A fiar nas sondagens o próximo Presidente da República vai mesmo ser Cavaco Silva. Algumas considerações:----------1. Vencedores: Cavaco Silva, Jerónimo de Sousa, Manuel Alegre (ordem arbitrária). Derrotados: Mário Soares, o Bloco de Esquerda, Mário Soares e, por arrasto, o PS. Surpresas: a diferença entre Manuel Alegre e Mário Soares, entre Mário Soares e Jerónimo de Sousa, e entre Jerónimo de Sousa e Francisco Louçã; a vitória tangencial (e apenas bastante provável, por agora) de Cavaco Silva. ----------2. Não entendo as teses de António Vitorino e Marcelo Rebelo de Sousa, que acabaram agora de dizer na RTP1 que Manuel Alegre teria sido uma melhor escolha do PS. A diferença de votos entre Soares e Alegre é avassaladora, certo. Mas a questão é outra: será que algumas das causas da grande votação de Manuel Alegre não são inerentes ao próprio estatuto da sua candidatura? Por outras palavras: com Alegre e Soares a votação socialista dessa área atingiu mais de 30%; caso o candidato apoiado tivesse sido Manuel Alegre, haveria apenas um candidato desta área - porque Soares nunca se candidataria - e muito dificilmente Alegre acabaria com uma votação de 30%. Creio eu (até porque sem um «discurso anti-sistema» - em que se baseou a sua candidatura - a massa política do poeta reduz-se a uma densidade ao nível das pipocas).----------3. Não sei o que é um movimento de «alargamento da cidadania». Não sei o que é «o abrir de um novo espaço de intervenção». Convinha, pois, que os responsáveis da segunda candidatura fossem capazes de consubstanciar os conceitos em algo mais palpável, mais substancial. Se for possível, claro.----------4. Não vou ganhar a BlasfemAndWin. Isso é certo. Mas ainda posso, segundo os meus cálculos, ficar nos 50 primeiros lugares. Ou talvez não. Quem me manda a mim apostar em Mário Soares em segundo?...----------5. O «Choque Tecnológico», prometido pelo PS, está cada vez mais perto. Depois do choque de hoje, já só falta o «tecnológico». ----------6. Cavaco Silva ainda não falou. Tomou-lhe o gosto na campanha?----------7. Presumo que este tenha sido o último dia de vida de um dos melhores blogs que já tive o prazer de visitar: o Pulo do Lobo. ----------8. A votação de Francisco Louçã supreende-me. É o líder que melhor comunica, o candidato com melhor intervenção em debates, aquele que mais entusiasma nos comícios, o mais telegénico. O extremismo não explica tudo; realmente, explica muito pouco: a votação do Bloco de Esquerda nas legislativas conseguiu exceder estes parcos 4/5%. Mesmo admitindo que desta vez o voto de protesto não tenha tido eco, por muitas alternativas (e porque uma figura individual de candidato presidencial não causa o repúdio que o bloco central tem vindo a granjear junto dos eleitores de centro), fica sempre a imagem de que a votação foi baixa. Demasiado baixa. Não entendo, confesso.----------9. O candidato «simpático» está, neste momento, a fazer o discurso mais intolerante de todos. A velha ladainha das políticas de direita, dos pobres e excluídos, da instabilidade política, etc. O PCP mudou o formato, trocando a cassete pelo DVD, mas o conteúdo é o mesmo. Seria talvez sensato que alguém explicasse a Jerónimo que, por muito que lhe custe, o povo pode, realmente, não querer um Presidente de Esquerda. ----------10. Garcia Pereira é uma paródia absoluta. O momento em que criticou o PS por ter rejeitado apoiar a sua candidatura foi sublime. Mr. Bean tem concorrência.
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A fiar nas sondagens o próximo Presidente da República vai mesmo ser Cavaco Silva. Algumas considerações:----------1. Vencedores: Cavaco Silva, Jerónimo de Sousa, Manuel Alegre (ordem arbitrária). Derrotados: Mário Soares, o Bloco de Esquerda, Mário Soares e, por arrasto, o PS. Surpresas: a diferença entre Manuel Alegre e Mário Soares, entre Mário Soares e Jerónimo de Sousa, e entre Jerónimo de Sousa e Francisco Louçã; a vitória tangencial (e apenas bastante provável, por agora) de Cavaco Silva. ----------2. Não entendo as teses de António Vitorino e Marcelo Rebelo de Sousa, que acabaram agora de dizer na RTP1 que Manuel Alegre teria sido uma melhor escolha do PS. A diferença de votos entre Soares e Alegre é avassaladora, certo. Mas a questão é outra: será que algumas das causas da grande votação de Manuel Alegre não são inerentes ao próprio estatuto da sua candidatura? Por outras palavras: com Alegre e Soares a votação socialista dessa área atingiu mais de 30%; caso o candidato apoiado tivesse sido Manuel Alegre, haveria apenas um candidato desta área - porque Soares nunca se candidataria - e muito dificilmente Alegre acabaria com uma votação de 30%. Creio eu (até porque sem um «discurso anti-sistema» - em que se baseou a sua candidatura - a massa política do poeta reduz-se a uma densidade ao nível das pipocas).----------3. Não sei o que é um movimento de «alargamento da cidadania». Não sei o que é «o abrir de um novo espaço de intervenção». Convinha, pois, que os responsáveis da segunda candidatura fossem capazes de consubstanciar os conceitos em algo mais palpável, mais substancial. Se for possível, claro.----------4. Não vou ganhar a BlasfemAndWin. Isso é certo. Mas ainda posso, segundo os meus cálculos, ficar nos 50 primeiros lugares. Ou talvez não. Quem me manda a mim apostar em Mário Soares em segundo?...----------5. O «Choque Tecnológico», prometido pelo PS, está cada vez mais perto. Depois do choque de hoje, já só falta o «tecnológico». ----------6. Cavaco Silva ainda não falou. Tomou-lhe o gosto na campanha?----------7. Presumo que este tenha sido o último dia de vida de um dos melhores blogs que já tive o prazer de visitar: o Pulo do Lobo. ----------8. A votação de Francisco Louçã supreende-me. É o líder que melhor comunica, o candidato com melhor intervenção em debates, aquele que mais entusiasma nos comícios, o mais telegénico. O extremismo não explica tudo; realmente, explica muito pouco: a votação do Bloco de Esquerda nas legislativas conseguiu exceder estes parcos 4/5%. Mesmo admitindo que desta vez o voto de protesto não tenha tido eco, por muitas alternativas (e porque uma figura individual de candidato presidencial não causa o repúdio que o bloco central tem vindo a granjear junto dos eleitores de centro), fica sempre a imagem de que a votação foi baixa. Demasiado baixa. Não entendo, confesso.----------9. O candidato «simpático» está, neste momento, a fazer o discurso mais intolerante de todos. A velha ladainha das políticas de direita, dos pobres e excluídos, da instabilidade política, etc. O PCP mudou o formato, trocando a cassete pelo DVD, mas o conteúdo é o mesmo. Seria talvez sensato que alguém explicasse a Jerónimo que, por muito que lhe custe, o povo pode, realmente, não querer um Presidente de Esquerda. ----------10. Garcia Pereira é uma paródia absoluta. O momento em que criticou o PS por ter rejeitado apoiar a sua candidatura foi sublime. Mr. Bean tem concorrência.