Foi você que pediu um cérebro extra?
Richard Waters
00:05
A aplicação criada por Phil Libin funciona como um bloco de notas que podemos sincronizar em todos os equipamentos móveis.
À medida que o mundo se torna mais hiper-conectado os dependentes de informação só têm dois futuros possíveis. De um lado, o caos do excesso de informação, onde aquilo que é realmente importante se perde no ruído gerado, ou a deriva em equipamentos autónomos e serviços na nuvem que não conseguem conectar-se entre si. Do outro, o nirvana da relevância, onde a informação que interessa chega até nós antes de percebermos que precisamos dela.
Tendo isto presente não admira que a Evernote, a aplicação criada por Phil Libin que funciona como um bloco de notas que podemos sincronizar em todos os equipamentos móveis e computadores de secretária, se enquadre nesse futuro "nirvanístico". Libin, programador informático de formação e profissão, é um indivíduo discreto que se esforça tanto por transmitir uma imagem de pessoa ponderada que corre o risco de passar despercebido: ele e a sua obra.
"A ‘app' funciona como um cérebro extra. Queremos ajudar o utilizador a ser mais profissional, mais organizado, mais produtivo e a tomar melhores decisões." Isto não tem a ver com inteligência artificial, mas sim com algo que aí vem e que Libin designa por "inteligência aumentada", na qual as máquinas assumem o papel de assistentes pessoais constantemente alerta. "Quando queremos pesquisar sobre uma determinada questão, parte da informação já se perdeu no éter. Mas se tivermos um ‘assistente', vamos ter os dados de que precisamos antes de sabermos que necessitamos deles".
101 milhões de utilizadores
O facto de a Google ter uma visão semelhante sobre a pesquisa dá-nos uma ideia da magnitude da ambição de Libin. Talvez a sua confiança se deva à adoração que os fãs incondicionais da Evernote têm pela ‘app'. Dos que a usam há mais de cinco anos, cerca de um terço pagou para ter a versão ‘premium': uma percentagem elevada para um serviço assente num modelo de negócio ‘freemium', isto é, que disponibiliza gratuitamente a versão mais básica. E como a Evernote diz ter 101 milhões de utilizadores, significa que quatro milhões pagam pelo serviço ‘premium'.
Os utilizadores do Evernote recorrem à aplicação para guardar apontamentos, fotografias e até páginas inteiras da Net que depois sincronizam nos diferentes equipamentos que usam para partilhar ou colaborar com terceiros. Libin quer transformar a Evernote num segundo cérebro e, para isso, tem de garantir que a ‘app' é capaz de apresentar informação no exacto momento em que é necessária. "Vamos supor que estou numa reunião. Enquanto tomo notas, a ‘app' está simultaneamente a pesquisar os meus apontamentos, os do resto da equipa e dos meus contactos. No final, dá-me tudo o que encontrou sobre o assunto", realça Libin.
A principal questão que agora se coloca é que a Evernote é apenas uma das muitas ‘apps' que pretendem explorar a "produtividade" nos equipamentos móveis. Além disso, as suas múltiplas funcionalidades podem parecer demasiado complexas para um mundo extremamente ‘mobile-cêntrico', onde empresas como o Facebook tentam descobrir a fórmula para simplificar os seus serviços.
Enquanto a Evernote procura soluções para a crescente complexidade da informação que descarregamos em diferentes equipamentos, Libin tem de encontrar maneira de responder a um novo desafio. A maior parte das tecnológicas não sobrevive às mudanças de plataforma que periodicamente "varrem" a indústria. Lançada em 2008, a Evernote foi desenhada precisamente a pensar no novo mundo "multi-ecrã" que começava a despontar. O gigante Microsoft só muito recentemente anunciou que vai disponibilizar o Office para iPad ainda este ano.
Além da concorrência crescente, a Evernote tem pela frente um desafio ainda mais profundo: a expansão aparentemente imparável do universo de ecrãs, dos ‘smartwatches' aos automóveis conectados. Os equipamentos tendem a ser mais simples, mas o grau de complexidade da informação que os utilizadores precisam tem vindo a aumentar, o que obriga programadores e designers a uma busca constante de soluções inovadoras. "É cada vez mais difícil porque temos de desenhar produtos que funcionem ao mesmo tempo em diferentes equipamentos. É uma coisa totalmente nova e poucas pessoas, incluindo nós, fazem bem isto", realça Libin.
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Foi você que pediu um cérebro extra?
Richard Waters
00:05
A aplicação criada por Phil Libin funciona como um bloco de notas que podemos sincronizar em todos os equipamentos móveis.
À medida que o mundo se torna mais hiper-conectado os dependentes de informação só têm dois futuros possíveis. De um lado, o caos do excesso de informação, onde aquilo que é realmente importante se perde no ruído gerado, ou a deriva em equipamentos autónomos e serviços na nuvem que não conseguem conectar-se entre si. Do outro, o nirvana da relevância, onde a informação que interessa chega até nós antes de percebermos que precisamos dela.
Tendo isto presente não admira que a Evernote, a aplicação criada por Phil Libin que funciona como um bloco de notas que podemos sincronizar em todos os equipamentos móveis e computadores de secretária, se enquadre nesse futuro "nirvanístico". Libin, programador informático de formação e profissão, é um indivíduo discreto que se esforça tanto por transmitir uma imagem de pessoa ponderada que corre o risco de passar despercebido: ele e a sua obra.
"A ‘app' funciona como um cérebro extra. Queremos ajudar o utilizador a ser mais profissional, mais organizado, mais produtivo e a tomar melhores decisões." Isto não tem a ver com inteligência artificial, mas sim com algo que aí vem e que Libin designa por "inteligência aumentada", na qual as máquinas assumem o papel de assistentes pessoais constantemente alerta. "Quando queremos pesquisar sobre uma determinada questão, parte da informação já se perdeu no éter. Mas se tivermos um ‘assistente', vamos ter os dados de que precisamos antes de sabermos que necessitamos deles".
101 milhões de utilizadores
O facto de a Google ter uma visão semelhante sobre a pesquisa dá-nos uma ideia da magnitude da ambição de Libin. Talvez a sua confiança se deva à adoração que os fãs incondicionais da Evernote têm pela ‘app'. Dos que a usam há mais de cinco anos, cerca de um terço pagou para ter a versão ‘premium': uma percentagem elevada para um serviço assente num modelo de negócio ‘freemium', isto é, que disponibiliza gratuitamente a versão mais básica. E como a Evernote diz ter 101 milhões de utilizadores, significa que quatro milhões pagam pelo serviço ‘premium'.
Os utilizadores do Evernote recorrem à aplicação para guardar apontamentos, fotografias e até páginas inteiras da Net que depois sincronizam nos diferentes equipamentos que usam para partilhar ou colaborar com terceiros. Libin quer transformar a Evernote num segundo cérebro e, para isso, tem de garantir que a ‘app' é capaz de apresentar informação no exacto momento em que é necessária. "Vamos supor que estou numa reunião. Enquanto tomo notas, a ‘app' está simultaneamente a pesquisar os meus apontamentos, os do resto da equipa e dos meus contactos. No final, dá-me tudo o que encontrou sobre o assunto", realça Libin.
A principal questão que agora se coloca é que a Evernote é apenas uma das muitas ‘apps' que pretendem explorar a "produtividade" nos equipamentos móveis. Além disso, as suas múltiplas funcionalidades podem parecer demasiado complexas para um mundo extremamente ‘mobile-cêntrico', onde empresas como o Facebook tentam descobrir a fórmula para simplificar os seus serviços.
Enquanto a Evernote procura soluções para a crescente complexidade da informação que descarregamos em diferentes equipamentos, Libin tem de encontrar maneira de responder a um novo desafio. A maior parte das tecnológicas não sobrevive às mudanças de plataforma que periodicamente "varrem" a indústria. Lançada em 2008, a Evernote foi desenhada precisamente a pensar no novo mundo "multi-ecrã" que começava a despontar. O gigante Microsoft só muito recentemente anunciou que vai disponibilizar o Office para iPad ainda este ano.
Além da concorrência crescente, a Evernote tem pela frente um desafio ainda mais profundo: a expansão aparentemente imparável do universo de ecrãs, dos ‘smartwatches' aos automóveis conectados. Os equipamentos tendem a ser mais simples, mas o grau de complexidade da informação que os utilizadores precisam tem vindo a aumentar, o que obriga programadores e designers a uma busca constante de soluções inovadoras. "É cada vez mais difícil porque temos de desenhar produtos que funcionem ao mesmo tempo em diferentes equipamentos. É uma coisa totalmente nova e poucas pessoas, incluindo nós, fazem bem isto", realça Libin.