Os argumentos do ex-“Dono Disto Tudo”
Filipe Alves
filipe.alves@economico.pt
Ontem 00:07
Numa longa audição, o ex-presidente do BES procurou salvar a "pele do leopardo".
Ao longo de mais de seis horas, Ricardo Salgado criticou o Banco de Portugal e procurou refutar as acusações que lhe têm sido dirigidas.
1 - Queixa-se de Julgamento na praça pública
Salgado acusa o Banco de Portugal de o querer julgar na "praça pública", sem direito a contraditório, pelo que espera poder defender-se em tribunal.
2 - ‘Findings' da auditoria forense postos em causa
O ex-banqueiro defendeu que "o próprio relatório da auditoria forense reconhece que as informações e documentos analisados na auditoria são insuficientes", e que o segundo bloco é mesmo baseado em "notícias de jornais". Acrescentou que vários dos ‘findings' da auditoria forense assentam em erros, dando o exemplo de um crédito à habitação a um administrador do banco, aprovado pelo ‘board' do BES, ter sido considerado um financiamento ilícito à família Espírito Santo. Salgado disse ainda que a conta ‘escrow' foi sempre usada para pagar a clientes de retalho que investiram em papel comercial, embora o BdP entenda que alguns desses clientes não cabiam na definição de "retalho".
3 - Lamenta situação, mas não pede desculpa
O ex-banqueiro lamenta "profundamente, todos os que foram prejudicados pelo desfecho da situação do BES/GES" e diz que nunca esquecerá os clientes, colaboradores e accionistas, que nele confiaram, mas não pede desculpa, porque não se considera responsável por tudo o que aconteceu. "Não terei tudo a ver com tudo, como tem surgido na opinião pública". E acrescentou, em resposta a Carlos Abreu Amorim (PSD): "Estou aqui a defender a minha razão. E a melhor forma de defender os interesses dos clientes e accionistas é provar que tenho razão. E espero vir a tê-la quando for julgado nos tribunais".
4 - "Maioria dos que me rodeavam com honras dirão, fingirão não me ter conhecido"
Ricardo Salgado diz estar consciente de que o resto da vida será passado na tentativa de limpar o nome. "A maioria daqueles que me rodearam com honras e solicitações fingirão nunca me ter conhecido ou dirão que se enganaram anos a fio", disse.
5 - Cartas de conforto à venezuela não causaram prejuízo algum ao bes
Salgado considera "incompreensível" que a emissão das cartas de conforto à petrolífera venezuelana PDVSA, em Junho de 2014, "seja rotulada como potencial gestão ruinosa". Argumenta: "Para além de não serem uma garantia e estarem sujeitas a condições, os destinatários nem sequer pretenderam fazer-se valer das mesmas, tanto quanto sei. Portanto, não existe qualquer prejuízo ou dano patrimonial".
6 - Fundos queriam investir no bes em julho de 2014
Salgado disse que havia três fundos internacionais interessados em investir num novo reforço de capital do BES, mas que o BdP impediu esses investimentos (ver texto ao lado).
7 - Diz que não houve desvio de fundos
Salgado disse que "não houve desvio de fundos" no BES e no GES.
8 - Mantém que não mandou falsificar contas
Salgado reiterou que não ordenou a manipulação das contas da ESI: "Eu e a minha família investimos cerca de 70 milhões de euros nos aumentos de capital da ES Control. Se soubéssemos dessas dívidas ocultas, não teríamos investido no aumento de capital porque estaríamos a enganar-nos a nós próprios". Sobre o contabilista Machado da Cruz, disse que já ouviu "cinco versões diferentes do que ele afirma".
9 - Plano a dez anosera da pwc e do bdp
Salgado argumentou que o plano a dez anos para o GES, previsto no ETTRIC, não era seu mas da PwC e do Banco de Portugal.
10 - Crise do bes foi provocada pelas dúvidas na sucessão e não pelo buraco da esi
Salgado defendeu que "se o problema da ESI tivesse causado a quebra de confiança e a destruição do BES, o aumento de capital de Maio-Junho de 2014 jamais teria sido feito".
Categorias
Entidades
Os argumentos do ex-“Dono Disto Tudo”
Filipe Alves
filipe.alves@economico.pt
Ontem 00:07
Numa longa audição, o ex-presidente do BES procurou salvar a "pele do leopardo".
Ao longo de mais de seis horas, Ricardo Salgado criticou o Banco de Portugal e procurou refutar as acusações que lhe têm sido dirigidas.
1 - Queixa-se de Julgamento na praça pública
Salgado acusa o Banco de Portugal de o querer julgar na "praça pública", sem direito a contraditório, pelo que espera poder defender-se em tribunal.
2 - ‘Findings' da auditoria forense postos em causa
O ex-banqueiro defendeu que "o próprio relatório da auditoria forense reconhece que as informações e documentos analisados na auditoria são insuficientes", e que o segundo bloco é mesmo baseado em "notícias de jornais". Acrescentou que vários dos ‘findings' da auditoria forense assentam em erros, dando o exemplo de um crédito à habitação a um administrador do banco, aprovado pelo ‘board' do BES, ter sido considerado um financiamento ilícito à família Espírito Santo. Salgado disse ainda que a conta ‘escrow' foi sempre usada para pagar a clientes de retalho que investiram em papel comercial, embora o BdP entenda que alguns desses clientes não cabiam na definição de "retalho".
3 - Lamenta situação, mas não pede desculpa
O ex-banqueiro lamenta "profundamente, todos os que foram prejudicados pelo desfecho da situação do BES/GES" e diz que nunca esquecerá os clientes, colaboradores e accionistas, que nele confiaram, mas não pede desculpa, porque não se considera responsável por tudo o que aconteceu. "Não terei tudo a ver com tudo, como tem surgido na opinião pública". E acrescentou, em resposta a Carlos Abreu Amorim (PSD): "Estou aqui a defender a minha razão. E a melhor forma de defender os interesses dos clientes e accionistas é provar que tenho razão. E espero vir a tê-la quando for julgado nos tribunais".
4 - "Maioria dos que me rodeavam com honras dirão, fingirão não me ter conhecido"
Ricardo Salgado diz estar consciente de que o resto da vida será passado na tentativa de limpar o nome. "A maioria daqueles que me rodearam com honras e solicitações fingirão nunca me ter conhecido ou dirão que se enganaram anos a fio", disse.
5 - Cartas de conforto à venezuela não causaram prejuízo algum ao bes
Salgado considera "incompreensível" que a emissão das cartas de conforto à petrolífera venezuelana PDVSA, em Junho de 2014, "seja rotulada como potencial gestão ruinosa". Argumenta: "Para além de não serem uma garantia e estarem sujeitas a condições, os destinatários nem sequer pretenderam fazer-se valer das mesmas, tanto quanto sei. Portanto, não existe qualquer prejuízo ou dano patrimonial".
6 - Fundos queriam investir no bes em julho de 2014
Salgado disse que havia três fundos internacionais interessados em investir num novo reforço de capital do BES, mas que o BdP impediu esses investimentos (ver texto ao lado).
7 - Diz que não houve desvio de fundos
Salgado disse que "não houve desvio de fundos" no BES e no GES.
8 - Mantém que não mandou falsificar contas
Salgado reiterou que não ordenou a manipulação das contas da ESI: "Eu e a minha família investimos cerca de 70 milhões de euros nos aumentos de capital da ES Control. Se soubéssemos dessas dívidas ocultas, não teríamos investido no aumento de capital porque estaríamos a enganar-nos a nós próprios". Sobre o contabilista Machado da Cruz, disse que já ouviu "cinco versões diferentes do que ele afirma".
9 - Plano a dez anosera da pwc e do bdp
Salgado argumentou que o plano a dez anos para o GES, previsto no ETTRIC, não era seu mas da PwC e do Banco de Portugal.
10 - Crise do bes foi provocada pelas dúvidas na sucessão e não pelo buraco da esi
Salgado defendeu que "se o problema da ESI tivesse causado a quebra de confiança e a destruição do BES, o aumento de capital de Maio-Junho de 2014 jamais teria sido feito".