente encarregue da beata tarefa de encomendar aquela escola aos cuidados divinos.Esta tradição manifestamente contra legem dos sucessivos executivos governamentais portugueses é, além de ícone de um populismo indubitavelmente abjecto, expoente do ponto máximo de desconsideraçãodo socialismo socrático por um certo adquirido civilizacional da máxima importância. Mesmo que isso me valha ser baptizado "fundamentalista" por quem verdadeiramente percebe destes sacramentos, não abdico da mais intransigente defesa de um núcleo essencial de princípios, absolutamente basilares de qualquer Democracia Moderna. A defesa do secularismo, ao contrário daquilo que seus opositores mais veementes parecem querer fazer parecer, não subtrai antes acrescenta Liberdade. Ao invés de excluir, inclui as diferenças. No lugar de desrespeitar impondo uma moral, nega a irracionalidade da dogmática do imaterial imposta de cima para baixo como se lei estatal fosse.No cômputo final, o mais chocante nesta foto do Público não será a prática (infelizmente) reiterada de se inserir actos religiosos em cerimónias oficiais com o concomitante favorecimento oficial de uma religião em relação às demais; Nem tão pouco Sócrates quando se benze(descurando por completo o facto relevantíssimo de ali estar como Primeiro Ministro, símbolo de um Estado) chega a ser, per si, motivo de grande espanto.Lamentável é que de tudo isto exale o cheiro tradicional do mais popularesco marketing político.PS: Também, sobre este assuntoO Estado deve ser religiosamente neutro, no Ponte EuropaAs crenças e a Lei, no Esquerda RepublicanaQuando se esquecem os princípios, no Causa NossaCirco, no Random Precision

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